20 maio 2009

A catrefa vai atacar


Lá estava eu, tranquilo, com mais uma coluna quase pronta nas mãos. Nela, eu especulava sobre alguns aspectos não muito agradáveis que poderiam de repente vir a ser consequência do recente boom do mercado brasileiro de quadrinhos. Era tudo um exercício de especulação.

Aí, ontem pela manhã, chegou por e-mail do Guilherme Kroll citando uma matéria da Folha de S.Paulo. O texto mostrava que um tema que eu vinha tratando apenas como hipótese tinha saído do condicional e se tornado fato concreto. A despeito dos palavrões que contém, a coletânea Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol tinha sido comprada pelo governo estadual e estava nas salas de aula de crianças de nove anos.

Na hora do almoço, a situação ficou ainda mais quente: o governador José Serra saiu disparando umas declarações enviesadas por aí, dizendo que era uma HQ de mau gosto.

(Aliás, peço perdão, mas não consegui localizar o autor do retrato do governador que escolhi para abrir este post. É apropriado demais para evitar. O crédito será dado - ou a imagem retirada - assim que o dono se manifestar.)

Reescrevi o texto na última hora para aproveitar o gancho jornalístico.

A coluna está aqui. A opinião dos senhores leitores será bem-vinda nos comentários.

Em tempo: gostaria de pedir a todos que quiserem comentar no Twitter e em outras redes sociais que usem a tag #deznaarea para que seja mais fácil de mensurar o caso. Afinal, o nome do álbum e a complexidade do caso não ajudam, ainda mais quando limitados a 140 caracteres.

Além disso, também se pode copiar o usuário @joseserra_ (com o underline no fim). Isso ajuda o governo a ver que tem uma pluralidade - e que nem todo mundo concorda que ótimos quadrinhos são de "mau gosto".

40 comentários:

Carlos Felipe disse...

O próprio Caco Galhardo, autor de uma das HQs da revista, concorda que a sua história, em particular, não é aconselhável a crianças. Também sou da opinião de que existem vários gêneros de quadrinhos, que se adequam a distintas faixas etárias.
Crianças serem alfabetizadas lendo palavrões não é algo que eu julgo adequado.

Zé Wellington disse...

Nasi,

acompanhei durante a madrugada de ontem todo a movimentação no Twitter a respeito desse assunto e acabei de ler sua coluna. Muito boa sua colocação: "Para se proteger, Serra jogou a culpa no lado mais fraco: a HQ". Temos uma HQ com diversos autores premiados mundialmente que vai ser julgada inadequadamente pelas outras pessoas. Esse é o momento que jornalistas competentes e leitores de quadrinhos têm que se manifestar para evitar que uma faísca maior recaia sobre o mercado. Espero que fique apenas por aqui e acredito que os quadrinhos não irão deixar de fazer parte do currículo escolar por conta desse ato isolado.

Abraço!

Carlos Felipe disse...

Completando... A HQ não é de mau gosto, mau gosto, ou melhor, imprudência, foi escolhe-la para distribuição em escolas, para classes de alfabetização. O mesmo que escolherem um gibi do Zéfiro ou do Manara. Tudo tem seu lugar.
Existem muitas outras HQs nacionais que podem ser utilizadas pelas escolas, não há porque forçar a barra por uma ou outra.
Fica a pergunta. Quem fez a seleção das HQs? Esta pessoa vai continuar no cargo?

Eduardo Nasi disse...

A matéria de hoje da Folha Online ainda cita a participação do PCC na história, o que é claramente uma ironia sobre a falta de controle que o próprio governo tem nos presídios. http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u568660.shtml

Victor disse...

Serra é um dos políticos mais antipáticos desse país. Durante as últimas décadas, jogou no lixo os anos da juventude em que combateu a ditadura e tornou-se, nas palavras de Roberto Freire, uma "criatura detestável". Não podia esperar outra coisa da parte dele, senão covardia e preconceito.

Reparem, não estou falando de política. Não quero polemizar e levar a discussão para esse lado. Estou falando da pessoa do Serra, e não de seu partido.

Danilo Campos disse...

A Rede Globo, para abrir a matéria sobre esse assunto no Jornal Nacional, ainda parafraseou uma frase bem preconceituosa, algo como: -"O livro é em quadrinhos, mas, a história não tem nada de infantil".
Isso mostra a visão antiquada da Rede Globo em relação às Histórias em Quadrinhos, taxando a mídia como infantil. Sendo que há tempos a mídia de quadrinhos vem tentando se desvencilhar dssa imagem. Aí vem, simplesmente os jornalistas "manipuladores de opinião" do Jornal Nacional e falam uma asneira dessa.
Apesar de toda essa "palhaçada" do Serra e da Globo (pois a Folha ainda respeitou a integridade do trabalho), acho que esse ocorrido foi bom para mostrar como a mídia de quadrinhos ainda tem um bom controle de seus conteúdos. Polêmicas assim, só ocorrem quando "alguma besta do governo" (como diria o Nasi), tem preguiça de fazer direito o seu trabalho. Diferente do conteúdo da televisão brasileira por exemplo, onde as Novelas estão cada vez mais apelativas, programas como Superpop são cada vez mais envergonhantes, reality shows são pretextos para programa ruim e até a Xuxa já está dirigindo, descaradamente, programas infantis com conteúdo imprório para o público infantil.

Marcelo Naranjo disse...

No site do SP TV chamam o álbum 10 na área de "Cartilha de Orientação Sexual".

Alguém não fez a lição de casa, não é possível.

Pândego, não?

Leandro Malósi Dóro disse...

Nasi, por acaso li nas últimas semanas diversos autores infanto-juvenis. Muitos deles se utilizam de alusão ao sexo e sugestões do tipo "meninas, fiquem todas nuas". Porém isso fica escondido sob as letras. Os quadrinhos possuem essa capacidade de tornar mais vivo o texto. Claro, palavrões são incompatíveis com a realidade infantil. Porém muita coisa passa para as crianças simplesmente porque os professores não lêem o que sugerem.Os quadrinhos, pela facilidade de leitura, são mais explícitos, nesse sentido. Essa é a diferença. O que me preocupa é condenar o meio. E não a falha na escolha.

Sami Souza disse...

Chega a ser vergonhoso como o governo e alguns "formadores de opinião" assumem suas posturas sobre coisas que não entendem. Eu teria vergonha de falar sobre o que não conheço.

Anônimo disse...

Não quero defender nem condenar ninguém. Mas gosto é pessoal. Sou colecionador de quadrinhos e particularmente não compraria essa coletânea, justamente por achar de mau gosto. Não é porque o governador-ou quem quer que seja- não gosta de um quadrinho que a pessoa esteja atacando o produto. O erro foi do ignorante que selecionou esse livro para crianças sendo que é uma obra adulta. Isso demonstra o preconceito com quadrinhos em geral quase sempre vinculando aideia de que obras infantis são a regra. Isso não aconteceria se o mesmo fulano ignorante tivesse que relacionar filmes para crianças-Opa filme pode ter de adulto ou não é melhor verificar- mas como eram quadrinhos tudo bem...mostrando preconceito.
Coisa que nos que conhecemos quadrinhos não deveríamos ter , nem mesmo quando stamos diante de uma frase como "acho isso de mau gosto."

Guilherme Kroll disse...

Mas pq de "mau-gosto" anônimo? Pq tem palavrões? ou pq zoa as mesas-redondas de futebol?

O que é ser de bom-gosto? Defender a moral os bons costumes como as novelas da rede globo?

Anônimo disse...

Acho que o problema é fundamentalmente cultural. No Brasil, para a quase totalidade da população, quadrinhos é sinônimo de Turma da Mônica, Walt Disney, revistinhas, gibis. É coisa de criança. Seja para o cidadão comum, como para o Presidente da República. Nós somos a minoria da minoria.

Pessoalmente, acho que quadrinhos deveriam ser tão somente quadrinhos. Como é na Europa. Como é no Japão. Sem a necessidade de se "impor" uma categoria: Infantil, Adulto, Adolescente. Há consciência do que cada um pode ou não ler. Isso é passado pelas escolas, pelos pais. e muito menos pelo Governo.

Isso acontece aqui porque, como em quase tudo, "importamos" aspectos culturais, preconceitos, hipocrisia tipicamente americanos. Seja em relação a filmes, a quadrinhos, música, à cultura pop em geral. Os responsáveis pela "classificação" etária se preocupam mais com um seio, uma genitália aparecendo do que uma cabeça explodindo, alguém sendo varado por balas. Violência pode, sexo não. É a hipocrisia típica americana achando terreno fértil por aqui, unindo-se à típica preguiça brasileira.

"Ah, um livro em quadrinhos sobre futebol. Nem preciso ler. Pode mandar pras escolas. Os garotos vão gostar.. Assim poupo meu tempo para passear com carro oficial ou fraudar alguma licitação..."

Marcello Nunes

Rodrigo Ramos disse...

Mas e aí? Estamos só discutindo aqui ou já começaram a pedir as retratações pelos meios de notícias? A hq não tem nada de imoral, nem mau-gosto (como virou moda chamar) é apenas inadequada ao público para a qual foi selecionada. Quem deveria ser atacado é o imbecil que a selecionou do mesmo modo que imoral foi a seleção de livros com erros geográficos e de português por motivos escusos!

Alguém já mandou seu e-mail para o governador ou para a Globo?

Façam sua parte! Já está difícil demais acompanhar os quadrinhos no Brasil sem esta cruzada!

Amalio Damas disse...

O que é um programa de tv sensacionalista? Brasil Urgente? Márcia Goldsmith? Ratinho? Também. Mas no caso em questão, podemos dizer que Jornal Nacional, Folha de São Paulo, Estadão, Jornal do SBT, etc, também fizeram a mesma coisa ao divulgar a notícia em questão. Escolheram um aspecto de um fato tão sem importância, para transformar nesse cavalo de batalha que pode gerar muitos problemas para o mercado das hq's.

Hoje o secretário da educação, Paulo Renato de Souza, participou do programa da Silvia Poppovic e disse que nenhum aluno leu o livro e que o problema está resolvido, ou seja, muito barulho por nada.

Já o Governador José Serra, um dos piores políticos que eu conheço, porque só pensa em contas e nunca na população, mostrou-se de uma irresponsabilidade tamanha ao mencionar o mau gosto da obra feita por artistas tão "sem importância" como Caco Galhardo, Spacca, Gabriel Bá, Fábio Moon, Allan Sieber, dentre outros. Alías, será que ele já ouviu falar dos prêmios que esses artistas já colecionaram juntos? Será que ele sabia que apenas três histórias das 11 que compõem a coletânea eram impróprias para menores?

Na verdade ele não sabia nem que o álbum havia sido comprado e muito menos conhecia o coitado do funcionário que vai arcar com o ônus desse problema "gigantesco". Mas na hora de aparecer na TV e dizer que ele resolveu o problema, não pensou duas vezes.

Mas o governo é assim mesmo, ao invés de resolver os problemas do analfabetismo funcional, prefere recolher HQ's que muitos alunos não conseguirão ler, muito menos entender o que está escrito.

http://aqueladocara.blogspot.com

Ricardo Soathman disse...

Olá;

Pois é, como sempre uma visão obtusa de um politico acima de suas pocibilidades.

Sabidamente, quando não se tem o que falar, acaba-se falando, algo sem o devido embasamento.

Foi o caso do GOVERNADOR do estado de SÃO PAULO. Triste.

Se me perguntarem, acho inadequado a faixa etária talvez, mas, conhecendo o ensino promovido pelo ESTADO, alguns palavrões, não são um real motivo de espanto, pois existem alunos da rede estadual que não a mínima educação elementar.

De qualquer forma, fica aqui minha indignação, masi uma vez direcionada a essa casta hipócrita e desprovida de cultura, de POLITICOS BRASILEIROS que... Confundem ENTRETENIMENTO, com CULTURA.

[]s

Ricardo Soathman

Kadu disse...

A declaração do Serra foi realmente covarde. Provavelmente algum idiota que nunca leu algum quadrinho depois de ler Turma da Mônica na infância olhou a capa, viu que tinha a ver com futebol e achou que seria um interessante para o "País do futebol".

Se eu fosse dar alguma espécie de quadrinhos para crianças de 9 anos lerem certamente seria ou Nausicaä do Vale do Vento ou Seton, ambos tratam do tema ecologia e apesar de um tanto quanto adultas as histórias tratam de temas pertinentes para crianças.

O único quadrinho de mau gosto que já tentei ler foi Love Hina.
Love Hina é cheio de insinuações de pedofilia, desenhar garotinhas de 12-13 anos peladas para mim é coisa de péssimo gosto. Pior é a menina que aparece depois que tem uns 5-6 anos, pelo menos ela não entra em um contexto sexual (apesar de ter várias ilustrações dela pelada - para alegria dos pedófilos de plantão).

Falar de sexo e colocar palavrões em situações com algum fundamento não deveria ser problema algum, principalmente se fosse vinculado ao público adulto, o que certamente não era o caso.

Frederico disse...

Acabei de ver o SP TV no site Blog dos Quadrinhos e pqp... a jornalista falava do livro como se fosse coisa do capeta.

Ricardo Sanchez disse...

A utlizização do termo mau-gosto já demonstra falta de cultura de quem fala. Serra é uma pessoa grotesca. Toda uma cultura que se utiliza de palavrões e termos sexuais deveria ser abolida na opinião desse povo: James Joyce, Hilda Hilst, Adélia Prado, William Burroughs, o cinema nacional como um todo. O problema dessa polêmica não é nem em cima da estereotipação dos quadinhos como coisa de criança, mas foi escancarar o descuido que os nossos órgãos públicos têm ao escolher o material didático, tudo feito à toa. Serra é um tosco.

Sandro Almeida disse...

Creio que, caso o livro passasse e as crianças o lessem, nem iriam notar os palavrões... Algum de vocês já passou em frente a uma escola pública em final de aula? Palavrão é o que não falta ali. Mas este não é o caso. O problema é o governo querer acobertar as trapalhadas que faz e jogar a culpa no elo mais fraco. De mau gosto é a escolha de um pateta (não confundir como o do seriado, que era inteligente) para ocupar um cargo público. De enorme mau gosto é esse incompetente indicar uma obra sem ao menos conhecê-la.

P.s. Alguém aí lembra que o governo distribuiu uns livros de geografia (ou história) com erros crassos?

mavigo disse...

Nasi, vc estava captando algo no ar, hein? Heheheh...

Sobre a "entrevista" (aquilo não é entrevista, os apresentadores só levantavam a bola pro cara chutar) do Serra faltou lembrar o seguinte: Ele fala que este episódio foi muito mais grave do que aquele do livro com dois paraguais, que aquilo tinha sido mero erro de gráfica, como se fosse uma bobagem qualquer. Uma pinóia, aquele livro continha diversos erros terríveis! E ficar falando que o livro é "de mau gosto"... francamente, que bobagem! E o pior é que tem um monte de leitor de hq que vai votar nesse gênio ano que vem, "o melhor ministro da saúde que o Brasil já teve", mas que não consegue melhorar nem um pouquinho a saúde pública do estado de SP. Nem a educação.

Cláudia Dans disse...

Nasi,
parabéns pelo seu texto! Muito muito bom! Gostei da parte "alguma besta do governo". Você definiu perfeitamente não só as pessoas que estão no governo e na secretaria de educação como também o trabalho que elas fazem!

Sou professora da rede pública e testemunha disso e de tantas outras bobagens que o Serra tem feito com a educação! E a cada dia que passa fica pior!

Primeiro foi os dois paraguais: uma bobagem de nada, né? Governador! Agora isso: um álbum de HQ para adultos como o Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol é "de mau gosto"!

Agora eu me pergunto, qual será a próxima declaração de mau gosto que o Serra vai dar?

Eduardo Nasi disse...

Pessoal,

Acompanhar o caso do Dez na área... e ainda manter a vida normal me tirou o tempo de responder às questões antes. Mas vamos lá.

Antes de qualquer coisa, quero insistir que a coluna não é sobre o Dez na área..., e sim sobre o fato de que o caso que estamos vendo tende a se repetir, motivado pelo crescimento dos quadrinhos. Ela acabou falando sobre o Dez na área... porque isso se tornou inevitável.

Outro ponto que é importante destacar: não gostaria de ver a discussão generalizada para atacar o governo Serra como um todo, simplesmente porque acho que isso mais atrapalha do que ajuda, porque leva em conta opiniões coletivas. Se focamos apenas no caso, mesmo um partidário do governador pode ver que houve um erro. Por isso, apesar de várias menções, vou me abster de comentar sobre saúde, educação em geral e outros temas. Mas as opiniões de vocês estão aí.

Respondendo ao Rodrigo, a manifestação no Twitter ontem foi bem forte e muita gente aqui participou. Mas você tem razão, todo mundo pode cobrar mais.

Quanto ao comentário de Kadu, tenho a impressão de que a inegável existência de sexualidade adolescente, o público-alvo do mangá (que é justamente para adolescentes) e a cultura japonesa explicam a situação. Mas, claro, ninguém a obrigado a gostar. E é o tipo de título que certamente vai enfrentar problemas no futuro.

Valeu,

e.

Ricardo Soathman disse...

Pois é Nasi,

Sem transforma a coisa em uma palanque político, o que preocupa de um modo geral é a comoção pelas palavras do Serra. Ora, POLITICO atua de forma PADRÃO. O "erro" nunca é direto, tem sempre um acessor, um comprador, enfim...

Talvez, o problema maior, seja a forma como a MIDIA brasileira está tratando o caso. Soltando, declarações fora de contexto, quando alguém diz;

"Em entrevista, o autor do livro disse que não daria a obra para o filho ler"

Ou, quando um jornalista comenta, sobre o prefácio do livro assinado pelo Tostão;

"Acho que o Tostão não leu o livro para dizer que faltava uma obra assim sobre o futebol"

Ou, quando um promotor público, declara que;

"Tratasse de uma obra de mal gosto"

Daí para a censura, ou a castração de publicações, é um pulo. Baseando-se apenas em uma visão hipócrita do que foi escrito ali. E isso, no meu entendimento passa a ser EXTREMAMENTE preocupante.

Não se pode esperar nada diferente de ADMINISTRAÇÕES feudais, amparadas por um funcionalismo público CONTINUISTA, e portanto INDIFERENTE. É antes de tudo um problema social, antes de ser POLITICO, ou PONTUAL no seguimento quadrinhos. Não sei...

Falta agora o COMPRADOR GOVERNAMENTAL vira público e dizer que comprou o livro para atender a grade curricular, por exclusão, afinal... O mercado nacional é tão pobre!

O que me remete a um pensamento imediato... Verdadeiramente aterrador.

Se o mercado é pobre hoje, imagine se existirem sanções, ou limitações para publicações no mercado nacional, que talvez, seja a questão a ser levanada neste seu ultimo comentário.

Se, a Via Lettera (acho que do JP Martins, certo?)cometeu um "erro" assim, o que acontece com gente sem nome no mercado? Alguém como eu, por exemplo? Meu estudio tá fadado a pagar pela falta de zelo do GOVERNO de São Paulo?

Um tanto injusto, aja vista que minhas publicações nem chegaram ao mercado ainda, não é?

E se alguém decretar que meus produtos são de "MAU GOSTO"?

Preocupante.

Uma abraço.

Ricardo Soathman

Ricardo Soathman disse...

Mais algumas considerações, alamarmantes.

E se for instituida uma lei, determinando que apenas quem tenha "capacidade técnica notória" pode publicar quadrinhos?

E se resolverem limitar as publicações de quadrinhos a "empresas sabidamente experientes", já atuantes no mercado?

E se for criada a "agencia nacional de quadrinhos", e, essa beleza for entregue a um dos senhores feudais dos quadrinhos no Brasil?

NADA DISSO... Atende as necessidades desse mercado, e são ações muito mais nocivas do que um moleque publicar uma HQ ruim, porque é um ESTERIÓTIPO "cool"...

Sei lá, tantas ramificações podem surgir de uma HIPOCRISIA administrativa que fico, relamente, muito preocupado.

Desculpa retornar em seguida!

Abraço.

Ricardo Soathman

Charles disse...

Não li o álbum, na verdade, nunca vi ele a venda, então gostaria que alguém que o conheça pode me dizer se há ou não indicação etária. Porque, se ela está lá, o erro foi do Estado, e acho até que dá pra entrar com mandato de segurança, por ter sido negligente e, agora, tentar se justificar depreciando a obra. O que pode acarretar lesão à imagem da obra e dos autores, pois não cabe ao Estado julgamento de qualidade artística.

Agora, se não houver tal indicação, o jeito é aguentar as pauladas.

Anônimo disse...

Hm... Sem querer criar caso ou confusão. Mas não manjo nada de twitter, e ontem quando vi essa história toda entrei pra ver os comentários postados no twitter do nosso ilustre governador. Haviam muitos comentários. Hoje entrei pra ver de novo e não achei mais nada! E as mensagens que aparecem são de ontem antes da treta toda e de hoje algumas horas atrás. O que houve com as mensagens nesse meio???

Até!

Anônimo disse...

Bom, retificando, como eu não manjo nada de Twitter mesmo, eu tava procurando no lugar errado. Na página do Serra realmente não tem nada entre antes da polêmica e hoje o que eu vi ontem foram os comentários gerais que dá pra ver clicando no search do twitter.

Mals!

nuno disse...

Trabalho em editoras há mais de 15 anos,sei exatamente como é feito o processo de adoção de livros no governo. A TOTAL responsável pela inscrição do título no programa é a EDITORA VIA LETTERA;essa sim sabia da faixa etária requerida(fundamental,básico e eja). Caso não soubesse disso,recebeu o SELO do mec com a série referida para colocar na capa do livro.E mesmo assim não percebeu? A produção editorial deixou passar? Ou simplesmente ignorou e olhou apenas para os TRINTA e POUCOS mil que iria receber pela venda da obra?Desencalhou o álbum? O mec deixou passar,provavelmente não leu,mas agora a editora dizer que não sabia para onde se destinava a obra e que apenas atendeu um pedido da secretaria, é de má fé! A editora VIA LETTERA sabia sim de tudo isso e resolveu ignorar,ou é possivel que ela esteja afirmando que não sabe aonde e para que escreve suas obras? Torcemos todos para que esse caso não destrua o que contruimos com muita dificuldade.

Eduardo Nasi disse...

Nuno, você, que tem mais experiência, poderia explicar pros leitores o que o MEC, que é um órgão federal, tem a ver com a escolha de uma secretaria estadual? Francamente, não vi conexão.

Anônimo disse...

Também não sei como funciona isso tudo, mas jogar a culpa na editora é foda. A editora não obrigou o governo e SP a comprar nada.
Se o governo de SP fez a compra, é porque interessou a quem comanda essa área. Ou o governo simplesmente compra tudo de todos que se inscrevem? Francamente...
E acho importante dar nome ao boi aqui sim. Se algum partidário do Sr. Burns se incomodar, azar o dele... Hora de acordar.

nuno disse...

Caros,
Nós (as editoras) somos quem inscrevemos nossos títulos nos programas institucionais,sejam estaduais ou federais.Esclarecendo que essa compra foi selecionada pelo CENP (cordenadoria de estudos e normas pedagogicas),que é chancelado pelo MEC,que é o "pai" de todos os outros programas didáticos também.
Funciona assim: O órgão responsável entra em contato com as as editoras dando a informação do plano e a necessidade.
Tipo programa:Ler e Escrever e a FAIXA ETÁRIA:Fundamental,básico,etc.
Sou eu quem faço as inscrições em planos de governo para a PANINI,DEVIR e outras não ligadas a quadrinhos.Recebi o comunicado e selecionamos as obras ADEQUADAS.
Agora vamos supor que a VIA LETTERA é diferente ou inexperiente, mesmo assim,depois da fase de seleção do título a editora é informada da compra e negocia valores e prazos.Terminada essa fase,a editora recebe um SELO com a SÉRIE de adoção para colocar NA CAPA.
Então ninguém da VIA LETTERA viu isso?Não?Ninguém?
Com certeza sim,é só olhar a capa do livro na matéria da folha e conferir o selo na capa.(feito pela própria editora).
Apesar do cenp e o mec terem pecado,não pode se esquecer a importância desse governo em compra de livros e quadrinhos.
Errou,mas comprou milhares de títulos e está realmente incentivando a leitura.
Lembrando que todos os programas didáticos,sejam estaduais,municipais ou federais tem de ser aprovados pelo mec,inclusive a equipe que seleciona e analisa as obras.
Aliás nem do Serra gosto,que fez um comentário infeliz que deprecia nossa categoria.
Mas não sou anônimo,
Nuno Filipe Venâncio.

Anônimo disse...

Colaborando com os especialistas de plantão: Concordo com o NUNO. Trabalho no mercado Editorial à 18 anos e a Culpa neste caso é sim da Editora. Inquestionável esse argumento. Nos editores inclusive estamos pensando em um manifesto para punir os mesmos por esse imperdoável erro. Os pseudos editores da "Via Léttera" não têm como se isentar da responsabilidade visto terem recebido um manual de venda. Editores não saberm ler? Palhaçada... Por mercenários como estes é que o mercado de HQ no país engatinha.
É LAMENTÁVEL>>>

Anônimo disse...

Complementando os comentários postados acima, nós estamos realmente engatinhando neste mercado de HQ mas mesmo assim existe espaço para albuns adultos (sem pornografia)tanto que a CONRAD inclusive vendeu esse tipo de Material para as COORDENADORIAS DE BIBLIOTECAS PÚBLICAS de todo o País.
A diferença é a classificação etária. o material de cunho mais adulto, ou entra para o EJA, ou compõe acervo especial dos espaços públicos conhecidos por todos como BIBLIOTECAS e SALAS DE LEITURA.
A culpa sim é da Editora, que numa atitude mercenária, olhou vinténs e botou uma pá de cal nas possibilidades reais de aquisição de HQs por Órgãos Públicos.
Falar por falar de HQs por nós que podemos na grande maioria das vezes, comprar o que queremos é fácil, o que é muito difícil e triste é que por atitudes como esta os não conhecedores do gênero, ficarão sem acesso à esse tipo de leitura nos espaços públicos.

Via Lettera... acorde!!!

Anônimo disse...

Na cara!

Ricardo Soathman disse...

Só acho que seria produtivo que os anônimos de identificassem, até para validar os comentários, muito relevantes, na minha opinião.

Abraço.

Ricardo Soathman

Reginaldo disse...

Ao Ricardo Soathman, obrigado por sua opinião. Só não coloquei meu nome logo da primeira vez, pois sou marinheiro de primeira viagem neste interessante recurso de comunicação. Desculpem-me pela indelicadeza. Não quero esconder-me sob o véu do anonimato.

Contem com meus préstimos para elucidar tão rica discussão.

Os quadrinhos são um importante veículo Didático Educacional além de entreter, educam e criam possibilidades reais de formação de novos leitores. Há quem não concorde, mas defendo essa opinião. Os HQs são vistos dessa maneira em vários países e muitos deles se utilizam destes recursos para fortalecerem-se como nação preocupada com a educação, com a formação de novos leitores dotados de senso crítico. Reclamamos muitas vezes sem saber: por quê o livro é caro? Respondo de pronto: É caro pois o brasileiro lê pouco. Tiragens pequenas, resultado: Custo unitário alto. Bem mas esse é assunto para outra oportunidade.

Por esse motivo, achei particularmente uma “sacanagem” o que ocorreu neste caso. Nós operários das letras devemos ser reconhecidos pelas boas associações relativas aos produtos que publicamos, muitas vezes com muita dificuldade, visto sermos uma nação de não-leitores.

Demorará certo tempo para apagar esta má impressão e ao invés de comemorarmos as conquistas advindas de novos planos de aquisições de HQs, devemos batalhar imediatamente por uma nova conscientização dos gestores dos recursos públicos para não banirem os HQs dos planos de reposição e de compras..

Plantamos algumas sementes em órgãos públicos a mais de 10 anos. Ouso-me achar um pouco pai dos espaços públicos de quadrinhos e é realmente frustrante ver um filho vigoroso ser mal visto de uma hora para outra por INGERÊNCIA de editores que não lêem EDITAIS DE COMPRA.

As palavras me chamam... Até logo.

Reginaldo Silva
RAS EMPREENDIMENTOS EDITORIAIS.

Eduardo Nasi disse...

Pessoal,

Entendo as preocupações de vocês, agrademos as informações - e já começamos a discutir o que fazer.

De qualquer forma, ainda acho que o controle final cabe ao governo. É ele quem tem que se precaver de qualquer tipo de picardia das editoras.

Digo mais: acho que a questão da escolha equivocada do livro acabou se tornando um problema menor. Foi uma imbecilidade, mas resolvida rapidamente, em questão de dias, e se diz até que dificilmente alguma criança viu o livro.

Pra mim, o problema acabou se sendo a forma como o governador Serra tratou os artistas.

Também reforço o problema maior, aquele que motivou o texto: agora o mercado cresceu e todo mundo está de olho. Se alguém quiser fazer uma matéria na cola desta sobre as imoralidades presentes nos quadrinhos, vai se esbaldar.

Anônimo disse...

O link para a coluna dá inválido

Eduardo Nasi disse...

Não tá mais.

Sandro Almeida disse...

Olha só... saiu em um jornal de SP que o governo fez outra besteira, ao distribuir poesias, voltadas para adolescentes e adultos, a crianças da terceira série. E aí, será que vão crucificar o autor do livro por isso também? Criticarão o livro? E o Jornal Nacional, vai dar manchete a isso? Vamos ver...