27 setembro 2007

O que estamos lendo... na Europa (4)

Descobri o trabalho de Juan Giménez na década de 1980, lendo a antiga revista portuguesa Mosquito, que era distribuída de maneira irregular no Brasil.

A Mosquito dos anos 80 era uma revista mix que trazia um pouco de tudo, como, por exemplo, Moebius, Daniel Torres, Eduardo Teixeira Coelho, José Garcez, Jayme Cortez; e séries como Torpedo, Frank Cappa, e a Ás de Espadas, história em preto-e-branco, da Segunda Guerra, desenhada por Juan Giménez.

O Giménez é conhecido no Brasil pela sua arte (lindas aquarelas) na série Metabarões, escrita por Alexandro Jodorowsky. Este artista argentino, nascido em 1943, é da velha guarda, da época em que não havia o computador para facilitar e o desenhista precisava ser realmente talentoso e saber usar nanquim e tinta (vou explicar antes que alguém me xingue: não tenho nada contra o uso do computador para trabalhar com HQs, mas continuo achando que é preciso ter a formação artística; não dá para enganar só com o Photoshop.).

A maior parte de sua carreira foi desenvolvida na Espanha, mas Gimenez publicou em revistas como Zona 84, Comix International, 1984, Métal Hurlant, Lacio Story, Skorpio e L'Eternauta.

Quando estive no Festival de Contern, pela segunda vez, em julho deste ano, achei dois belos álbuns dele: Le Quatrième Pouvoir (O Quarto Poder), originalmente publicado em 1989, pela Dargaud (a edição que achei é de 1999, da Humanoïdes Associés); e o portfólio L'Univers de Juan Giménez, da editora La Sirène.

Eu já conhecia O Quarto Poder, mas como só tinha algumas partes publicadas na L'Eternauta, não consegui ler a aventura por inteiro na época.

O Quarto Poder é uma história de ficção-científica que, como muitas, é produto de seu tempo. Minha leitura foi nostálgica, no sentido que me fez lembrar das revistas que vi, numa época de exploração e descoberta dos quadrinhos nas décadas de 1970 e 1980, com HQs de ficção-científica, arte pintada com todos os tipos de materiais, inúmeras revistas de aventuras dos gêneros mais diversos e artistas como Moebius, Sanjulian, Richard Corben, Sergio Toppi, Pepe Moreno, Phillippe Druillet, Enki Bilal, Philippe Caza, Sérgio Macedo, Tamborini e Liberatore, Kent Williams, John Bolton e muitos outros.

Os dois álbuns são de uma qualidade exemplar, com capa dura e papel couché. Como comprei num festival de HQs que é uma espécie de Fest Comix europeu, paguei bem barato. O portfólio, por exemplo, com 92 páginas, custou o equivalente a R$ 27,00.

7 comentários:

Pedro disse...

Gimenez fez duas continuações de O Quarto Poder, mas eu nunca li nenhuma delas. Ele costuma trabalhar na série nos "intervalos" em que não está fazendo outros trabalhos. Por exemplo, o álbum mais recente saiu depois que ele terminou Metabarões.

Agora, eu entendo que ele fez a maior parte da carreira na Argentina mesmo. Ele eventualmente imigrou para a Espanha, mas já há muitos anos que trabalha essencialmente para o mercado franco-belga.

Hunter (Pedro Bouça)

Sérgio Codespoti disse...

Também não li estas continuações, Hunter.

Sobre o Gimenez, eu tenho a impressão oposta do que vc escreveu. Depois que ele se mudou para Barcelona, pelo que conheço da carreira dele, a maior parte dos trabalhos dele foram publicados na Europa.

abs

Pedro disse...

Europa sim, Espanha não! O trabalho dele para o mercado espanhol foi feito essencialmente durante os anos 80. Antes ele trabalhava (e morava) na Argentina, depois, com a decadência da produção local espanhola, ele passou a trabalhar para editoras franco-belgas.

Em mais de 40 anos de carreira, pouco mais de uma década de trabalho para editoras espanholas não é exatamente a maior parte da carreira...

Hunter (Pedro Bouça)

Sérgio Codespoti disse...

Hunter, me expressei muito mal. Vc tem razão. Quiz dizer que Giménez trabalhou a maior parte da carreira na Europa, enquanto morava na Espanha, e não na Argentina.

abs

Pedro disse...

Ah, sim. A essa altura ele já está há mais tempo na Europa do que em sua nativa Argentina. Mal, tal como 90% dos autores espanhóis, precisa produzir para editoras estrangeiras.

O que, ironicamente, é o mesmo que ele faria se ainda estivesse na Argentina. Acho que é mais uma questão dele preferir Barcelona a Buenos Aires. ;-)

Hunter (Pedro Bouça)

Tati Viana disse...

Poxa, que desenhos massa!!!
Ah, eu vou tentar fazer algo pelo menos parecido. Gostei demais!!!

Anônimo disse...

E aqui esta outra bd descontinuada pela ASA.

Grimlock