22 junho 2007

Causos do mercado de quadrinhos

Dois anos atrás, no meio de uma conversa informal num evento de quadrinhos, um editor que respeito bastante e com quem já trabalhei mandou uma "farpa" pra cima de mim. Disse que achava um erro falar mal desta ou daquela revista (se referia, lógico, às resenhas do Universo HQ), pois os comentários podiam fazer com que o leitor não comprasse a edição.

Além disso, falou que o mercado de quadrinhos era pequeno e tinha mais é que ser valorizado, que se deveria apenas enaltecer as coisas boas.

Nem preciso dizer que discordei completamente, né?

Primeiro, falei que o UHQ era um site jornalístico independente e, por isso, as análises de meus colaboradores sempre trariam suas opiniões - boas ou ruins - sobre as obras de qualquer editora, inclusive aquelas em que trabalhei ou prestei serviços.

Em seguida, disse que se uma crítica negativa nossa derrubava as vendas, então quando falávamos bem de determinado quadrinho deveríamos pedir participação nos lucros da editora? Afinal, pela lógica dele, elevaríamos as vendas.

Claro que não funciona assim. E nem deve.

O papo acabou por aí. Tenho certeza de que ele continua não concordando comigo, mas esta é uma posição da qual simplesmente não abro mão.

7 comentários:

Eduardo Nasi disse...

Pra começar, o mercado brasileiro podia ser valorizado com edições mais cuidadas, com uma melhor seleção de material. Assim sendo, as críticas seriam melhores e motivariam mais gente a comprar as revistas.

Amalio disse...

Meu, o cara pensa que é deputado e tá em Brasília. Muito sem noção. E viva Renan Calheiros!

Márcio disse...

Sidney,

Eu acrescentaria mais um argumento aos seus: se fizerem um balanço geral dos reviews, a imensa maioria deve ter no mínimo três estrelas (balões). Isso prova que as pessoas que criticam na seção são tão apaixonadas por quadrinhos que querem ver a qualidade das revistas e histórias crescer, mas não deixam de ressaltar as virtudes das publicações quando estas existem.

Abraços!

Sidney Gusman disse...

É por aí, Márcio. Mas o mais espantoso é que algumas pessoas acham que só se pode elogiar; criticar é proibido.

Aí é brincadeira!

fernandovitihq disse...

Caro Sidney,

Não é comentário engraçadinho, não.Acredito que um review negativo até chama atenção de uma publicação.
Uma hq não vende pelos motivos de sempre: preço,roteiro, desenhista,formato, impressão e, até mesmo, o caráter anacrônico do personagem.
A crítica serve antes de mais nada ao debate sobre a proposta dos autores da HQ.

Guilherme Veneziani disse...

Perfeita sua posição Sidney!
A independência acima de tudo! Acredito que credibilidade do UHQ foi conquistada justamente por isso, não por críticas negativas, mas por críticas justas. Já cheguei a discordar de algumas resenhas, mas nem por isso deixei de lê-las. E já comprei revista mesmo lendo uma crítica negativa. Na minha modesta opinião, a crítica, em qualquer ramo de trabalho, só nos motiva a realizar um trabalho cada vez melhor. Levar para o lado pessoal só serve para deturpar o próprio julgamento e os erros continuam. Este tipo de patrulhamento é nocivo ao mercado. Uma pena.

Marcelo Tavela disse...

Que coisa ridícula. Contrata assessor de imprensa, então.

O que derruba venda não é resenha ruim, mas o material ruim que já está lá.