12 abril 2009

A verdadeira primeira edição brasileira de Matrix Comics

Nos últimos dias, a Panini começou a anunciar a sua edição de Matrix Comics, os famosos quadrinhos baseados no universo dos Irmãos Wachowski e criados por nomes como Neil Gaiman, Michael Kaluta, Paul Chadwick, Geof Darrow e outros tão cotados quanto.

Quando li sobre isso, um buraco de minhoca abriu na minha cabeça, me levando de volta quase uma década atrás, na pioneira e extinta loja de quadrinhos Planeta Proibido, que agitou a nerdlândia portoalegrense nos anos de 1990.

Não consigo ter muitas pistas de em que ano eu estava, mas o limite de dez anos de lançamento do filme, o preço da revista em reais e o fato de ser já na sede da Planeta da Rua Jerônimo Coelho me faz pensar que talvez já estivéssemos nesta nossa década.

Não importa. Foi nesse dia que, se minha memória não me engana, comprei Matrix, uma revistinha em formatinho, 28 páginas, capa cor (mas miolo em impressão offset P&B vagabunda), produzida por um estúdio chamado Nona Arte.

Eis a capa, com o logo do Nona Arte do canto superior esquerdo:


Trata-se, claro, de material completamente pirata, uma espécie de tataravó dos scans, só que mais cara de se fazer.

E que, de qualquer forma, dentro de sua ilegalidade, é a primeira edição impressa dos quadrinhos de Matrix no Brasil.

Na ânsia com que eu comprava HQs na época, acabei levando, mesmo sem dar muita bola para a qualidade e já tendo lido as histórias no site do filme. Sei lá, parecia legal.

Com a notícia do lançamento da Panini, achei que seria legal dividir com os leitores esta edição e ver se alguém sabe de mais pistas. Aí vasculhei meu armário até encontrá-la. E achei.

A revista traz três histórias.

Uma é Os arquivos de Zion, com roteiro dos Wachowski e arte de Geof Darrow (Hard Boiled). Em seguida, vem Beep... beep... beeeeeep, de Vince Evans, que também faz a capa. Performance final, de Jim Krueger e Tim Sale, encerram o volume.

A arte, nos três casos, é prejudicada - provavelmente porque os originais são os arquivos de baixa resolução do site.

Clique para aumentar e veja como ficou a arte de Vance:


Vale reparar nas imagens pixelizadas e no letreiramento irregular na arte de Tim Sale:


Não dá para saber muita coisa sobre o Nona Arte, infelizmente.

A revista não traz expediente. A única forma de contato com o estúdio é um e-mail do BOL - que está desativado atualmente. Outra pista sobre a procedência é um anúncio da loja Revista & Cia, que os leitores de Fortaleza devem conhecer.

Como geralmente essas lojas anunciam em revistas de seus clientes, dá para imaginar que a primeira edição de Matrix brasileira é cearense. Só que isso é apenas uma hipótese, certo?

Nas minhas mãos só chegou a primeira edição. Mas um anúncio da revista promete outros volumes:



Será que foram lançados? Será que alguém tem a coleção completa dos Matrix Comics brasileiros?

Algum leitor aí sabe de algo que eu não sei e quer dividir com a galera?

Respostas podem ser deixadas na caixa de comentários.

PS 1) Nos comentários, o editor do ótimo selo de quadrinhos brasileiros Nona Arte, André Diniz, expressou certa preocupação em ser confundido com o estúdio Nona Arte. Claro que quem conhece o trabalho sério do Diniz jamais confundiria as duas coisas, apesar da coincidência do nome. Mas fica o alerta pra algum desavisado.

PS 2) Os colegas de UHQ Sidão, Naranjo e Delfin já revelaram que também têm seus exemplares de Matrix. Ou seja: no mínimo, foi uma revista que circulou bastante.

7 comentários:

Anônimo disse...

Acredito que isso seja um erro na Matrix; algo que nunca deveria ter existido, mas existe, por uma falha em alguma linha de código, se isso está te provocando muitos dejà vu, provavelmente ele já devem estar atrás de você... cuidado, se vir um coelho branco, é melhor segui-lo.

André Diniz disse...

Opa! Só peço que fique claro que esse selo Nona Arte nada tem a ver com minha editora e estúdio do mesmo nome!... www.nonaarte.com.br

Milena Azevedo disse...

Ah, eu cheguei a ler essa HQ. O Miguel Rude me emprestou e eu fiquei encantada com as histórias - pena que o acabamento da revista é ruim de dar dó. Parece-me que saiu apenas um número mesmo, Nasi.

Jáder, O Pitoresco disse...

Também tenho esta revista que, aliás, comprei lá na loja Revistas e Cia. mesmo. Também acredito que só tenha sido lançada uma única edição mesmo.

Zé Wellington disse...

Putz... Com anúncio da Revistas & Cia... Será que o Sílvio, proprietário, sabe de alguma coisa?

Anônimo disse...

Só foi lançada uma edição e foram impressas apenas mil cópias.A revista foi distribuida apenas em bancas cearences.Com o fiasco de vendas,o Sílvio da Revistas e Cia.comprou toda a tiragem.As edições 2 e 3 não foram lançadas por dois motivos:uma carta que André Diniz enviou aos editores ameaçando processá-los pelo uso do nome Nona Arte (APESAR DE ACREDITAR QUE NÃO HOUVE MÁ FÉ)e a baixa vendagem que impossibilitou a continuação da série.

Thiago Augusto Corrêa disse...

Falar a verdade, hein. Tem scans mais bem letrerados que isso.

Alias, me disseram, eu nunca li scans de gibis que não chegam aqui.

=P