Sempre que dou uma entrevista, vira e mexe me perguntam como comecei a trampar com quadrinhos. Já contei várias vezes, mas como nem todo mundo as leu, resolvi relatar aqui.

Mas era uma época brava. Não ganhava nada (mesmo) na rádio e ainda estava na faculdade de jornalismo (a Metodista, de São Bernardo do Campo, na qual me formei em 1991). Então, eu e um grupo de amigos criamos um jornal mural (falo de 1989, não tínhamos nem sequer computador, quanto mais net), no qual comecei a fazer algumas críticas de quadrinhos. Era a época do boom da Abril e da Globo, e todos os grandes jornais de São Paulo abriam páginas e páginas para falar de HQs.

Fui sempre bem recebido, mas conseguir um frila eram outros quinhentos. Até que, numa dessas visitas, o Leandro leu e gostou do meu texto sobre Cinder e Ashe (é este aí acima), minissérie que ele editou ainda na Abril. Aí, perguntou se eu gostava de música, porque queria publicar na HQ Press (seção que saía nas páginas centrais de Sandman e Fantasma, aquele remake da DC Comics) uma matéria sobre quadrinhos e música!
Cara, naquela hora, minha alegria era tanta, que se o Leandro me perguntasse se eu gostava do Palmeiras (sou corinthiano fanático) era capaz de dizer sim... Bom, agora exagerei um bocado! :-)

Só quando baixou a adrenalina que percebi: a missão não seria nada simples. O Leandro queria sete laudas (9.800 caracteres). Eu quase não tinha material de referência e meu conhecimento sobre quadrinhos não era tão grande. Aí, liguei para a Livraria Muito Prazer, que ficava na av. São João, expliquei a situação e perguntei se poderia passar o dia pesquisando lá.
Como a resposta foi sim, fiquei lá horas e horas, folheando centenas de HQs e anotando, anotando, anotando. Começou aí o meu gosto pela pesquisa, algo que sempre norteou meus textos desde então.

A sensação de dever cumprido só não foi maior do que a satisfação de sentir que eu finalmente estava assinando minha entrada no mercado de quadrinhos.
A matéria saiu nas edições 7 de Fantasma e Sandman; e como as revistas são de 1990, coloquei as quatro páginas (com poucas ilustrações, porque eu escrevi demais) aqui, num tamanho legal, pra quem quiser ler.
Depois, com ela debaixo do braço, consegui mais frilas. Passei para jornais (o primeiro foi o Jornal da Tarde), entrei na Globo, pra trabalhar como redator, escrevi para várias revistas e o resto é história (que, com o tempo, contarei aqui).

Por isso mesmo, todas essas matérias estão na página de abertura de meu portfólio (tenho todas as matérias que publiquei até hoje). Guardo-as com todo carinho, pois foi com aquelas folhas datilografadas e amareladas que minha carreira começou! E devo muito a elas!
Um comentário:
Oi pessoal adorei o blog eu tenho umas revistas do fantasma e do batmam muito especial mas to vendendo se souber de alguem q se enteressse me da um toque vou deixar meu email.
igor_amoraes@terra.com.br
Postar um comentário