19 janeiro 2008

Prateleira de HQs: Shakespeare and Company

Quadrinhos na Shakespeare and Company

A Shakespeare and Company é a mais famosa livraria de língua inglesa de Paris. E é muito mais do que uma mera casa comercial.

A história é um pouco longa. No período entre-guerras, uma jovem norte-americana chamada Sylvia Beach fundou na Rive Gauche do Sena a Shakespeare and Company original, uma referência cultural da época, que congregava os maiores nomes entre seus clientes e, quando se aventurou a editar livros, lançou pouquíssimos, mas entre eles estava nada menos que o revolucionário Ulisses, de James Joyce.

Depois que Sylvia fechou as portas, o bibliófilo George Whitman abriu a nova versão da livraria, que exibe seu letreiro amarelo na Rue de la Bûcherie, que também fica na Rive Gauche, e agora bem em frente à Notre Dame. Além de vender livros, George historicamente concede, em troca de algumas poucas horas de trabalho por dia, abrigo a jovens escritores a fim de passar uma temporada em Paris. E eles, claro, surgem do mundo todo.

A especialidade da casa é a literatura, como não poderia deixar de ser. A prioridade é a boa literatura: é difícil achar os best-sellers fuleiros.

Mas eles têm uma prateleira de quadrinhos tão pequena quanto bem selecionada. É a que está na foto acima. Não há nada de lixo: tudo que tem vale a pena.

Por isso, este post tem um efeito especial: se você clicar na foto, vai cair no bom e velho Flickr. , vai encontrar a mesma foto, mas com algumas vantagens. Dá para ampliar e ver os detalhes. E, ao aproximar o pointer do mouse, vão surgir links das capas dos livros que conduzem às resenhas do Universo HQ.

7 comentários:

Sérgio Coutinho disse...

O filme "Desalmada e Atrevida", adaptação da HQ "Xôxo e a Radiola" , de Gino, publicada na Gazeta de Alagoas há anos, está sendo exibido no Projeto Acenda a Vela. Filmes são exibidos em velas de jangada. Sei que é off topic, mas não consegui informá-los por e-mail (os meus e-mails para cartas@universohq.com estão sempre voltando)

Eduardo Nasi disse...

Ih, Sérgio, vou ver quem tem essa senha aí pra tentar entender o que está pegando. E valeu a dica.

Pedro disse...

Pô, a literalmente 100 metros daí há DÚZIAS de livrarias com mais quadrinhos na prateleira do que EXISTEM no Brasil! Inclusive tudo isso em inglês E francês!

Passei umas dez vezes na porta dessa livraria e nem pensei em entrar. É como ir em uma churrascaria rodízio e levar uma marmita com salada...

Hunter (Pedro Bouça)

Eduardo Nasi disse...

É, Hunter, de fato você tem razão: para quem SÓ se interessa por quadrinhos, não é a melhor opção.

A Shakespeare and Company é, como eu disse, uma livraria especializada em boa literatura em língua inglesa. Tem o catálogo todo da City Lights, por exemplo, algo que não se encontra com facilidade nem nos Estados Unidos, muito menos na vizinhança parisiense.

Além disso, a livraria tem uma importância histórica e cultural na cidade. O seu desdém com a Shakespeare and Company deve-se, provavelmente, a não saber de nada disso. E não tem problema nenhum nisso: a intenção deste post é justamente apresentar a livraria a quem não conhece. Tenho certeza que, depois deste post e desta discussão, da próxima vez você irá ao menos entrar e dar uma olhada no lugar.

E, como eu também disse, nos quadrinhos não tem tudo. Não tem nada de franco-belga, porque isso é justamente isso que a vizinhança a que você se refere vende. E não é preciso passar pelo catálogo todo da Marvel pra achar algo que preste em inglês.

Lá só tem coisa boa. E ponto. Como qualquer leitor razoável sabe, o grande segredo do mundo não é ter uma livraria com todos os livros do mundo. Uma livraria só com todos os livro que se quer vale muito mais a pena.

Pedro disse...

Bem, meu caro Nasi, você entende, quando eu estou em Paris eu tenho mais interesse em procurar literatura em francês. E no mesmo raio de 100m estão as principais livrarias de livros novos e usados de Paris, como Gibert Jeune, Gibert Joseph e Boulinier.

Mas não se preocupe, quando eu for a Londres eu irei a todas as livrarias inglesas que puder e ignorarei qualquer livraria francesa que possa porventura existir na capital britânica.

Afinal, como diria o antropófago, "em Roma, como os romanos".

Hunter (Pedro Bouça)

Eduardo Nasi disse...

Ah, Pedro, deixe de lado esse seu pensamento tão linear, tão cartesiano. Seu raciocínio leva a crer que você só bebe vinhos franceses quando está na França. E que, estando em Portugal, opte apenas por acompanhar os quadrinhos portugueses.

Não pega bem pra um comentarista de quadrinhos conhecido justamente por ter os horizontes tão amplos.

Sérgio Codespoti disse...

Nasi, ótima dica, pra mim que não conhecia o lugar. Visitarei na próxima visita a Paris.

E aliás, ficou bacana o post blog-flickr. Boa!