01 abril 2009

Frank Miller, cadê você?

Hoje é dia de visita ao Becho das HQsNesta semana, o Beco das HQs é sobre Frank Miller, que, um dia, foi um de meus roteiristas de quadrinhos favoritos. Mas, infelizmente, faz tempo que ele perdeu a mão.

Excepcionalmente, há dois desenhos na coluna: um do J.J. Marreiro, parceiraço desde a época da Wizard, e o Flávio Teixeira de Jesus, que trabalha comigo (é roteirista da Turma da Mônica) e queria saber se o Procon o ajudaria a recuperar o dinheiro gasto para assistir ao filme Spirit. Ambos ilustraram o tema com a mistura certa de humor e decepção.

Ilustra do Flávio Teixeira de JesusPra finalizar, como sempre, este espaço é para você opinar, criticar, espernear ou qualquer outro verbo que queira usar para comentar o texto da coluna. Fique à vontade.

Será que o atual Frank Miller se lembra do antigo?

81 comentários:

Adailtob disse...

Fala Sidney. Tenho exatamente a mesma opinião com relação ao Miller. Sempre idolatrei seu trabalho até aquele lixo do CT2. Se for uma crítica ao mercado, como dizem, ele conseguiu se repetir (negativamente) em Grandes Astros. Bons tempos quando ele escrevia e desenhava o Demolidor. Aliás, até seus desenhos, assim como seu criador, se tornaram uma caricatura do que um dia foram. Uma pena. Quem sabe com a surra que a crítica deu com o filme do Spirit ele não acorde.
Os quadrinhos precisam de bons profissionais para ajudar a reerguer o mercado, e não de pessoas que estão apenas dispostos a falar que tudo é ruim.

Igor Bone disse...

Pra mim, desde beeeem antes de 300 o Miller não se salva. Nunca fui um grande fã do cara, apesar de adorar a fase dele no Demolidor (incluido ai Elektra Assassina e Queda de Murdock), pra mim das melhores fases de super-heróis. Mas é incrivel como a qualidade dos trabalhos do cara só vai caindo e caindo......

Mauro Tavares disse...

Dinheiro muda as pessoas, pode ate acabar com o talento de algumas..

HQ Experimental disse...

NUNCA achei que o Miller deveria estar ao lado de Gaiman e Moore. Nem em sua fase boa, muito menos na ruim. Para mim ele sempre foi um autor "bom", ponto final.

Adorei Electra Assassina, Ronin e Sin City (mais o primeiro álbum), não gostei de Cavaleiros das Trevas (talvez porque li depois de ler autores muito melhores).

Miller é só um babaca sentado em cima dos (poucos) louros. Mas, assim como Liefeld, terá sempre um empreguinho garantido nessa droga de mercado americano.

andré b. disse...

Tem uma expressão brasileira que se encaixa como uma luva para o que vem acontecendo com Frank Miller: "bananeira que já deu cacho."

Isso siginifica que já passou a época de Frank Miller escrever algo de qualidade, aquelas obras como Cavaleiro das Trevas, Ronin, Elektra e Demolidor (tem muitas outras para serem citada) ficaram no passado e ocupam lugar de destaque em qualquer lista de melhores HQs de super-heróis. Acredito que não se deve culpar FM por sua fase atual: ele simplesmnete perdeu seu antigo talento, o que é normal (veja, como exemplo, várias bandas de rock dos anos 70/80 que fizeram grande sucesso em sua época, e retornam com um material ridículo - cof, cof,...Rolling Stones ...cof, cof).

Jason disse...

Bah, concordo 100% com sua coluna. Gostava da fase antiga do Miller, mas não vejo ele no mesmo nível de Gaiman ou Moore. Eles são mais cerebrais, criam tramas mais complexas, brincam com paradigmas. Já o ponto forte do Miller eram as histórias grandiloquentes, com senso de heroismo ou honra, mais maniqueístas e ingênuas em certa medida. Mas funcionavam muito bem como diversão, conquistavam o leitor. Mas o que era estilo virou paródia, e ele foi se repetindo, usando os mesmos truques, mas cada vez pior. É uma pena. Mas sempre restarão as coisas legais que ele criou no início de carreira. Só isso já é mais do que muita gente conseguiu fazer de bom.

Sidney Gusman disse...

HQ Experimental, discordo. Miller foi, sim, genial. Nos anos 80 e comecinho dos 90, praticamente tudo que fazia era acima da média.

Mas, depois disso, desandou mesmo.

Ivan Carlo disse...

Para mim, desde Sin City o Miller perdeu a mão. Lembro que quando vi achei que era uma paródia de Cavaleiro das Trevas. Miller foi sim revolucionário na década de 1980, mas depois o sucesso subiu a cabeça e ele passou a viver numa espécie de auto-antropofagia, revisitando os mesmos conceitos eternamente, mas de forma cada vez pior.

Rafael disse...

Sidão tocou num nervo exposto da história recento dos quadrinhos. É inegavel que o Miller foi um grande autor de hqs, sendo diversas vezes citado ao lado de Moore e Gaiman como um trinca avant-garde.
Também é certo que depois de 300 de Esparta ele meio que andou trupicando nos proprios pés, fazendo um monte de barbaridades.

Mas, "homenagear" a obra de Will Eisner, numa estética Sin-City, com uma logo imitando a fonte do 300 de esparta... pareí, né?! Quem é o criador e quem é a criatura? E quem essa cara pensa que é?

Liber disse...

Acho que 300 tem uma arte linda, mas o texto do Miller é terrível. Se ele tivesse feito como o Mel Gibson na Paixão de Cristo e escrito aqueles diálogos tenebrosos em grego antigo, a história seria mais interessante.
E os trabalhos mais recentes são uma droga. Uma sucessão de personagens caricatos que rosna frases de efeito ridículas por entre os dentes. Frank Miller já era.

Edu disse...

Sidão, concordo contigo em genêro e nº. Só discordo 1 pouco em grau pois li em 99 "Robocop vs. Exterminador do Futuro" e achei bem bacana. Realmente ñ espero q HQs sejam revolucionárias(sendo bom divertimento me dou por satisfeito)mas d uns tempos p/cá o Miller baixou d+ o nível, aida + estado p/os quadrinhos como Garrincha p/futebol. Eu fechava c/o Nasi quanto a GA Batman as depois d ler a 10ª fiquei c/o seg pensameto:" C esse cara coseguir em 2 ed consertar essa lambança q aprontou é gênio mesmo. C ñ, fica confirmado q criativamete o cara morreu

JJ Marreiro disse...

Para fazer a ilustração que o Sidney me pediu fui rever os quadrinhos antigos do Miller, e entre eles revi o Demolidor publicado na Superaventuras Marvel... O desenho era impecável, anatômico, correto. A narrativa, primeiramente empolgante depois genial.
No Cavaleiro das Trevas, vejo o controle narrativo de traços, fatos e cenas de um artista que conhece tão bem seu ofício que envolve e encanta na execução de seu trabalho.
Quanto à nova fase...Trata-se mesmo de um outro Miller. Desgostoso, cansado e enfadonho. Seu desenho atual não conquistaria espaço (nem leitores) se assinasse com um nome diferente...ele está notadamente acomodado.
E quanto à produzir roteiros e desenhos propositalmente ruins não acredito que um artista faça sua arte propositalmente ruim. Isso não existe. Se está ruim é porque não houve comprometimento e entrega por parte do artista. Um artista que faz um trabalho ruim de propósito definitivamente não é um artista. Quando ele faz trabalhos ruins prova que não se importa mais com qualidade nem com o público.
O verdadeiro Frank Miller está morto faz tempo.

Renato disse...

Sabe, Miller não passa de um moleque mimado.

Em vez de guardar seus ressentimentos quanto aos quadrinhos de super-herói para suas entrevistas "polêmicas" à wizard e afins, ele resolve fazer isso por meio de uma revista em quadrinhos, desperdiçando todo o tempo e dinheiro que colocaram nele. Fico imaginando a equipe que é obrigada a trabalhar com ele, artistas,arte-finalistas ,sabendo que ele tá é tirando o maior sarro. Na verdade ele ta la, com sua bunda gorda, ocupando o espaço que um criador entusiasmado MATARIA para ocupar.( e recebendo o cheque, claro)

Difícil é trazer algo refrescante à mesa, como fizeram Morrison e Quitely em All Star Superman. Desculpa Miller, mas produzir quadrinhos MERDA como crítica aos quadrinhos MERDA nao passa de uma atitude de um moleque mimado.Só aumenta a quantidade de merda no mercado. Se vc tem tanto desdém para com o que o mercado de quadrinhos se tornou, DEIXE-O.

Não dá mais pra leva-lo a sério.

JORGE D'MORAES disse...

É fato...

algo aconteceu a Frank Miller!
Na década de 80 ele era um autor só batio por Alan Moore (mas esse não conta, pois ele não é desta dimensão).
O Batman de Miller é definitivo, por isso nunca coube uma continuação à minisserie. O Demolidor idem.
Mas, apesar de grande obras, Miller é hoje uma figura quase patética como criador.
Fica parecendo que o espírito que baixou nele nos anos 80 decidiu partir. Miller escreve bobagens sem fim e se antes havia violencia contextualizada em seus trabalhos, hoje há apenas a violência.
Não é uma fase pois já dura milênios, e talvez fosse a hora dele pensar em coisas diferentes, e que não seja no cinema.
Lamentável...
Mas... fiquemos com os grandes momentos do autor.

Eduardo Nasi disse...

Nunca achei que Miller fosse a última bolacha do pacote. E uma hora dessas, com mais tempo e paciência, explico que ser bom de HQs não é o mesmo que ser bom de cinema. São linguagens e indústrias muito diferentes.

rogerio disse...

Caro Sidney:Concordo com você em cada palavra que você escreveu (para o meu pesar).Hoje me considero um leitor "veterano" pois conheci o trabalho de Frank Miller nos 1ºs nºs da extinta SUPERAVENTURAS MARVEL e posso dizer com certeza que a grande fase dele na revista do demolidor foi o que ele chegou mais perto de fazer uma homenagem a Will Eisner. Tanto na criação de personagens secundários como Tucão (um típico coadjuvante de Spirit)quanto nos enquadramentos. Desde então pude acompanhar a ascenção e queda da carreira de Miller e os sinais estavam lá:a sensível perda de qualidade nas séries SIN CITY (arte)e Martha Washington (roteiro)ao longo dos anos.Vi o filme semana passada e só posso pensar nele como um arremedo de SIN CITY.Não passa de um amontoado de idéias que ele nunca usou em sua própria série.Coitado do Will Eisner.Merecia coisa melhor.E aqui fica uma curiosidade:Muito antes daquele lixo chamado Dark Knight Strikes Again,Miller já dava sinais de senilidade quando lançou aquala coisa chamada BAD BOY (...)

Sidney Gusman disse...

Edu (Nasi), é por isso que a palavra escreveu, referindo-se ao roteiro de Spirit, está em negrito e separada silabicamente.

O texto é ruim! Muito ruim!

Eduardo Nasi disse...

E na indústria do cinema, diferente dos quadrinhos, roteiro é como corrimão e recebe diversos tratamentos, sempre feitos por muita gente.

Não é nem o caso de defender o cara, porque não tenho motivo algum pra defender o sujeito. Mas é só pra lembrar que as coisas não são tão simples.

Augusto Cesar disse...

Será que é só com ele? John Byrne - que para alguns, não para mim é um gênio - tb não faz nada que preste há anos.

Penso que alguns artistas ficam meio que "parados" no tempo ou preguiçosos, achando que podem escrever qualquer coisa que os fãs sempre vão gostar. Ou se limitam justamente a agradar só aos fâs ferrenhos mas não ao grande público.

Anônimo disse...

Concordo com tudo que o Sidão escrveu...Aliás, muito corajoso e bem ponderado o texto.. Pra encerrar, Parafraseando Kitty Pryde : O professor Frank Miller é um idiota!”

Rodrigo Emanoel Fernandes disse...

Miller se deixou enfeitiçar pelo fetiche do cinema, dos milhões de dólares com um único produto. Pra mim "A Queda de Miller" definitiva aconteceu com o lançamento do filme "Sin City". Daquele momento em diante Miller não apenas abandonou os quadrinhos mas também começou a demostrar certo desdém pela mídia que o consagrou.
É uma ironia, não? Os fãs de Sin City comemoraram tanto o lançamento do filme quando na verdade deviam lamentar: por causa do filme a HQ Sin City acabou! Miller nunca mais lançou um one-shot sequer! E nas raras ocasiões em que ele fala de continuar a série, ele fala em roteiros para Sin City 2.
(Detalhe: Gaiman passou bem perto de cair na mesma arapuca que Miller, ou não lembram de como ele babava elogios para o trailer de Stardust, enquanto todo mundo já via que ia ser um fiasco?)
Por isso que digo: o velho barbudo de Northampton não é simplesmente chato, talvez fosse mais interessante prestar mais atenção no que ele tem dito sobre a indústria de cinema nos últimos anos, rss...

Adilson M.Thieghi disse...

Parabéns Sidney, ótimo texto !Mas para mim Sin City era só um arremedo de film noir visto pela ótica da extrema violência(como 300).Um pastel de vento: nu fundo, não tinha nada, só visual.Cavaleiro das Trevas, apesar de todas as qualidades, estava impregnado de uma paranóia(a guerra nuclear) que naquela época só existia nas cabeças mais reacionárias. Grandiloquente, Miller buscou o cinema, uma arte "maior"(aspas enormes)que ele achou estar à altura de seu talento. Mas a imagem cinematográfia tem uma moral e uma dinâmica diferente, ele deveria saber. E faz agora tão feio quanto estava fazendo nas HQs.

Snarf disse...

Interessante tudo isso.
Parece que o mito Miller é tão grande que a indústria de quadrinhos perdeu o senso crítico e continua chamando o cara para produzir algo.

Cavaleiros das Trevas 2 conseguiu algo inédito comigo: não terminei de ler a 2ª edição e nem comprei a terceira. Assim que pude 'desovei' os dois volumes num sebo.

Nasi, como pós-graduando em cinema, gostaria de fazer algumas colocações (não julgue o fato de eu ter colocado isso como um 'sei mais sobre o assunto', este tipo de atitude me enoja... só que quis afirmar com isso que dei uma estudada neste assunto em particular). Sem dúvida as duas mídias são diferentes e o roteiro é peculiar em cada caso. Mas, das mídias escritas, os quadrinhos é a que tem mais semelhança com o cinema (ou tv... e roteiro de tv e cinema são muito diferentes): os diálogos são ágeis, a história leva em conta a ação do personagem, etc. E além disso existem os storyboards, que nada mais são que quadrinhos. Ora, Sin City funcionou bem na tela e foi o mesmo que ler os quadrinhos. Watchmen também.

Não quero com isso, claro, afirmar que um bom (ou ex-bom) quadrinista, será um bom roteirista de cinema (seria uma afirmação pra lá de tola). Mas ele está a meio caminho andado. Olhando por este lado: um quadrinista ruim, será um bom roteirista de cinema? Acho difícil.

Uma boa história pode ser contada para qualquer mídia. Já a mídia em si é que vai determinar como ela vai ser contada e a qualidade em si. Cada qual com suas limitações e liberdades. E cada qual com seu público-alvo que assimilará a história de forma diferente.

Eduardo Nasi disse...

Snarf,

Então você sabe que, ainda que as linguagens sejam, vá lá, parecidas (e que justamente por isso Watchmen, o filme, é uma porcaria), os sistemas de produção são bem diferentes, né? E que mais gente além do Miller pôs a mão nesse roteiro?

Octavio Aragão disse...

Oi, Sidney.

Seguinte: parafraseando um amigo meu, o excelente roteirista e escritor Lúcio Manfredi, disconcordo.

E explico.

Concordo porque, sim, desde 300 Miller não me convence. Discordo porque, à luz da contemporaneidade, percebe-se claramente que o Dark Knight Returns não era o que nós pensávamos. Quando foi lançado pela primeira vez, o Batman carrancuro, fodão e com a compleição de um tanque parecia uma versão amadurecida do personagem, um basta nas bobagens do mercado. Hoje, porém, conhecendo as posições políticas de Miller, sabemos - não, temos certeza absoluta - que aquilo não era uma paródia, uma sátira ou um comentário crítico. Era o que Miller achava que deveria ser! Parecia então que Frank Miller era um cara de posicionamento à esquerda do espectro político, o que não é o caso. Confundimos o lado revolucionário da narrativa com uma postura que Miller definitivamente não tem.

Tudo que veio depois não foi um engano. Ele aqpenas acertou a mão do que queria fazer desde o inicio e não sabia como. Agora vemos o verdadeiro Miller.

Veja, eu ainda curto DKR, mas da mesma maneira que curto os filmes de Leni Riefenstahl ou a arquitetura de Albert Speer: pequenas obras-primas produzidas num contexto totalmente equivocado. Temos de reler DKR com todos os escudos defletores levantados para curtir os devaneios de Miller sem nos deixarmos seduzir por sua filosofia que, agora dá para perceber, é ridícula.

Herman Faulstich disse...

Pois é, como afirmaram, Miller não se reinventou, preferiu canibalizar a própria obra. Uma pena.

Gostaria de saber se a história do Batman caçando o Al Qaeda sairá, a tal com o titulo provisório de Holy Terror, Batman!. Ela está sendo produzida já há uns 3 anos e até agora nada. Disse que evoluiu para algo que não seria mais o Batman, mas algo novo para depois voltar e reincluir o homem morcego.

Supondo que saia, poderá ser o próprio enterro do autor, artisticamente falando.

Inominável disse...

Sempre adorei o Moore e o Gaiman. Uma curiosidade, sempre se faz muita expectativa quando um deles escreve alguma coisa. Muita gente acha que vai encontrar uma poesia fantastica em Eternos, mas encontra lá uma competente história de super-heróis. O gigante de Northampton fala cada vez de uma coisa diferente nas suas HQs, e sempre se mostra cheio de assunto. Muita gente reclama disso, como se eles fossem obrigados a escrever continuações das suas histórias de sucesso.

Acredito que foi o que o Miller fez nestes anos todos. Deu músculos, sangue, bundas e afins aos leitores. Eles gostaram e o tio Miller repetiu a dose. E está escrevendo as mesmas fórmulas cada vez com menos competência. Adorei Batman Ano Um, mas nem me arrisco a ler algumas coisas dele.

Não gosto dele. Assim como não gosto do Garth Ennis. Descansem em paz

Guilherme Kroll disse...

Octa, taí uma ideia interessante. Não sei se concordo ou discordo de vc, preciso pensar mais sobre o assunto. Mas continuo achando DKII uma porcaria, hehehe

Adriano Sousa disse...

Tudo o que penso sobre Frank Miller foi colocado, de forma clara, no texto do Gusman.
Parabéns!

Leandro disse...

Se sobre o filme do watchmen concordei com o nasi, agora concordo plenamente com o Sidney.
Achava o Miller proximo de Moore e Gaiman, e era um dos meus preferidos, mas ja tem algum tempo q ele morreu e foi substituido. no cinema ou quadrinhos ele so fez "Ms". Fora q ele parece ter tido liberdade criativa nesse filme, fazendo uma copia barata de sin city e com atores famosos, dinheiro nao faltou.

Alessandro disse...

Eu era um grande fã do Miller (assim como a maioria de vocês). Mas desde aquela época eu sabia que ele tinha uns delírios esquisitos e assustadores em meio à sua genialidade. O roteiro de Robocop II era dele e o filme foi fraquíssimo. Teve um crossover do Batman com o Spawn também que eu nem me lembro mais de como era, de tão ruim que foi ler na aquilo.

Veredito: ninguém é perfeito.

shiko disse...

sidão conhece o cara,sidão sabe das coisas, sidão falou e disse.

Sidney Gusman disse...

Octavio, não acho que Miller acertou tantas vezes, no
passado, "sem querer".

Tirar o mérito do que ele fez - e foi muito mais que O Cavaleiro das Trevas -, pra mim, é um erro.

Nasi, óbvio que roteiros de cinema passam por outras mãos e sofrem alterações. Mas isso acontece TAMBÉM nos quadrinhos. Assim, é cômodo demais achar que seria por isso que Spirit é uma trolha.

Afinal, vale lembrar, mesmo que tenham mexido no roteiro, Miller TAMBÉM é o diretor do "filme".

Abraço

Baldur disse...

O Miller hoje é como o Ronaldinho Gaúcho,vive do passado,já foi brilhante e hoje apenas se arrasta em campo.Essa história de querer fazer uma afronta aos comics,ou ser ruim propositalmente funcionaria em um número apenas,mas toda a produção dele desde DK2 é uma m...,então não é isso,ele simplesmente perdeu a mão ou encheu o saco,o que é uma pena,a fase dele no Demolidor é muito melhor do que as fases do Bendis e do Brubaker juntas.

Amalio Damas disse...

Concordo com o Sidney e acho que desta vez o Nasi está sendo MUITO Fanboy. Paulo Autran já dizia que o teatro é a arte do ator, o cinema é a arte do diretor e a televisão é a arte do anunciante. O filme é concebido na sala de corte e não no roteiro. Porque será que quase não temos filmes ruins de Stanley Kubrick, Frank Darabont, Martin Scorcese, David Fincher, Sam Peckinpack, etc.? Por um simples motivo: eles dominam a sua arte e pelo jeito Frank Miller não sabe montar um filme. Botar a culpa nos roteiristas é fácil, quero ver é se desculpar pelos próprios roteiros e nos quadrinhos, arte que aparentemente dominou até a década de 90.

Eduardo Nasi disse...

Não estou sendo fanboy, Amalio. Como já disse um milhão de vezes, não sou nem mesmo fã do Miller.

Aliás, desculpe se soar heresia aqui neste antro de fãs, mas ser fã (no sentido original, de fanatismo, que implica em certa cegueira intelectual) é coisa de adolescente e eu não tenho tempo na vida pra ficar sendo fã de ninguém, não.

Então, Amalio, peço desculpa de novo por entender que o termo "fanboy" foi usado para desqualificar os meus argumentos e por me sentir ofendido por isso.

E me ofendo com razão: não sou nem fã e nem mesmo acho que o trabalho do Miller é fora de série. Reconheço nele alguns méritos, como a grande habilidade narrativa. Acho que, nos anos 80, ele requentou bem alguns personagens como Demolidor e Batman. Também gosto da primeira Martha Washington e de Ronin.

De cabeça, até tenho uma hipótese, mas a ansiedade típica da internet não me dá tempo necessário para revisar toda a quadrinhografia de Miller. Não sou insensato de jogá-la para a insanidade que é a internet sem apurá-la.

De qualquer forma, não caio nessa ladainha de um supostamente clonado, abduzido ou falecido Frank Miller. Acho que seu trabalho tem certa coerência, até mesmo o lado mais esquizofrênico, nos últimos anos criado ao lado de Sin City, embora apenas a série noir (mais próxima das obras afamadas) tenham repercutido mais. Bad Boy é divertido, por exemplo.

De qualquer forma, tudo isso é pra dizer que eu não defendo Frank Miller.

Minha única defesa é a de Grandes Astros: Batman & Robin, que eu defendo, sempre como a hipótese (sou crítico, afinal, não vidente) que nem é originalmente minha de que Miller está zoando dos leitores. Já repeti minhas pistas nas resenhas algumas vezes: Miller abre mão do que sabe fazer melhor, que é construir uma narrativa em HQ.

Posso estar errado? Claro.

Mas é um caso de interpretação, e qualquer pessoa que estudou um poudo de interpretação sabe que até o Miller em pessoa é incapaz de dar uma resposta.

Chegando a Spirit, enfim, não sou inocente a ponto de defender um filme que nem vi. Minha única contribuição ao debate é a de que não são cinema e quadrinhos só são comparáveis enquanto linguagem. O modo de produção difere - e isso interfere na obra.

Claro que nos quadrinhos mais gente mexe no texto, como o Sidão disse. Mas, nas HQs, Miller chegou num estágio em que pode exigir não ser editado.

Já o ator e diretor Paulo Autran, em sua visão romântica de artista, esqueceu que, em Hollywood, o filme é o negócio do produtor - nem arte é direito, coitado.

Ou seja: nos quadrinhos, se tem gente mexendo nos textos do Miller, são duas ou três pessoas. E em Hollywood? Alguém ousa dar um número fechado, que caiba em uma mão? Aliás, alguém se deu ao trabalho de ver quem são os produtores e quais pérolas dos cinemas eles têm em seus incríveis currículos?

Enfim: não vi o filme, não estou aqui pra defender o Miller, mas tenho certeza de que as indústrias são bem diferentes.

E, pra finalizar, como assim não temos filmes ruins do David Fincher? Benjamin Button é um sonífero! É um Forrest Gump de trás pra frente! É piegas! É um filme que tenta se manter de pé e não consegue! E você ainda diz que o David Fincher não fez nada ruim?

Anônimo disse...

Nasi me perdoe, mas discordo muito de vc....
Watchmen é uma porcaria??? Spirit ( o filme )é o que então? Porcaria elevado a décima potência? O que me enoja é ler uma entrevista onde Miller afirma "Sabe como é quando você ama uma pessoa mais do que qualquer coisa e a defende de uma forma mais voraz do que defende a si mesmo? Eu amo Will [Eisner] e Spirit e não queria que nada de mau acontecesse com ele"
Eu chamo isso de arrogancia pura...Pra fazer o que ele fez com o Spirit???
Ele conseguiu definitivamente matar Danny Colt de uma vez,o que atesta sua demência atual...
O roteiro passa pela mão de muitas pessoas? Sim passa, mas ele como roteirista e diretor, tem um controle criativo maior e não podia deixar uma coisa dessas acontecer... Imperdoável...

Eduardo Nasi disse...

Caro Anônimo, me perdoe, mas também discordo de você.

Watchmen é uma porcaria, sim, e Spirit -- QUE, PELA DÉCIMA VEZ, EU NÃO VI -- talvez seja outra.

O que vou dizer pode surpreender muita gente, mas a triste verdade é que cabem muitas porcarias neste nosso mundo ao mesmo tempo.

E posso provar: por um tempão, o Nicieza escreveu Thunderbolts e Cable & Deadpool. Os dois eram uma porcaria.

Outra prova: tem cocô e tem vômito. São duas porcarias, e elas incrivelmente existem simultaneamente. E na mesma realidade. Assim como Watchmen e, pelo que dizem, Spirit.

Agora, duvido que Miller tenha matado Spirit. Ele só fez um filme que dizem ser ruim. Olha os números de bilheteria: NINGUÉM VIU SPIRIT, só você e mais uma meia dúzia. Eu não vi -- e eu vi até Passageiros! Esse filme vai pra madrugada do TNT, com cortes, mais rapidamente do que você imagina. Achar que esse filme vai matar o trabalho do Eisner é superestimar uma bilheteria mixuruca.

Ah, sim: quando eu disse "Já o ator e diretor Paulo Autran, em sua visão romântica de artista, esqueceu que, em Hollywood, o filme é o negócio do produtor - nem arte é direito, coitado", eu quis dizer que os produtores é que têm o controle criativo e a palavra final em um filme. O Miller pode opinar, mas a verdade é que ele é um funcionário que tem que obedecer a alguns pedidos.

Panthro disse...

Sabe quem tabém está querendo afrontar o mercado, dizendo que pode escrever um gibi porcaria e ainda assim vão continuar comprando? O Chris Claremont, em Excalibur.

Aliás, essa é a melhor saída que eu já ouvi. Quando o Bendis fizer mais um gibi em que nada acontece, vou dizer que ele está querendo "afrontar o mercado".

Nem. Pessoas acertam e pessoas erram. E o maior erro é ser tão fanático a ponto de não ser capaz de reconhecer a qualidade do trabalho na qual um artista põe o nome. Só falta os quadrinhos seguirem a onda das outras artes e começarmos a babar o ovo de gente "famosa" sem nem entender a obra. É porcaria, sim e pronto.

Sérgio Codespoti disse...

Acho que é preciso colocar o trabalho do Miller dentro do contexto histórico. Primeiro a importância dele para os americanos é muito diferente da importância dele para nós brasileiros.

Só para citar, de cabeça, algumas coisas importantes...

O Miller começou no Demolidor no começo da carreira, e quando a revista estava para ser cancelada. Foi ele que salvou a revista e a transformou num dos títulos mais lucrativos e importantes da década de 1980.

Em pouco tempo ele passou de desenhista a roteirista (e seguindo algumas sugestões de John Byrne) transformou a série no que ela é hoje. Ninguém diz o Demolior do Stan lee, do Wally Wood, Gene Colan, etc; todo mundo diz o Demolidor de Frank Miller e o motivo é simples. Foi ele que achou o segredo da revista. O trabalho do Bendis e do Brubaker no Demolidor só existe como continuidade do que o Miller fez. Tudo calcado sobre os alicerces do Miller.

Outra coisa importante que ele fez foi mexer com a narrativa dos quadrinhos. O Miller foi buscar coisas que estavam esquecidas, truques e técnicas dos mestres antigos, como Canniff, Eisner, etc, e também do mangá. Essa era a grande diferença da arte dele. A narrativa. A transformação do estilo visual do Miller, até chegar no estilizado que conhecemos hoje, é uma coisa mais gradual. Muito mais do que a sua narrativa.

No final da década de 1970 e começo de 1980, muito pouco dos quadrinhos japoneses era publicado nos Estados Unidos. O Miller não só de alguns dos recursos narrativos (e visuais) usados nos mangas, como também foi o responsável direto pela publicação do Lobo Solitário nos Estados Unidos (pela Eclipse, em formato grande, tipo comics)

Miller foi um dos caras que brigou muito pelos direitos autorais dos quadrinhos. Foi ele que fez um discurso contra a hipocrisia da Marvel, por ocasião da morte do Kirby, em relação ao dinheiro devido a ele, processos, direitos autorais, etc.

Aliás, o Miller também foi sacaneado neste sentido. Ele tinha um acordo de cavalheiro com os editores da Marvel, sobre a Elektra (personagem que ele criou) que foi pro saco, assim que a Marvel entrou para a bolsa de valores.

Quem gosta do Wolverine, por exemplo, tem que reconhecer o trabalho do Miller. Embora o trabalho do Byrne seja lembrado com justiça, como definidor, a minissérie do Claremont com o Miller, também foi uma das obras que cristalizou o Wolverine como personagem.

O Miller ajudou a mudar o formato dos quadrinhos, fazendo coisas raras para a época como a página final de Ronin, (uma minissérie em formão especial, para a época), que se abria numa espécie de pôster de mais de quatro páginas. O próprio Cavaleiro das Trevas, que na época foi inovador na narrativa, na visão do Batman e também pelo fato de ser um sucesso que levou o encadernado às livrarias – quando isso era bem raro lá na América - em várias versões, inclusive numa versão impressa pela própria Warner, e não pela DC Comics. Coisas como Elektra Lives, Elektra Assassin, 300 também tiveram sua importância dentro da evolução do processo gráfico e no formato usado pelas editoras nos Estados Unidos.

Sobre a briga do Miller com a Wizard. Isso é outra coisa antiga. Desde o início da década de 1990 que ele critica a revista. Chegou até mesmo a rasgar um exemplar, no pódio, durante a cerimônia de entrega do prêmio Eisner.

O Miller também tentou o cinema ainda na década de 1980, e teve experiências horríveis com Hollywood, que resultaram em coisas ruins. Essa coisa dele estar trabalhando com cinema hoje não é nova.

Pode parecer pouca coisa para nós brasileiros, mas lá teve suas repercussões.

Lá ele mexeu com as coisas. Aqui ele é só um autor que teve uma fase muito boa e agora está produzindo materiais ruins.

O cara fez coisas muito boas e agora está fazendo coisas ruins. Curtir ou não os trabalhos dele é uma questão de gosto, e aí cada um em o seu.

Mas questionar a importância do cara dentro do quadrinho americano eu acho que é esquecer a história. Hoje ele pode não ser mais um sujeito de grande relevância que está vivendo um pouco dos louros do passado, mas isso é natural. Isso acontece com muitos artistas.

Aliás, é preciso lembrar que desenhista não muita segurança de emprego. Coisas como seguro médico, etc, que fazem parte da vida de que trabalha numa empresa, são batalhadas a parte pelos desenhistas. Que alias, vão perdendo a visão e piorando a qualidade do traço com a idade. Acho bem natural que o Miller, assim como outros caras, aproveitem todas as oportunidades para ganhar mais, ter segurança financeira e conforto, para ele e para a família.

Nada disso muda o fato de que a revista dele com o Jim Lee é muito ruim, independente da proposta ser “dar uma banana para o mercado”; e que o filme dele do Spirit (que eu ainda não vi) parece, a julgar pelo trailer e outros materiais de divulgação, uma grande bomba.

Adilson M.Thieghi disse...

Como é que o Paulo Autran entrou nessa história eu não entendi bem...mas dizer que ele " em sua visão romântica de artista, esqueceu que, em Hollywood, o filme é o negócio do produtor - nem arte é direito, coitado" ´...poxa, quem foi que disse que ele se referia a Hollywood? E dizer que filme comercial não pode ser "arte"(eita conceito espinhoso) é retornar 40 anos no tempo e esquecer tudo o que Hitchcock fez e o que a geração da nouvelle vague deve a ele...(putz, com é que a novelle vage entrou nessa história?). Mas eu concordo plenamente que há um escracho visível em DK2 e outras obras. Me parece um desdém com a HQ e seus leitores, vindo de alguém que se considera bom demais pra esse formato. Honestamente eu acho que o Miller é um Roman Polanski, já deu o que tinha que dar. Com produtor metendo o bedelho ou não, ele devia parar por aí e evitar maiores vexames.

Eduardo Nasi disse...

Adilson,

1. Você está absolutamente certo. Ninguém disse que Paulo Autran se referia a Hollywood.

2. Claro que um filme comercial pode ser arte. Quem disse que não é?

JORGE D'MORAES disse...

PARECE que o problema de Miller foi o sucesso dos anos 80. tudo merecido.

Dela´pra cá, a violencia ganhou cada vez mais espaço. Miller e Ennis se mostraram avidos por corpos estraçalhados e litros de sangue borrando as páginas.
Isso tudo fez com que as historias ficassem tão sem graça qaunto eram as ingenuidades da fase anterior a Miller e Moore.

Citaram Byrne, e também nunca devemos esquecer Claremont, que depois de X-MEN (anos 80) sucumbiu.

Ainda temos as excentricidades de Morrisson, as bobagens de Ellis e uma ou outra inspiração de Millar e Bendis.
No fim... Moore continua supremo, sem trocadilho, pois é um dos piores trabalhos dele na minah opinião.

E QUE TAL UM MANIFESTO PARA QUE PUBLIQUEM MIRACLE MAN NO BRASIL???

Victor disse...

Fala Jorge, acho (apenas acho) que o problema de publicar Miracleman no Brasil é que até nos EUA não pode ser publicado, já que tá rolando uma batalha canhestra pelos direitos da obra há anos.

Fala Sidão! Pô, tu falou TUDO e muito mais no artigo! Desde o início eu não engoli aquele papo de que o TDK2 era uma crítica aos quadrinhos. Achei que era uma grande merda e só.

Dia desses tava lendo a Queda de Matt Murdock, e novamente constatei a genialidade do antigo Miller. Naquela época, ele era realmente um grande mestre da nona arte. Mas o contraste entre aquela obra conjunta com Mazzucheli e o trabalho posterior sobre Daredevil, feito junto ao John Rommita já mostrou que Frank Miller estava gradualmente perdendo a mão.

Até entendo que ele canse dos quadrinhos de heróis e dos chatos fanboys (pô, até eu que leio já enchi meu saco de personagens com colantes apertados e coloridos). Mas deveria ter tomado caminhos mais nobres do que deitar em sua reputação para ganhar dinheiro. Alan Moore já disse que há tempos tem reduzindo propositalmente sua produção em quadrinhos, e dedicado-se a literatura (tá escrevendo "Jerusalem"). Jamais fez de seu talento um caça níquel (abdicou de sua parte no faturamento do terrível filme de Snyder em prol de Gibbons). E Gaimman também parece ter perdido o interesse em quadrinhos após Sandman, e por isso foi escrever livros e criar sua filha. Não me consta que estejam morrendo de fome.

Quando Miller resolveu ir para o cinema, foi para plagiar a si mesmo, destruindo a obra de Eisner.

Victor disse...

Ah, outra: to devendo uma ceva ao Ramone, por ter noticiado a biografia do Moore com autógrafo do cara. Não sabia de nada e ia deixar passar direto essa, não fosse a notícia do UHQ...

Octavio Aragão disse...

Oi, Sidão.

Cara, eu não desfaço dos trabalhos anteriores do Miller, muito pelo contrário.

Meu ponto é que o ponto de relevância do Miller não foi o filosófico, como muitos enxergaram desde os anos 80, mas em termos de formato e produção.

Hoje, o formato está relegado ao segundo plano e o *ethos filosófico* ganhou o destaque, deixando todos nós espantados como que já era óbvio, mas ninguém via.

Por isso citei a cineasta e o arquiteto de Hitler. Fizeram coisas ótimas, mas com a profundidade filosófica de um pires (ou pior, defendendo o lado negro da força merrrrmo). Dá pra curtirmos os trabalhos deles? Claro! Mas se ficarmos escarafunchando em busca de um sentido... ah, meus amigos... não dá.

Miller faz o que sempre quis fazer - e fez coisas ótimas - mas nós enxergávamos mais do que realmente estava ali.

Taí, isso vale um artigo.

AndréBetim disse...

Grande Sidney. Vc acertou em cheio na veia do Frank Miller. Infelizmente parece que o cara anda muito cheio de si, quem sabe com o fracasso de The Spirit ele baixe a bola um pouco. Tomara que outros criadores não sigam esse mau exemplo e continuem com o foco na produção de boas hqs e não em polêmicas vazias e filmes de gosto pra lá de duvidoso.
Na minha opinião, só queria dizer que se o Miller não está no mesmo nível do Alan Moore, o mesmo pode ser dito do Sr. Gaiman. Moore já escreveu muito, mais muito mesmo, muuuuuuuuito mais coisa boa que o Gaiman, que afinal, é o eterno "escritor de Sandman"´. Sinceramente, não da pra comparar. Vamos fazer um teste? Listem as obras de Gaiman e Moore na última década e comparem. Abraço!

Victor disse...

Frank era um mestre da forma. Arrisco a dizer que, em termos de forma e uso de linguagem dos quadrinhos, ERA tão bom quando Moore e Gaimman, até porque era desenhista, e portanto possuia um conhecimento e um manejo da imagem que faltava aos dois britânicos. Esse era o ponto forte dele, mesmo quando suas histórias eram desenhadas por outros ilustradores, pois, diferente de Moore e Gaimman, ele tinha já uma considerável experiência como ilustrador (até das histórias de outros) e, portanto, conseguia escrever como quem já está desenhando a história que conta.

PORÉM, em relação ao conteúdo, à profundidade, ao talento com o uso da palavra e na elaboração da trama, Miller está abaixo de Moore e Gaimman. Não dá nem para comparar, pois trechos de Sandman ou de Watchman sobrevivem muito bem se lidos sem as imagens, conseguem por si só atingir o leitor (embora obviamente seu maior efeito seja produzido com a quadrinização). Já quanto ao Miller mesmo em sua melhor fase o texto em si tinha só relativa expressividade.

Porém, como quadrinhos não é só texto, e não é só desenho, mas a junção de ambos de uma forma quase indissociável, não dá para julgar um autor apenas pelo talento em escrever, mas também pela habilidade de usar todos os recursos da nona arte.

Nesse sentido, Miller teve seu período de gigantismo.

Mas claro, mesmo nesse sentido, um cara como Moore já o ultrapassou há muito tempo, como basta ver o perfeito domínio da linguagem que o britânico demonstra no trabalho em Promethea.

Fabrício Mohaupt - Tito disse...

Concordo que O Cavaleiro das Trevas 2 foi uma bomba que poderia nem ter sido escrita. Uma decepção para alguém que esperava uma continuação do maravihoso original.
O Grandes Astros é sofrível e só vale pela arte de Jim Lee. Nada se tira dali. Desperdício de tempo e dinheiro.
O filme The Spirit é sofrível, foi uma das piores cabines de imprensa que já fiz. Eu realmente esperava que o Miller recupera-se a velha mão com essa, mas não.
Estou com o autor do artigo, Frank Miller está devendo há tempos.

Franchico disse...

A partir do momento em que uma pessoa acredita nos tapinhas nas costas e nos parvos que gritam "gênio! gênio!", ela está liquidada criativamente. Acredito que alguém como Alan Moore, por exemplo, tem plena consciência do seu valor e da altura do seu talento. Mas duvido que, mesmo assim, mesmo depois de tudo o que fez, o barbudão perca um segundo sequer do seu dia pensando em como ele é genial. Esse é o segredo de como nunca cair na armadilha da auto-glorificação em que Frank Miller se encontra atolado até o pescoço. O mesmo vale para John Byrne, Chris Claremont e outros "ex-geniais".

Jackson Good disse...

"Enfim, Spirit apenas foi a pá de cal de um declínio que começou em O Cavaleiro das Trevas 2, o que alguns fãs - talvez míopes pela idolatria ao grande Frank Miller do passado - não quiseram (e ainda não querem) enxergar."

Se concordei com o artigo todo, esse trecho merece ser destacado, como símbolo. Miller perdeu a mão sim. Dizer que GA Batman e Robin é ruim de propósito... desculpe Nasi, mas isso soa MUITO fanboy. No sentido ruim da palavra, do cara que não consegue admitir que seu ídolo não é perfeito. Posso estar errado, mas então quero ver o Miller fazer uma coisa boa. Enquanto não vejo, continuo achando que ele enlouqueceu e hoje só sabe fazer paródias de Sin City.

Ah, o filme de Watchmen é uma porcaria NA SUA OPINIÃO. Não crave isso como verdade absoluta, ou use como argumento. O número de pessoas que acha que Miller que pirou é muito maior do que o número daqueles que não gostaram de Watchmen, aposto.

Anônimo disse...

lenbro-me quando eu era um mero ajudante na oficina do meu tio e,meu primeiro salário foi pra comprar a obra do miller,sem sequer conhecer o cara direito,meu foi como que tirassem minha infância de tão bom que era esse material e me apressou a ser adulto e um profissional no ramo dos quadrinhos,as pessoas mudam,e o interesses dela também quando o assunto é poder,resumindo miller deve estar cheiodisso

MARCELO SOARES disse...

Cara. è uma pena ver um artista competente se contentando com pouco, com o que já tem , e tentando explorar de uma forma fraca outra midia como o Cinema (da mesma forma que faz com os quadrinhos há alguns anos).

Zambi disse...

Concordo com a parte da acomodação. Miller deixou-se enferrujar a um ponto onde não faz mais o que fazia de melhor.

Pra mim, Sin City ainda é uma história de super-heróis, mascarada de graphic novel noir. Se ele fosse mesmo seguir sua proposta com o título, poderia nos poupar de personagens com super-forca(Marv), agilidade de gato(Dwight), garotas que conseguem atirar e dar cavalo-de-pau num carro ao mesmo tempo(irmã da Goldie) e caras que resistem a cerca de sessenta tiros e ficam em pé pra dialogar(Hartigan). Achei que fosse uma coisa e era mais do mesmo.

Enfim, o grande mestre nada mais é do que alguém que não sabe criar algo novo, só segue a receita...

abraços

Luis Felipe disse...

Não gostei de The Spirit, mas também não acho que ficou tão parecido com Sin City. Aquele é o estilo do Miller galera, pedir pra ele sair daquilo é o mesmo que reclamar do Alex Ross por ele desenhar mais um quadrinho pintado.
O grande problema ali é que o Miller tentou inventar demais... Em algumas cenas, como na seuquencia da "assinatura" da Sand Saref e da posterior investigação, ele acertou a mão. Um filme nota cinco, graças a umas poucas boas partes.
Sobre o Miller quadrinhista, esse está entre os melhores com certeza... Elektra Assasina, O cavaleiro das trevas, Ronin, Batman: Ano um, toda a fase com o Demolidor... é uma sequência de clássicos inquestionável, alçaria qualquer um ao topo. É claro que existem as obras ruins - O cavaleiro das trevas 2. Mas todo mundo tem momentos ruins... espero que ele se recupere, pare apenas tirar sarro e criar críticas veladas como All Star Batman para produzir algo interessante.

Luis Felipe disse...

Também acho injusto esperar que ele crie algo inovador a cada trabalho - e com qualidade... Quantos fizeram isso? Nem Neil Gaiman ou Alan Moore, que também têm suas "cagadinhas". Miller já se mostrou versado em tantos estilos diferentes - mais do que a maioria dos autores.
Sin City pode ser mais do mesmo, quadrinho de super-herói disfarçado, mas qual o problema? Adorei ler O assassino amarelo, fiquei com um sorriso de orelha a orelha. Ali está a essência do Miller, o incrível poder de síntese, as frases de efeito, as mulheres fatais, o clima de corrupção intocável.

Não sei se um dia ele conseguirá criar clássicos como os antigos, mas nenhuma cagada dele ou de qualquer outro grande autor tira o brilho das obras geniais de outrora.

Luis Felipe disse...

Continuando, correndo o risco de encher o saco alheio... hehehe, ratifico minha opinião concordante com a do Nasi. All Star Batman é uma avacalhação, e a partir do momento que você saca isso, dá pra relaxar e curtir. E não entendo essa veneração ao Grant Morrison. O pouco que gostei das obras dele não o coloca no patamar que muitos outros querem inserir. Ele é inovador? Demais, mas mesmo assim não curto o texto dele. É pessoal, desculpem-me. Falaram tanto da fase dele nos X-MEN - que é legal de fato -, para depois chegar um Joss Whedon que a maioria não levava fé só para escrever histórias muito mais bacanas!!! Pra piorar, nunca curti a arte do Quitely.
Acho que Brad Meltzer, Mark Millar, Brian K. Vaughan e mesmo o Bendis, só pra ficar nos novos talentos do segmento de super-heróis, merecem muito mais respeito e atenção do que o Morrison...

Celso Lopes disse...

Gosto de dizer que: Frank Miller, Neilman, Moore e Byrne tb, j´passaram a sua epoca assim como os herois que hoje continuam em viver... As editoras e seus respectivos criadores poderiam lucrar somente com as historias epicas e deixar-los em paz...

Edu disse...

2 coisas são certas: poucos temas/autores rendem discussões tão longas e acaloradas como esse tal FM, independente do blog. C essa matéria do Sidão ñ for recordista d comentários tá bem perto disso.

A outra coisa é: vou dar 1 conferida em Big Guy p/matar a saudade do verdadeiro Frank já q essa demorou pacas p/sair por aqui(além disso me amarrava no desenho animado) e ainda c/a bela arte d Geof Darrow

Eduardo Nasi disse...

Jackson,

Eu não tenho problema algum de que Watchmen seja ruim na minha opinião. Tem gente que pratica coprofilia, tem gente que gosta de Watchmen, mas eu prefiro ficar de fora dessas paradas. Mas tudo bem: acho ótimo que essas opções existam para quem curte.

E não vou explicar de novo o esquema do "fanboy". Se quiser, leia mais aí pra cima de novo.

Juliano disse...

Eu acho que o Miller desembestou com Sin City, quase todas as revistas tem a mesma história, ele passou a usar o computador para colorir , deixando assim um aspecto horrivel nas figuras, em Cavleiro das trevas 2 ele deveria estár muito "loco" pra altorizar aquelas cores psicodélicas,fora que a estória se perde,não tem pé nem cabeça, nem parece ser uma continuação da revista anterior, deixando a sençação de estar lendo algo totalmente diferente do que feito antes(no sentido ruim).

Daniel Oliveira disse...

Alguns escritores são priosioneiros do seu tempo. Ao que tudo indica, os anos 80 acabaram e Miller com eles... Pena!

Daniel Oliveira

Egon disse...

Olá, amigos.

Gostaria de pedir ao Universo HQ - ou ao autor - para publicar a imagem do Spirit Will Eisner vs Spirit Frank Miller desse artigo (numa referência ao Cavaleiro das Trevas). O desenho está muito legal e gostaria de usá-lo como wallpaper...

Abração

PS: o filme do Spirit é muito ruim... aquele dos anos 80 é melhor...

Ana disse...

... Sem comentários para o filme Spirit - ruim de doer. E o Watchmen também não fica atrás - só salva as imagens de abertura ao som de "times they are a'changing" - o resto é lixo.
Queria pedir um favorzão á equipe so site - dêem uma investigada na situação do Preacher com a Pixel - será possível que ficaremos de novo da metade do caminho??? a maldição das edições brasileiras de Preacher parece mesmo se perpetrar... incrível!
E adoraria ver um review dos dois volumes de Black Hole...

abração

Daniel disse...

A importância de Frank Miller para os quadrinhos de super-heróis é inegável. Ele foi um inovador, elevando as HQs de super-heróis a um novo patamar. Mas infelizmente, ele teve uma "queda" criativa. A verdade é que mesmo os seus últimos trabalhos em Sin City são sofríveis. Na minha opinião, Bendis está seguindo o mesmo caminho. De novo gênio da nona arte (penso que a fase dele com o Demolidor é tão boa quanto as melhores fases de Miller com o personagem), ele está se tornando um autor convencional, abusando de chavões, escrevendo diálogos superficiais e criando tramas previsíveis.
É lamentável!

Leandro disse...

Mandem PRENDER FM, ele esta louco. eu vi spirit e é Horrivel, constrangedor, entre varios outros adjetivos negativos. É inexplicavel e nao tem defesa. nao tem essa de midias diferentes ou qq outro argumento, qq criança faria melhor. se o filme ficou desse jeito por interferencia de terceiros, fm deveria ter se recusado a fazer parte disso, pois por mais q ele queira o dinheiro, nao ira compensar no futuro toda a fama e carreira dele q esta indo para o buraco e deixando-o sem NENHUM prestigio.
abç

Victor disse...

Daniel,
Você tocou num assunto importante. O Bendis já tá no caminho do Miller. É simplesmente inacreditável a má qualidade do que ele está escrevendo hoje com trabalhos dele como Alias.
Eu fico pensando que essa turma chega um momento e diz "estamos nisso pelo dinheiro e nada mais", e isso significa ter que produzir inclusive quando se está sem inspiração, para cumprir os deadlines.

Victor disse...

Ops, na segunda frase do comentário acima, eu quis dizer "é simplesmente inacreditável a má qualidade do que ele está escrevendo hoje se comparado com trabalhos dele como Alias".

Jackson Good disse...

Daniel, sou megafã do Bendis, diria até que ele é meu escritor preferido (ao lado do Mauro Boselli). E admito que hoje ele está bem abixo do que fazia em Alias, no ínicio de Ultimate Spider Man e principalmente em Demolidor, pra mim seu melhor trabalho.

Mas quanto a "diálogos superficiais", não sei não. Continuo achando que ele manda muito bem nesse quesito, e humilha qualquer outro roteirista, Talvez isso seja porque o nível geral está muito baixo.

Daniel disse...

Jackson,
quando falo de "diálogos superficiais" estou estabelecendo uma comparação com aquilo que o Bendis já escreveu. Também sou um admirador de alguns dos trabalhos dele (para mim, Alias e a sua fase no Demolidor são pequenas obras-primas), mas é visível que a qualidade criativa do cara está em decadência. Penso até que "Os Iluminati" apresentaram bons lampejos do antigo Bendis, mas de resto...
Na minha opinião, a atual fase dos quadrinhos de super-heróis vive uma saturação. Quantas mega-sagas a DC e a Marvel apresentaram aos seus leitores no decorrer dos últimos 5 anos? Quantas delas foram realmente coerentes em seus respectivos desfechos e empolgantes do início ao fim?
Quantas destas mega-sagas tiveram as suas conclusões apenas como trampolim para a mega-saga posterior?
A última história com fragrância de originalidade que li foi "All Star Superman".
Sinceramente, não tenho me entusiasmado muito com as HQS de super-heróis nos últimos anos.

Claudio Cardoso disse...

Depois de ler todos os comentários acima e avaliar as diversas opiniões acaloradas sobre FM que, inevitavelmente, envolveu outros autores, posso reafirmar minha decisão já até antiga. PAREI NA HORA CERTA DE LER HISTÓRIAS DE SUPER HERÓIS. Vou guardar comigo somente as memórias dos tempo áureos.

ANA, conselho de amigo. Vá na Amazon e compre o último volume de Preacher. Não aguentava mais esperar para sair o final da série por aqui.

Corintiano Verde disse...

Sidão, coloca a outra ilustração em tamanho mais decente. Não dá nem pra ler o que está escrito na capa.

Anderson disse...

Por falar em Claremont, outro dia eu reli um trecho de Massacre dos Mutantes (história que me fez me apaixonar por HQ de heróis) e pensei: putz, como posso um dia ter achado a melhor coisa do mundo essa porcaria...?

O Claremont continua o mesmo, a gente é que evoluiu.

samhart disse...

concordo com o Sidney, e muito interessante as observações do Codespoti...

Sidney Gusman disse...

Corintiano Verde (não sei como é possível você existir, rs), coloquei a imagem no post.

Dá uma olhada.

Abraço

Anônimo disse...

Faltou falar só uma coisa. Gênio das HQs hoje em dia é o Darwyn Cooke, que fez uma série do Spirit absurdamente legal (os painéis de entrada das histórias, splash pages a la Eisner, são sensacionais). E o encadernado com as histórias do Aragonés também é muito legal. Spirit descomplicado, bem desenhado pracas(tem até história do Eduardo Risso)e muito divertido. Comprem os gibis e não vejam o filme. Ponto pra Panini, já que o Spirit não é exatamente um Batman aqui na Brazucalândia (só falta publicar o final da história do Cooke - afinal que está acontecendo nessa história?)

Sidney Gusman disse...

Anônimo, acho o Spirit do Darwin Cooke legalzinho apenas.

Dessa série nova, só curti pra valer as HQs do Aragonés e do Evanier e a desenhada pelo estupendo Jordi Bernet.

Abraço

Anônimo disse...

Sidney,
já li que você um dia aconselhou alguma editora a publicar Tintin, ela não foi para cima, a Cia. das Letras abocanhou e publicou tudo (pelo jeito, com sucesso). Será que não dá para aconselhar alguma editora marca-touca a publicar o Spirit do Eisner? Vai que a Cia. das Letras se anima. Imagina que show?

Anônimo disse...

Já q falaram nisso, alguém sabe q fim levaram os nº 5 e 6 da mini do Spirit pelo Cooke? A fase do Aragonés era posterior e saiu completa...

Edu disse...

Ops, só assinando o comentário acima q esqueci :/

Rodrigo Sava disse...

Sou um dos que ficaram alucinados lendo o primeiro "Cavaleiro das Trevas". Quando li a continuação, tive a sensação de que Miller estava querendo chutar o balde, politicamente falando. Surgiu nele uma revolta, não sei exatamente do que, mas que ele não soube materializar em sua obra, e talvez venha daí o tom sofrível de seus atuais roteiros..