O que estamos lendo... na Europa (4)
Descobri o trabalho de Juan Giménez na década de 1980, lendo a antiga revista portuguesa Mosquito, que era distribuída de maneira irregular no Brasil.
A Mosquito dos anos 80 era uma revista mix que trazia um pouco de tudo, como, por exemplo, Moebius, Daniel Torres, Eduardo Teixeira Coelho, José Garcez, Jayme Cortez; e séries como Torpedo, Frank Cappa, e a Ás de Espadas, história em preto-e-branco, da Segunda Guerra, desenhada por Juan Giménez.
O Giménez é conhecido no Brasil pela sua arte (lindas aquarelas) na série Metabarões, escrita por Alexandro Jodorowsky. Este artista argentino, nascido em 1943, é da velha guarda, da época em que não havia o computador para facilitar e o desenhista precisava ser realmente talentoso e saber usar nanquim e tinta (vou explicar antes que alguém me xingue: não tenho nada contra o uso do computador para trabalhar com HQs, mas continuo achando que é preciso ter a formação artística; não dá para enganar só com o Photoshop.).
A maior parte de sua carreira foi desenvolvida na Espanha, mas Gimenez publicou em revistas como Zona 84, Comix International, 1984, Métal Hurlant, Lacio Story, Skorpio e L'Eternauta.
Quando estive no Festival de Contern, pela segunda vez, em julho deste ano, achei dois belos álbuns dele: Le Quatrième Pouvoir (O Quarto Poder), originalmente publicado em 1989, pela Dargaud (a edição que achei é de 1999, da Humanoïdes Associés); e o portfólio L'Univers de Juan Giménez, da editora La Sirène.
Eu já conhecia O Quarto Poder, mas como só tinha algumas partes publicadas na L'Eternauta, não consegui ler a aventura por inteiro na época.
O Quarto Poder é uma história de ficção-científica que, como muitas, é produto de seu tempo. Minha leitura foi nostálgica, no sentido que me fez lembrar das revistas que vi, numa época de exploração e descoberta dos quadrinhos nas décadas de 1970 e 1980, com HQs de ficção-científica, arte pintada com todos os tipos de materiais, inúmeras revistas de aventuras dos gêneros mais diversos e artistas como Moebius, Sanjulian, Richard Corben, Sergio Toppi, Pepe Moreno, Phillippe Druillet, Enki Bilal, Philippe Caza, Sérgio Macedo, Tamborini e Liberatore, Kent Williams, John Bolton e muitos outros.
Os dois álbuns são de uma qualidade exemplar, com capa dura e papel couché. Como comprei num festival de HQs que é uma espécie de Fest Comix europeu, paguei bem barato. O portfólio, por exemplo, com 92 páginas, custou o equivalente a R$ 27,00.
Descobri o trabalho de Juan Giménez na década de 1980, lendo a antiga revista portuguesa Mosquito, que era distribuída de maneira irregular no Brasil.A Mosquito dos anos 80 era uma revista mix que trazia um pouco de tudo, como, por exemplo, Moebius, Daniel Torres, Eduardo Teixeira Coelho, José Garcez, Jayme Cortez; e séries como Torpedo, Frank Cappa, e a Ás de Espadas, história em preto-e-branco, da Segunda Guerra, desenhada por Juan Giménez.
O Giménez é conhecido no Brasil pela sua arte (lindas aquarelas) na série Metabarões, escrita por Alexandro Jodorowsky. Este artista argentino, nascido em 1943, é da velha guarda, da época em que não havia o computador para facilitar e o desenhista precisava ser realmente talentoso e saber usar nanquim e tinta (vou explicar antes que alguém me xingue: não tenho nada contra o uso do computador para trabalhar com HQs, mas continuo achando que é preciso ter a formação artística; não dá para enganar só com o Photoshop.).
A maior parte de sua carreira foi desenvolvida na Espanha, mas Gimenez publicou em revistas como Zona 84, Comix International, 1984, Métal Hurlant, Lacio Story, Skorpio e L'Eternauta.Quando estive no Festival de Contern, pela segunda vez, em julho deste ano, achei dois belos álbuns dele: Le Quatrième Pouvoir (O Quarto Poder), originalmente publicado em 1989, pela Dargaud (a edição que achei é de 1999, da Humanoïdes Associés); e o portfólio L'Univers de Juan Giménez, da editora La Sirène.
Eu já conhecia O Quarto Poder, mas como só tinha algumas partes publicadas na L'Eternauta, não consegui ler a aventura por inteiro na época.
O Quarto Poder é uma história de ficção-científica que, como muitas, é produto de seu tempo. Minha leitura foi nostálgica, no sentido que me fez lembrar das revistas que vi, numa época de exploração e descoberta dos quadrinhos nas décadas de 1970 e 1980, com HQs de ficção-científica, arte pintada com todos os tipos de materiais, inúmeras revistas de aventuras dos gêneros mais diversos e artistas como Moebius, Sanjulian, Richard Corben, Sergio Toppi, Pepe Moreno, Phillippe Druillet, Enki Bilal, Philippe Caza, Sérgio Macedo, Tamborini e Liberatore, Kent Williams, John Bolton e muitos outros.
Os dois álbuns são de uma qualidade exemplar, com capa dura e papel couché. Como comprei num festival de HQs que é uma espécie de Fest Comix europeu, paguei bem barato. O portfólio, por exemplo, com 92 páginas, custou o equivalente a R$ 27,00.
























7 Comments:
Gimenez fez duas continuações de O Quarto Poder, mas eu nunca li nenhuma delas. Ele costuma trabalhar na série nos "intervalos" em que não está fazendo outros trabalhos. Por exemplo, o álbum mais recente saiu depois que ele terminou Metabarões.
Agora, eu entendo que ele fez a maior parte da carreira na Argentina mesmo. Ele eventualmente imigrou para a Espanha, mas já há muitos anos que trabalha essencialmente para o mercado franco-belga.
Hunter (Pedro Bouça)
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Pedro, at 9/27/2007 10:33 AM
Também não li estas continuações, Hunter.
Sobre o Gimenez, eu tenho a impressão oposta do que vc escreveu. Depois que ele se mudou para Barcelona, pelo que conheço da carreira dele, a maior parte dos trabalhos dele foram publicados na Europa.
abs
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Sérgio Codespoti, at 9/27/2007 11:08 AM
Europa sim, Espanha não! O trabalho dele para o mercado espanhol foi feito essencialmente durante os anos 80. Antes ele trabalhava (e morava) na Argentina, depois, com a decadência da produção local espanhola, ele passou a trabalhar para editoras franco-belgas.
Em mais de 40 anos de carreira, pouco mais de uma década de trabalho para editoras espanholas não é exatamente a maior parte da carreira...
Hunter (Pedro Bouça)
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Pedro, at 9/27/2007 12:36 PM
Hunter, me expressei muito mal. Vc tem razão. Quiz dizer que Giménez trabalhou a maior parte da carreira na Europa, enquanto morava na Espanha, e não na Argentina.
abs
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Sérgio Codespoti, at 9/27/2007 12:47 PM
Ah, sim. A essa altura ele já está há mais tempo na Europa do que em sua nativa Argentina. Mal, tal como 90% dos autores espanhóis, precisa produzir para editoras estrangeiras.
O que, ironicamente, é o mesmo que ele faria se ainda estivesse na Argentina. Acho que é mais uma questão dele preferir Barcelona a Buenos Aires. ;-)
Hunter (Pedro Bouça)
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Pedro, at 9/27/2007 12:54 PM
Poxa, que desenhos massa!!!
Ah, eu vou tentar fazer algo pelo menos parecido. Gostei demais!!!
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Tati Viana, at 9/28/2007 8:01 AM
E aqui esta outra bd descontinuada pela ASA.
Grimlock
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Anônimo, at 10/26/2007 3:29 PM
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