15 maio 2009

Following friday – Os Seminovos

Começa hoje a nova seção de entrevistas rápidas que apresentam pessoas cujos trabalhos se relacionam de alguma forma com quadrinhos, animação, cinema e tudo aquilo de que tratamos no UHQ.

Para estrear, Os Seminovos. Essa banda mineira de rock tem emplacado vários hits no YouTube com os videoclipes das suas músicas, reuniu diversas comunidades no Orkut e - com esse boca a boca virtual – garantiu até aparições em programas de TV.

O grande diferencial d´Os Seminovos são suas letras com muito humor, sátiras e até críticas políticas – temas que o compositor e chargista Maurício Ricardo conhece muito bem, uma vez que desde 2000 ele mantém o site Charges.com.br.

Aliás, é ele que, representando a banda, responde minhas perguntas.

A primeira coisa que eu e os outros leitores que são chamados de nerds desde sempre queremos saber é: você e o pessoal da banda são nerds? Já estão com cinco milhões na conta?

Maurício Ricardo: Eu e o [Neto] Castanheira sem dúvida, no sentido da curiosidade tecnológica. O Tchana também, porque se formou em engenharia. Mas nenhum de nós foi nerd antissocial: todos tocamos rock desde a adolescência. Agora, os cinco milhões da música foram só pra aumentar a autoestima dos colegas nerds mais jovens (rs).

Sobre a música Ela é Otaku: algum de vocês faz cosplay? Leem mangás? Depois de virar hit na internet, começaram a aparecer convites para os eventos de animê?

MR: A gente já tá bem tiozão pra isso. O [Neto] Fog pagou de cosplayer pro clipe. Pintaram muitos convites, sim, mas ninguém quer pagar nada, então a gente fica por aqui mesmo.

O Clip E o Bambu tem uma sequência bem interessante de desenhos. Você mesmo quem fez, Maurício? Quais suas principais referências? Lê quadrinhos hoje em dia? Quais?

MR: Sim. Esse negócio de transformar pornografia em desenhos inocentes é uma brincadeira que eu fazia desde criança. Minhas influências são a revista Mad de antigamente, quadrinhos da Disney, Laerte, Angeli, irmãos Caruso... Mais tarde, Robert Crumb e outros alternativos. Hoje leio menos quadrinhos, mas ainda me amarro numa graphic novel boa. Minha última aquisição foi o Watchmen completo. Eu tive uma cópia nos anos 80, mas perdi.

Como vocês definem a banda?

MR: A melhor banda dos anos 80 que não existia na época.

No manifesto da banda, publicado no seu site, vocês defendem, entre outras coisas, o marketing viral em contraponto ao mercado fonográfico fechado. Produzindo seus vídeos e músicas e distribuindo gratuitamente na internet acreditam que podem profissionalizar a banda ao ponto de viver dela sem entrar na indústria fonográfica?

MR: Na teoria, sim. Mas hoje vejo que sem um bom empresário pra vender shows fica difícil. A gente, com toda essa exposição, não conseguiu um.

Qual é o segredo do sucesso que vocês estão tendo com a banda na internet?

MR: Não sei se tem fórmula. Sou suspeito pra falar, mas acho que temos uma boa banda, com boas composições e bons arranjos. E tem o Charges.com.br pra lançar cada música, o que ajuda bastante.

Fale dos novos ou seminovos projetos do grupo.

MR: Tá tudo muito confuso. Cada um correndo pra um lado pra sobreviver, e o sucesso na Internet é uma curtição que não virou dinheiro. A meta é achar um meio de levar nosso show até as pessoas. A gente tem público, só não temos como chegar até ele, pela falta de contato e de interesse dos promotores.

Para fechar: a banda está no Twitter?

MR: Ainda não. Eu, particularmente, sou muito dispersivo pra entrar numa comunidade com atualizações o dia todo.

Da mesma forma que estou indicando você para os nossos leitores, indique alguém que você lê/assiste/ouve/acompanha.

MR: Stephany! Rs. Me pegou. Acho que o Pedra Letícia tá numa gravadora, né? Os caras são bem legais.

That’s all folks!

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Fique agora com dois divertidos vídeos da banda:

Escolha já seu nerd - Dica do Eduardo Nasi


Ela é Otaku - Dica do Delfin




Veja todos os vídeos da banda no canal deles no Youtube e no site oficial

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Para me encontrar pela net é fácil. No Twitter/oliboni e também no Blog do Pop Balões

5 comentários:

Amalio Damas disse...

Legal essa novela coluna. Parabéns pela criatividade Zé. A banda tocou num ponto primordial quando discutimos a transformação do virtual em rela. Apesar dos muitos acessos e do sucesso virtual, ainda não conseguiram a transição para o real e provavelmente só conseguirão isso com o auxílio de um empresário ou gravadora. A questão é, se eu estou conseguindo acessar todos os sucessos da banda pelo Youtube/Twitter/Blip/O Diabo.com, pra que é que eu gastar dinheiro? Essa equação ainda precisa ser resolvida.

Amalio Damas disse...

Essa do Nerd é meio que loteria, porque a maioria é falido, ou gasta toda a grana em gibi, dvd, cosplay, etc.

Zé Oliboni disse...

Pelo que eu vejo a a banda espera ganhar com os shows, tanto que ele comenta que o problema na visão dele, não tem sido encontrar o público e sim um empresário que faça o meio de campo de vender os shows.

Philosophista disse...

HAHAHa a so otaku parece ser raivinha enrustida que 99% dos nerds passam na infância, adolescência e parte da vida de jovem adulto... e nem todos ficam ricos ou são tão bacanas... Mas em geral são mais dedicados hahaahaha Só achei que seria legal falar que a moda agora é parecer Nerd, mas bacana...

Já a do Otaku é sensacional!!! Não tem o que falar a parte do bonasi e hentai é genial!!! HAHAHAHA

Guilherme Kroll disse...

Amálio, sobre música, eu me lembro de uma palestra que eu vi que o palestrante falou que quando surgiu o primeiro disco, os músicos acusaram-nos de acabar com a profissão de músico. Hj, com o disco morreu, mas músicos reclamam que isso está acabando com a profissão de músico.