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25 abril 2010

Kiki por aí

Kiki de Montparnasse, de José-Louis Bocquet e Catel Muller (Galera Record), é uma biografia em HQ de uma das mulheres mais famosas do mundo das artes visuais.

Alice Prin, seu nome verdadeiro, foi retratada por diversos artistas ao longo de sua vida - principalmente por Man Ray, fotógrafo norte-americano com quem teve um longo relacionamento. E o álbum é cheio de referências a essas obras em que Kiki serviu de modelo e musa.

Abaixo, selecionei algumas dessas referências. É uma forma de tornar a leitura ainda mais interessante.

Pra começar, A Estrela do Mar, filme de Man Ray de 1928.

(Clique na imagem para ver o filme no site Ubu)


Ainda de Man Ray, duas fotografias de Kiki: Preto e Branco e a famosa Le violon d'Ingres, que inspirou a capa da HQ.




Fotografia de Julian Mandel, circa 1920:



Feminité - O nariz de Kiki, escultura de Alexander Calder, 1930.



Retrato de Kiki por Gwozdecki, 1920.



Retrato de Kiki atribuído a Chaïm Soutine.



Kiki de Montparnasse com vestido vermelho, pintura de Kisling.



Escultura de Pablo Gargallo.



Nu reclinado em toile de Jouy - Fujita Tsuguharu.

07 setembro 2006

A arte na capa de um LP

Sou do tempo dos LPs, as chamadas bolachas de vinil, que podem não ter (e realmente não tinham) toda a qualidade que um CD oferece, além de serem mais frágeis. Mas sinto falta deles, ainda tenho guardado todos os meus quase trezentos e faço uma limpeza periódica em cada um pra que durem pelo menos mais uns 150 anos.

Na transição pra o CD, muitas produções antigas ganharam um tratamento de primeira no som, mas as capas, que chamam a atenção nas prateleiras, perderam muito da magia. Pegue o álbum Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band (1967) dos Beatles e tente apreciar aquela imagem reproduzida no tamanhico de um compact disc. Dá pra ver bem algum detalhe da capa considerada uma das maravilhas da pop art?

Quem só começou a curtir o Iron Maiden na era do CD e comprou o magnífico Powerslave (1984), por exemplo, nem imagina onde esteja na ilustração o inconfundível símbolo da banda, presente em todas as capas, e que nessa e em outras reduzidas para o formato compact disc ficou sumido.

Ainda em Powerslave, só quem tem o LP pode ver a inscrição “Indiana Jones was here” (“Indiana Jones esteve aqui”) e o desenho do Mickey Mouse talhados na entrada de uma das esfinges.

Pra mim, essa é a melhor capa dos discos do Iron Maiden, pela riqueza de detalhes e por causa do tema, o Egito antigo, que me fascina desde a infância. Mas há outras belas ilustrações, como as dos álbuns Seventh Son of a Seventh Son (1988) e Somewhere in Time (1986).

Esta última traz também um festival de citações, como o nome do escritor de ficção científica Isaac Asimov em um letreiro; no céu escuro, ao fundo, o anjo caído da banda Led Zeppelin; e, no alto de um edifício, a inconfundível imagem do Batman na penumbra. Isso tudo quase não dá pra perceber na versão da capa em CD.

Muitas outras bandas de heavy metal também se valem da arte pintada para chamar a atenção na capa de seus discos. O Manowar é mestre nisso, e destaco aqui as belas ilustrações para Hail to England (1984), que é de fazer babar qualquer fã do Conan, e Fighting the World (1987), que emula a capa de Destroyer (1976), do Kiss. Compare nas imagens postadas aqui.

Aliás, o Kiss tem outro álbum com uma capa espetacular, Love Gun (1977). A pintura realista é de encher os olhos.

E voltando ao bárbaro cimério, o ilustrador Ken Kelly, que já foi capista de A Espada Selvagem de Conan, é o responsável pelas ilustrações de um CD-tributo ao Kiss lançado no ano passado na Noruega. Também é dele a maioria das artes de capa do Manowar.

Mais bandas famosas entre os metaleiros (ou headbangers, como queiram) apresentaram em seus discos algumas capas sensacionais, como o Judas Priest em Painkiller (1990) - um clássico insuperável, daqueles cuja parede de guitarras faz estourar os tímpanos de qualquer desavisado.

Tem ainda o Iced Earth, que já usou uma capa e encarte com ilustrações do Spawn, a Cria do Inferno de Todd Mcfarlane, em The Dark Saga (1996).

Entretanto, por mais belas que sejam todas essas e muitas outras artes, elas perdem um pouco do impacto em um espaço tão pequeno como a capa de um CD. Já nos LPs, são verdadeiros painéis no tamanho perfeito até para serem emoldurados.

Saudade...

05 agosto 2006

Enganando a percepção

Se alguém conseguir exprimir com palavras as maravilhas que o ilustrador Julian Beever faz em ruas e calçadas, é tão maginífico artista quanto ele.

O inglês produz essas pinturas que estão aí nas fotos, mostrando seu talento em cidades da Inglaterra, França, Alemanha, Estados Unidos e outros países.

Sem contar que os desenhos são belíssimos, a grande sacada é que eles formam imagens tridimensionais. Vistos de um determinado ângulo, é impossível não imaginar que aquilo ali é palpável.

Agora veja esse tesouro encontrado no meio da rua:

E essa loura gostosa dentro da piscina:

Por fim, o desenho anterior visto de um ângulo errado:

Quem quiser ver mais dessas pinturas e se comunicar com o artista (o cara é bem acessível, responde na boa a quem mandar e-mail), basta acessar seu site pessoal.

26 maio 2006

Obras de (Nona) Arte

Como todo fã de quadrinhos, eu também tenho pelas paredes de minha casa (no escritório onde trabalho) alguns pôsteres, todos devidamente enquadrados. Hoje, resolvi "apresentá-los".

Sandman autografado por GaimanEste primeiro é o menor deles em tamanho, mas tem um grande valor pra mim. Adoro esta arte do Mike Dringenberg, com o Sandman manuseando um humano dormindo como se fosse uma marionete. A imagem não é difícil de achar na net; a diferença é que meu pôster está autografado por Neil Gaiman! "Dream a little!", ele escreveu, quando de sua primeira passagem pelo Brasil! ;-)

O segundo ganhei num aniversário, do Leandro Luigi Del Manto. É uma imagem promocional da minissérie Orquídea Negra em que Dave McKean fez a heroína entre o Monstro do Pântano e o Batman. Belíssima arte. Muito legal a forma como ele trabalhou as cores na área de cada personagem.

Monstro do Pântano, Orquídea Negra e Batman juntos, no traço de Dave McKeanComo a maioria dos leitores, eu achei muito ruim o primeiro crossover Marvel versus DC, aquele que foi decidido pelos votos dos leitores (deu cada absurdo no resultado...). Mesmo assim, como fã dos heróis das duas editoras não resisti a ter na minha coleção este pôster, desenhado pelo italiano Claudio Castellini (valeu pela informação, Marquito!). Afinal, é uma imagem bem bacana.

O pau quebrou entre heróis da Marvel e da DC! Só que a HQ era ruim à beça.Pena que este encontro tenha sido tão banalizado e ocorrido num momento sinistro, em que o Superman estava cabeludo, o Hulk era inteligente, o Homem-Aranha era o Ben Reilly, o Wolverine estava com as garras de ossos etc.

Deixei pro final o meu favorito. Ganhei de minha ex-chefe Flavia Ceccantini, quando trabalhava na Editora Globo, em 1991. É o cartaz do Festival de Lucca, na Itália, até então um dos principais do planeta (hoje perdeu relevância). Desenhado por Massimo Rotundo, apresenta alguns dos principais personagens de quadrinhos do mundo, independentemente do gênero.

Que reunião fantástica de personagens, hein?Num amplo salão dividem o espaço Batman, Superman, Tocha Humana, Homem-Aranha, Fantasma, Asterix, Dick Tracy, Tarzan, Dylan Dog, Ranxerox, Ken Parker, Tintim, Tex, Pato Donald, Mickey, Gato Felix, Mandrake, Conan, Táxi, Krazy Kat, Druuna, Bionda, Valentina, Mafalda, Little Nemo, Lucky Luke, Ferdinando, Diabolik, Sombra, Flash Gordon, Spirit, Torpedo, Arzach, Popeye, Snoopy, Major Grubert e, no centro, Corto Maltese, um de meus personagens favoritos.


O pôster é uma homenagem a uma pintura de Rafael intitulada La escuela de Atenas (obrigado pela valiosa dica, meu amigo Nirlando), que reproduzo aqui. Olhe como Rotundo foi fiel na posição dos personagens.

Não é à toa que, pra mim, este pôster é uma obra de (nona) arte.