26 março 2008

Cansei...

Antes de tudo, gostaria de salientar que, embora eu possa ser alvo de xingamentos e pedras endereçadas à minha pobre cabeça, reservo a mim o direito de, nos parágrafos abaixo, expressar minha opinião e esculhambar a atual (e longa) fase sofrível dos quadrinhos Marvel e DC.

Quando Guerra Civil começou, logo de cara me empolguei. Era como se tudo ainda tivesse salvação, uma masturbaçãozinha mental inofensiva de nerd, aquela coisa de ver mocinho contra mocinho. Voltei a sentir prazer em “degustar” uma HQ de super-heróis, depois de tanto tempo comprando por vício ou por não querer ficar totalmente alheio a esse mundo dos supertipos no qual convivo desde a tenra idade.

Bem, o final e as conseqüências da série foram um banho de água pra lá de gelada. Na minha santa inocência, também imaginei que tudo voltaria a ser como antes. E deveria voltar a ser como antes. Herói agindo como herói, vilão sendo caçado e preso (ou levando porradas homéricas). Afinal, é isso que eu espero desse gênero de quadrinhos. É simples. Bem contra o mal. Bem vence o mal. Socos, exibições de superpoderes e tchau. Dane-se o quanto isso possa soar infantil na atualidade.

Qual o sentido de me fazer odiar o Homem de Ferro e o Reed Richards? E de ver os heróis na clandestinidade? E os Vingadores divididos em 3962 equipes? E supostos “heróis” que agora são cretinos que querem dominar o mundo e incitam uma guerra entre os até então amigos? E quanto às trocentas ramificações que me forçarão a acompanhar um monte de títulos pra conseguir entender um pouquinho dessa trama escrota?

Se isso vai mudar um dia, ótimo. Mas, até lá, chega! Adeus, Marvel! Foi bom (e, às vezes, nem tanto) enquanto durou.

E como até o título do Homem-Aranha não se decide entre o ruim e o pior (e ainda vem por aí a baboseira do restart), meu suado dinheirinho vai ser destinado a outras revistas em quadrinhos que valem a pena ser lidas, guardadas e sempre lembradas (e isso inclui os encadernados das boas fases da "Casa da Idéias”, que a Panini - ainda bem - continua lançando).

Quer dizer que vou continuar só com a DC? Pfff... que nada! Talvez eu fique só com Batman. Essas tosqueiras de Crise do Cacete, com histórias ruins, confusões de cronologia e dificuldade de entender as tramas, tudo interligado, não entram na minha goela (meu Deus, como alguém consegue ler 52 e gostar daquilo? Qual o sentido dessa série? Por que histórias modorrentas e que parecem levar a lugar nenhum? Parei na edição 5, depois de me segurar ao máximo pra não largar antes, quando tudo tinha cara de não precisar mais se prolongar).

Quadrinhos, pelo menos pra mim, é diversão (embora eu ainda consiga ganhar um dinheirinho com isso). A partir do momento em que vira obrigação comprar gibis que não quero, só pra entender uma trama ou saber o que vai acontecer a determinado personagem, já deixa de ser prazer.

E quando a leitura se torna confusa, cansativa e mostra a necessidade de conhecer complicados eventos passados, não é mais lazer, prazer ou hobby: é masoquismo.

Trocando em miúdos: perdi o tesão em acompanhar as HQs mensais de super-heróis da Marvel e da DC.

O que eu quero é gastar meu parco tempo disponível com leituras agradáveis, que me façam rir, chorar, divagar ou deixar o tempo fluir de uma forma que nem se perceba. Não quero ficar com dor de cabeça, cara feia, pontos de interrogação saltitando ao meu redor ou rezando pra revista terminar logo, sem a mínima vontade de comprar a edição seguinte.

Se não tiver socos na realidade ou a presença dos Skrulls por trás de tudo, já é meio caminho andado. :-)

44 comentários:

Rafael Duarte disse...

Marcus, boa escolha!

Na minha recém estreada coluna HQ no site www.ciberarte.com.br eu falo um pouco sobre isso.

Abraço.

Cristiano disse...

Vá para a Vertigo/Wildstorm/ABC. Lá, as histórias não duram 40 anos, vc não precisa ler tie-ins, as séries são autorais e finitas. E os roteiros são MUITO melhores. Ainda gosto de heróis, mas não troco Sandman, Preacher, Planetary, Promethea, Invisíveis, Transmetropolitan e Monstro do Pântano por nenhum grupo de marmanjos de collant se esmurrando, soltando rajadas, morrendo e ressuscitando.

Marcus Ramone disse...

É exatamente isso que ando fazendo, Cristiano. :-)

Rafael, passa aí o link pro seu texto.

Sérgio Coutinho disse...

Marcus,

Também cansei. Prefiro juntar uns trocados a mais e pegar os encadernados de histórias clássicas.

Sidney Gusman disse...

E tem MUITA gente fazendo isso, Sérgio. Entendo o Ramone. Eu, que recebo as revistas da Panini, já me peguei nessa vontade de parar de ler super-heróis - e acho que só não o fiz (ainda) por obrigação do ofício.

Afinal, hoje no gênero salva-se pouquíssima coisa. Está, realmente, difícil de engolir.

Rafael disse...

Como diria o velho deitado: Antes tarde do que mais tarde...

boa decisão a sua. Só pra constar, o meu "insight" se deu durante a famosa saga dos clones. Na época fui mais radical do que você. Simplesmente larguei mão de ler gibis... Levei alguns anos para voltar a comprar quadrinhos.

Victor disse...

Ramone, só posso dizer uma coisa: BEM-VINDO AO CLUBE! Estou nele há 5 anos, e não me arrependi nem um pouquinho!

Há cinco anos parei de comprar todas as "revistas de linha" que saem nas bancas (e, acredite, teve uma época em que eu comprava TUDO o que saía nas bancas). Há cinco anos não acompanho NENHUMA série mensal. Faço assim: quando vejo que algo é bom, que foi elogiado, eu compro o encadernado, seja ele publicado aqui no Brasil ou lá fora (depende da cotação do dólar).

O que ando em geral comprando são séries "fechadas", assim que saem em encadernados, como Supremos, All Star Superman, Invencível, ou então compilações de fases clássicas dos quadrinhos (as bibliotecas da Panini ou os Omnibus).
Também procuro equilibrar minhas compras, tentando fazer com que pelo menos metade do que eu leio não seja de super-heróis. Só gostaria de ter mais acesso à coisas européias.

A notícia publicada hoje no UHQ, em que o desenhista Igor Korday critica a sanha lucrativa das editoras americanas é sintomático. Quando a gente lê o que foi criado pela Marvel nas décadas de 60 a 80, quando lemos os testemunhos sobre aquela época de gente como Stan Lee, John Byrne e Roy Thomas, nós temos a impressão de que sim, a Marvel era um negócio e eles tinham que ganhar dinheiro - mas, antes de tudo, todos eles se divertiam pacas fazendo aquele trabalho. Hoje, a DC é só mais um pedaço da megacorporação Warnner, e a Marvel é uma vendedora de franquias.

Gosto de alimentar umas ilusões sobre os personagens marvel: como eu só coleciono o que foi publicado antigamente, gosto de pensar que o final das histórias deles não foi publicado e, por exemplo, o Peter Parker, após a saída do John Romita de suas aventuras, decidiu largar esse papo de ser super-heróis, abandonou a carreira e virou um químico famoso, o quarteto fantástico, após aquela fase do John Byrne, decidiu fazer uma viagem sem volta para dimensões paralelas, de saco cheio das apurrinhações do Dr. Destino, e que os Vingadores, após a saída do Steve Englehart e do George Perez, se dissolveram porque não queriam mais um chato como o Henry Gyrich pegando no pé deles. Ah, e o Capitão America, após a fase Mark Gruenwald, largou o escudo e foi morar no Vietnã, onde casou com uma bela vietnamita, tendo quatro belos filhos de olhos puxados e cabelos claros.

Marcelo Fontana disse...

Assino embaixo.

Há tempos em que a Marvel e a DC se preocupam mais em amarrar o leitor, através de uma cronologia aborrecida e viciante, do que fazer com o que esse mesmo leitor tenha prazer em consumir suas HQ´s.

Zé Oliboni disse...

olha, eu vou nadar contra a corrente. Por mais que tenha coisa ruim, por mais que tenham os seus problemas eu compro as mensais da Panini porque eu gosto. Simples assim, talvez precise de todos os anos de leitura que o Ramone, o Nara e o Sidão tenham para cansar, mas, por enquanto, não cansei.

Marcus Ramone disse...

Zé, que bom que você continua apaixonado. Mas o meu casamento acabou. :-)
Ainda tem histórias que me agradam, como as do Demolidor e as do Hulk, talvez porque, por enquanto, não foram afetadas pela Guerra Civil. Mas continuar comprando Marvel Action e Universo Marvel só por causa deles, não dá.

Guilherme Neto disse...

A cronologia oficial dessas editoras é algo ultrapassado demais, não sei como tem gente que ainda acompanha.
Querem escrever sobre super-heróis fantasiados defendendo os EUA? Oquei, mas em minisséries, sem crossovers e atitudes caça-níqueis como a morte-não-morte de personagens.
Fora que essa onda de patriotismo ianque cansou faz tempo.

Amalio disse...

Eu também fiz a mesma coisa, inclusive peguei tudo que eu achava imprestável e troquei,vendi ou doei. Hoje só compro os encadernados com as melhores fases, algumas minisséries e Vertigo/ABC/WildStorm. Só depois de me livrar desta dependência é que pude ler coisas como Hans Staden, Chalaça, Capitão Presença, Corto Maltese e outras muito melhores que as sagas intermináveis que nunca terminam (pode parecer redundância, mas não é!).

Guilherme Veneziani disse...

Sem querer divagar muito, mas divagando. Acho que o ser humano gosta e se vicia com essas histórias intermináveis. É como novela (que não assisto por sinal, justamente para não viciar, rs.), é ruim, você tem plena consciência disso, mas o simples fato de você acompanhar o suposto desenvolvimento do personagem pelo qual você se identifica, ou gosta, acaba prendendo sua atenção.

Agora, com relação ao assunto central, acompanho o raciocínio do Zé Oliboni. Algumas HQ´s ainda me divertem.

Eu até acho que tem coisas que prestam bem nas mensais. Essa fase do Superman com Busiek tá legalzinha, Demolidor com Brubaker também e o Justiceiro MAX com o Ennis. Sem contar o Batman (sempre ele) por razões puramente emocionais jamais deixará de ser comprado... Ah! e estou gostando bastante da atual fase da Sociedade da Justiça com o Geoff Johns. E olha que nessa fase de Guerra Civil a única coisa que me deixava de mau humor eram as histórias dos Thunderbolts (que agora parece que vão melhorar)...

Guy disse...

Só tenho a lhe agradecer por esse comentário, já vinha pensando semelhante a vc e com certeza ouvir o seu testemunho me estimulou a fazer o mesmo e passar a dedicar o espaço da minha estante somente aos encadernados e aquilo que realmente nos dá prazer em ler.

Pedro disse...

Antes de mais nada quero apontar a brutal incoerência de se criticar as megassagas e a pesada continuidade da Marvel e, ao mesmo tempo, criticar a reformulação do Homem-Aranha em "Brand New Day", que é a ÚNICA tentativa corrente de uma grande editora americana de "desamarrar" seu personagem das más decisões do passado (e o Aranha anda no lodo há mais de 15 anos!) e voltar a escrever material descompromissado no estilo clássico. Afinal, ou se quer uma coisa ou se quer outra, criticar ambas significa apenas que você está velho demais para ler super-heróis!

E, se este for o caso, permita-me sugerir a linha européia da Panini. Histórias de qualidade, desacopladas de qualquer cronologia e sucesso de crítica. Repare na média das resenhas da linha no UHQ:
Aldebaran - 4,5
Blueberry - 5
Blacksad - 4
XIII - 3,8

Nada mau, hein? E é material que pode ser lido por jovens e adultos, vendido em seus países de origem para gente normal, ao invés de nerds obsessivos com minúcias de continuidade. Testado e aprovado pelo público internacional!

E se esse tipo de quadrinhos fizesse sucesso no Brasil, os outros 3000 lançamentos anuais na França poderiam dar as caras também. Material para todos os gostos e públicos, com um padrão médio de qualidade inimaginável para Marvel e DC!

Isso é possível! Basta todos quererem!

Hunter (Pedro Bouça)

Marcus Ramone disse...

Quem dera fossem publicados mais quadrinhos europeus no Brasil, Hunter... Sou fã incondicional deles.
E quanto ao Aranha, "desamarrar" o personagem das más decisões do passado não justifica incorrer em outra má decisão no presente.

O Grande Escapista disse...

Eu até que estou gostando da 52. Sei lá, tem umas reviravoltas e fala de uns personagens coadjuvantes que achei que só eu lembrasse, tipo o Skeets.

Eduardo Nasi disse...

Tou com o Hunter num ponto central desse debate: é o próprio leitor que alimenta esse mercado. O mercado aparentemente acompanhou o boom de revistas de super-heróis nos últimos anos.

O resultado é que as poucas séries boas foram forçosamente espalhadas em revistas demais. Ficaram rarefeitas. No passado, a Panini já pôs nas bancas revistas 100% bacanas, como o começo de Paladinos Marvel. Hoje, concentrar quatro séries boas em um só título acaba desfalcando outras revistas. E tudo isso porque parece que, para a Panini, vale a pena investir em super-heróis. E isso porque, insisto, o leitor parece acompanhar a onda.

Se abundam e até sobram leitores de DC, Marvel e quejandos, pelo jeito faltam leitores em outros gêneros.

Não é para contradizer o Hunter, mas não tomo o ótimo material europeu da Panini como exemplo aqui porque eles foram vítimas de más decisões editoriais, questão que já foi assumida pelos próprios editores da casa.

Mas o mercado brasileiro cresceu em outras opções. Pô, só nos últimos meses temos Black Hole, Epilético, Love & Rockets, Pyongyang, Tintins a rodo, Persépolis (reeditada!), Lost Girls, Clara da Noite, Incal e Antes do Incal, Fun Home, Jornada ao Oeste, Peanuts, Promethea e um mundo todo de opções que, pro meu gosto, são muito melhores que o que tem por aí.

Mas é mais comum ver gente reclamando da Crise Infinita e comprando do que buscando novas opções -- inclusive oferecidas pela própria Panini.

Jader, O Pitoresco disse...

Marcus, tenho que te dizer que esse seu desabafo foi pra mim um alívio em vários sentidos (principalmente financeiro)!

Coleciono batman e a muito tempo vinha planejando fazer uma coleção com tudo referente a Crise de Identidade e Crise Infinita (incluindo a serie 52). Montei até um cronograma pra não deixar passar nada e, mesmo vendo resenhas tão pouco favoraveis, ainda estava disposto a investir.

Não fazia ideia da bomba que eu estaria levando pra casa. Graças a você, Ramone, estarei economizando uma boa fortuna (você deve ter noção do tamanho da grana que estava em jogo). É bom ver que a maldição do jabá não alcançou o jornalismo que trata da nona-arte. Sou lhe imensamente grato!

QUE DEUS O ABENÇOE!!!

Cristiano disse...

Tb acho. Pra mudar, tem que ter impacto nas vendas. Os mesmos caras que reclamam são os que torram a grana toda em mensais lixão e acham um absurdo pagar 29,90 num encadernado de Preacher, Hellblazer ou outra coisa qualquer que vale muito mais a pena. E Aldebaran, caras. Aldebaran é foda! Quem não comprou esse TP do Monstro do Pântano da Pixel e gastou a grana com X-Men não sabe o que está perdendo.

Eu só compro encadernados, e só de coisas que realmente quero ler e guardar pra ler de novo quantas vezes quiser. E, definitivamente, mais uma história como o Aranha surrando um vilão com nome de bicho não se enquadra nessa categoria.

Meu lema é: a cronologia não existe. Ignoro a existência dela e vivo feliz, comprando histórias boas, sem me preocupar onde elas se encaixam na história infinita.

Gustavo Carreira (requiem) disse...

A fórmula para as estórias de super-heróis está gasta ao fim de décadas de repetição... actualmente, nem os maiores argumentistas conseguem escrever algo de inovador, tirando algumas raras excepções.
Há que levar em consideração que a maioria dos actuais leitores de comics já os consome há muitos anos, e, claro está, precisa de inovação.
Nesse sentido, o material da Vertigo, Wildstorm, ABC, Image, Virgin, etc, consegue ser muito mais apelativo, porque pode começar do zero, sem estar preso a cronologias complicadas e presas por fios.

O descontentamento com o rumo da Marvel e DC para ser universal... que efeitos terá isso nessas editoras?

Gustavo Carreira (requiem) disse...

* o descontentamento com o rumo da Marvel e DC PARECE ser universal... que efeitos terá isso nessas editoras?

Sérgio Codespoti disse...

Acho que essa ruptura com os super-heróis, sejam eles da Marvel, DC, Image, ABC, etc, é resultado um misto de fatores como a idade do leitor, sua tolerância para com a incompetência editorial americana, o grau de nostalgia envolvido entre o leitor e estes personagens, e o dinheiro gasto mensalmente em histórias ruins. Existem outros fatores, mas acho que estes são os principais.

Entendo bem a posição do Ramone, com quem conversei muito sobre os eventos recentes, particularmente sobre Brand New Day, Guerra Civil e outras coisas do gênero.

Meu ponto inicial de ruptura aconteceu por volta de 1994 (quando tinha 28 anos). Comecei a diminuir radicalmente a minha compra de revistas americanas. Mas gosto do gênero e voltei a consumir super-heróis, mais regularmente, por volta de 1997, mas com outros olhos. Muito mais seletivo (apesar de infelizmente gostar dos mutantes... uma praga isso, pois 90% do que é publicado deste pequeno segmento é ilegível).

Na verdade eu gosto mesmo é de quadrinhos. Não importa se o material é brasileiro, europeu, japonês, americano. Tem que ser bom, bem escrito, bem desenhado, bem feito.

O que me irrita hoje (aliás, sempre me irritou, mas hoje irrita ainda mais) é a qualidade vergonhosa dos desenhos e do colorido e a incompetência editorial generalizada, que não consegue transformar a atual onde de interesse nos quadrinhos, numa ferramenta para atrair novos leitores e expandir os horizontes.

Os roteiros também são horríveis. A grande maioria dos escritores não sabe escrever uma história interessante, muito menos para quadrinhos. Desconhecem os recursos narrativos, e quando os artistas são ruins a situação fica tão evidente quanto uma fratura exposta.

Basta levar em consideração que dá para contar nos dedos os bons escritores, e os bons artistas americanos (aqueles que realmente dominam tanto a técnica do desenho quanto a narrativa dos quadrinhos) não passam de uns 30.

A fórmula é velha, e o único resultado regular é dinheiro no bolso das mega corporações.

Mas o lucro poderia ser maior. A quantidade de leitores de quadrinhos, nos Estados Unidos, poderia ser maior. A variedade de revistas poderia ser maior. O dinheiro poderia ser gasto na diversidade e não apenas no crossover do mês. Isso, se a imbecilidade dos executivos responsáveis fosse menor. Mas este é um assunto longo. Muito longo.

Não que o Japão ou a Europa não tenham os seus problemas com os quadrinhos, mas lá a qualidade da arte e das histórias não está tão baixa. Existe diversidade suficiente dentro de cada gênero, para que os leitores não se sintam tão insatisfeitos.

Mas, voltando aos super-heróis, acho que quem gosta do gênero ainda tem o que ler. Nem sempre do mesmo personagem, ou da mesma editora (e aí está o problema).

A minha lista dos “legíveis” atuais - falando apenas de Super-Heróis, que fique bem claro - inclui o Justiceiro (do Ennis), Astonishing X-Men, Punho de Ferro, Lanterna Verde (fase que me dá uma nostalgia, sem falar nos belos desenhos do Ivan Reis), Demolidor, Capitão América, Planetary (quando eventualmente sai um novo número), All Star Superman, Simon Dark, BPRD, Hellboy, Superman (do Busiek que se alterna entre legível e maçante), Quarteto Fantástico (Millar e Hitch).

Fora disso existe ainda muita coisa americana para se ler, mas não é exatamente de super-herói, como por exemplo, Criminal e 100 Balas.

E saindo completamente do gênero e das grandes editoras (e até dos Estados Unidos), existe uma diversidade de boas obras. Boas histórias em quadrinhos é o que não falta.

Boa leitura para todos.

Lielson disse...

Marcus, faz um bom tempo que parei de acompanhar.

o tiro na testa da minha coleção foi a linha Premium.
como estudante que morava fora de minha cidade não podia me dar ao luxo de comprar aquilo.

que além d etudo era em garnde parte ruim.

hoje só acompanho 2 revistas: Pixel magazine e Marvel Max.
e essas coisas que não estão ligadas tão fortemente à cronologia, como batman extra e minis.

sempre fico tentado a comprar Marvel Action por causa do Demolidor, mas ainda não o fiz. Por causa da droga da Guerra Civil, que eu não queria ler.

ia comprar o batman , por causa do morisson e o Super-homem, por causa do Busiek, mas desisti.

antes de eu entrar em Crise.

Ranzinza disse...

Vcs estão reclamando de barriga cheia.
Leio quadrinhos desde meus sete ou oito anos, fui praticamente alfabetizado com eles.
Eu lia a Liga da Justiça desde que eles eram chamados de Justiceiros pela saudosa EBAL.
Estou com quarenta e sete anos, imaginem quantos sapos já tive que engolir e ler...
Vc tem razão, não há mais paciência para ler esses gibis hoje em dia.
Saudações a todos!

Rafael Duarte disse...

Ok Marcus, segue o link para a coluna Hq. Neste

http://hq.ciberarte.com.br/

O link para o site é

www.ciberarte.com.br

Abraço.

Lucas Pimenta disse...

Grande Marcus, bem vindo ao clube...

Com certeza já dvee conhecer Ken Parker, então sai a caça das edições da Tapejata e as recentes do Cluq e boa leitura rapaz...

Além disso a panini vai recomeçar com sua linha europeia... então manda bala...

Na linha de super herois, apenas esses ai que o Codespoti citou... No mais tá tudo muito dificil mesmo.

Vale a pena acompanhar J. Kendall: As aventuras de uma criminóloga e Mágico Vento, que a Mythos editora, coloca todos os meses nas bancas...

Abração

Lucas

toni30 disse...

Parei com quase todos em 2008 também. O final de Guerra Civil foi um lixo. E a DC não está nada melhor. Com algumas honrosas excessões espalhadas pelos titulos da Panini, a imensa maioria do que sai no momento é um grande desperdicio de tinta de impressão e papel. Uma pena. Ainda dá pra ler Magico Vento e Julia, as coisas da linha Vertigo e ABC e Marvel Max, apesar da "Nova Onda" que era uma droga. Nem o Demolidor tem escapado.

Zé S. A. disse...

Putz, Ramone. Eu entendo pacas a tua posição, mas tu generalizaste horrores. E, cara, 52 é muito bom!!! Mas gosto é gosto.

Marcus Ramone disse...

Lucas, saiba que Mágico Vento, Júlia, Zagor e Tex nunca deixaram de estar na minha lista de preferências. :-)
Coleciono todos, mensalmente (incluindo os títulos bimestrais, semestrais e anuais), desde o número 1.
Até as coleções das editoras anteriores eu tenho completas (com exceção de Tex, que faltam algumas dezenas de números).
Quadrinhos de super-heróis jamais foram minhas únicas opções, e nos últimos anos têm perdido destaque na minha coleção de gibis.

Victor disse...

hehehe, só para 'contrapontear' vou dizer o seguinte, para quem manja da língua do Bardo: vocês leram aquele preview de Secret Invasion divulgado no site da Entertainment Weekly? Pôxa, confesso que, mesmo sabendo que provavelmente no fim será uma grande porcaria, não há leitor de quadrinhos de super-heróis que resista a dar uma bizoiada naquilo e não ficar louco para comprar e ler o resto! É a mesma coisa que Civil War: não adianta dizerem (com razão) que as histórias não são grande coisa - mesmo sabendo disso, é praticamente impossível não querer ler uma história onde o Homem de Ferro soca o Capitão America, por mais ruim que seja. Esses executivos jogam baixo.
Mudando de assunto, acho que o pessoal que bolou Brand New Day pisou na bola, pois poderiam ter amarrado essa reformulação do Teioso com os eventos de Secret Invasion. Como? Ora, basta dizer que naquele acidente de avião onde a Mary Jane aparentemente morreu, o que aconteceu de verdade é que de fato ela faleceu, só que uma Skrull tomou o lugar dela! Tá certo, isso faria do Homem Aranha um viúvo, mas acho que um super-herói casado é um pouco menos pior que um super-herói viúvo, e certamente muito menos pior que essa besteira de contrato com o Cramunhão!

Anônimo disse...

Como já falaram acima, gosto é gosto. Generalizar tudo e todos, pelo menos para mim, não é o caminho mais correto. Ler super-heróis é algo que todos nós começamos desde crianças. Então, claro, crescemos, nossas necessidades mudam, nosso entendimento do mundo muda. Refinamos. Nem sempre as histórias acompanham. De vez em quando pego algumas revistinhas (formatinho da Abril), as quais devorava quando criança, e hoje, a leitura é quase insuportável. Histórias atuais, como Guerra Civil, 52, Crises, apesar de, obviamente, não serem 100% ideais, me entretêm muito mais. Já tentei ler Tex e Julia, mas não me empolguei. Gosto é gosto. O mais importante é continuar se divertindo, seja com super-herois, com europeus, faroeste, policial, mangá, etc. Afinal, desde o início o que buscamos é, durante aquele momento de leitura, poder viajar para outros mundos, outros universos,escapar da história real de cada um. Abraço.

Victor disse...

Pois é, o anônimo tocou num ponto interessante: eu estava lendo umas críticas sobre Civil War que os leitores escreveram no site da Amazon, e um cara lá reclamou que o arco principal, do Millar, tinha as seguintes incorreções: (1) os heróis tomavam atitutes que não "fechavam" com seu típico comportamento, seu modo de ser tradicional; e (2) havia algumas situações insólitas, como, por exemplo, o momento em que os heróis que fogem da prisão, ao invés de saírem correndo, decidirem lutar com os heróis pró-registro, atitude essa que o leitor que escrevia o review considerou pouco coerente.

Ora pessoal, tirando o fato de que no fundo a crítica defendia era a cronologia (o comportamento 'padrão' do personagem também é substrato da cronologia) basta ler as histórias publicadas em Heróis da TV e em Superaventuras Marvel para a gente ver que lá também havia muita coisa "incoerente", comportamentos bobos e injustificados dos personagens, algumas lutas que não faziam o menor sentido, muitas histórias simplismente bobalhonas - mas divertidas!

Aí vem o que disse o Codespoti: de certa forma não foram os quadrinhos de heróis que pioraram, mas nós que ficamos adultos e cobramos uma maturidade, uma coerência e uma qualidade das histórias de super-heróis que elas, quando éramos pré-adolecentes, jamais tiveram. O que relemos com saudosismo, se fosse inédito e publicado hoje, nós acharíamos um bocado idiota.

No final queremos transportar para as histórias de super-heróis, de gente que usa a cueca por cima da calça, uma qualidade e uma maturidade que nunca foram próprias desse estilo! Uma qualidade e maturidade que é própria de outros estilos, como a linha Vertigo, alguns quadrinhos Europeus e coisas mais elitistas.

Um dia desses eu estava relendo a fase Claremont/Byrne do X-Men e, convenhamos, havia muita, mas muita bobagem naquelas histórias. Mas é isso mesmo, talvez quadrinhos de herói tenham que ser essa infantilidade, tenham que ter esse estilo caça-níquel (tipo "comprem essa história porque vocês verão o batman socando o superman", "comprem essa outra porque aquele herói que vocês achavam imortal bate as botas...ops, mas agora ele renasceu! comprem o renascimento dele também!").
Sei lá, só escrevi isso para olhar o 'outro lado'...

Thiago Augusto Corrêa disse...

Marcus, eu concordo com você a respeito das revistas. Coleciono o Aranha da Marvel simplesmente porque sou muito fã, por amor a camisa deixo 7 reais na banca pra receber cocô em pisa brite (Isso aqui foi algo que o Sidão disse numa palestra que vi, na época ainda era cocô em couchê. Rs.)

Gosto também do Batman e ainda compro as revistas pois mesmo uma trama simples policialesca já me alegra, gosto de ver o detetive investigando apenas, mais nada.

Sobre o 52, eu gosto mto. Que pena que vc não viu apreço pela série.

Mas sua desistencia é justificada, e desejo Boa Sorte. Sua idéia é uma das melhores mais ainda sou fraco pra desistir. Sempre que vejo o set list da panini fico morrendo de vontade de ler tudo.

Mas um dia eu paro, paro sim.

Abração

Sandro disse...

Minha gota dágua foi muito antes, mais ou menos na época da queda do morcego e aquelas realidades alternativas da marvel - heroisrenascem e era do apocalipse.

de la pra ca, so me empolguei com series mensais por causa do selo max (poder supremo vai deixar saudade) e o universo ultimate.

de resto - so quadrinhos "adultos"(vertigo, ABC, wildstorm)

Anônimo disse...

E o pior de tudo é que se peneirarmos, encontramos coisa boa, mas como o mercado de quadrinhos brasileiro é a base de "revistas mix" eu me recuso a pagar 7 pilas pra ler apenas uma história boa.
Gostaria de ler Demolidor, Sociedade da Justiça, uma ou outra hq do Super, algumas coisas de Marvel Max, mas me recuso a fazer parte da corja que sustenta essa palhaçada de maxi-séries caça-níqueis! Tenho economizado uma boa grana por mês, me prometendo gastar tudo com encadernados.

Wagner

Anônimo disse...

O Victor realmente acertou em cheio para mim. Não há como nós, na casa dos trinta anos ou mais, termos a mesma emoção ao ler uma história de super-heróis, a melhor que seja, igual àquela que tínhamos em nossa infância. Eu, ao comprar e ler histórias de super-heróis, ao assistir a uma Liga da Justiça sem Limites na TV, quero mais é tentar voltar para aqueles anos saudosos.

Um exemplo que muito vão me jogar pedras eu sei: comprei todo empolgado o lindo encadernado das Guerras Secretas da Panini. Na minha memória (e quem leu Violent Cases de Gaiman talvez entanda um pouco o que quero dizer), aquela aventura foi um marco. Eu simplesmente devorava os formatinhos, lia e relia o mês inteiro enquanto esperava o outro número. Pois, li o encadernado, lindo, formato americano, papel especial.

E aí vem a história. Verborrágica. Recordatórios e recordatórios. Personagens "falando" sozinhos ao invés de apenas "pensar".

Simplesmente não foi o que eu esperava. Nunca vai ser. E mesmo assim, é algo. Diferente. Apenas diferente.

O que quero dizer é que, histórias dos anos 60, 70, 80 são/eram ótimas, maravilhosas. Para alguns. Como as histórias de hoje, alguns gostam. Outros não.

A unanimidade sãos os anos 90. Esses, não tem jeito, graças à dona Image e o sr. Liefeld.

Marcello F Nunes

Lucas Pimenta disse...

Marcus, tb não tenho uma coleção completa de tex... mais me diga quais são os números que lhe faltam... Quem sabe não os tenho aqui, e voam da Bahia de presente pra você.

E Ken Parker, sempre colecionou também?

Abraços

Adriano Sousa disse...

Esse post do Ramone disse tudo.

Antigamente eu comprava tudo que saía na banca de heróis.
De saco cheio das mega-sagas, primeiro larguei a Marvel.
Alguns anos depois abandonei a DC também, só comprando atualmente a "Batman" e a "Batman Extra", que é um vício que me permito ter. Mesmo assim, o nível das histórias está bem ruim.

Acho que uma boa alternativa são os mangás. Estou colecionando a "Samurai X" e as histórias são fantásticas! O Conan também sempre foi uma bela revista, mesmo com altos e baixos.

Reticências disse...

você foi um heroi, eu só li até a terceira edição de 52.

revista boa no mercado hoje em dia,é só batman extra mesmo.

Anônimo disse...

Minha opinião é de que estas mega-super-ultra sagas servem apenas para VENDER revistas... Os executivos estão se lixando para os roteiros acéfalos e desenhos "mangalizados" (é outra praia), sua intenção foi, é e sempre será o LUCRO, em detrimento da criatividade...

Joel Philipe Casado disse...

No aguardo de um post seu sobre seu retorno ao mundo dos heróis Marvel/DC...

José Geraldo DeMarco disse...

Não podia concordar mais.
Aos 44 anos de idade, leio quadrinhos desde antes de aprender a ler (meus pais liam para mim), mas não consigo suportar o lixo que vem sendo publicado pela Marvel e DC. Roteiristas incompetentes, desenhistas fraquíssimos (e que ainda tomam o lugar de muito veterano mil vezes mais competente) e tramas enroladas que ninguém consegue entender. Meu negócio agora é ler os mangás (Full Metal Alchemist, Bleach, Gantz e quase todos os outros que são publicados aqui), o material da Bonelli (Júlia, Mágico Vento, Tex) e uma porção de coisas importadas (desde clássicos americanos republicados, como On Stage, a mangás japoneses traduzidos em francês, como os títulos de Mitsuru Adachi, aos álbuns dos grandes autores franceses).
Por mim, se a Marvel falisse seria uma boa coisa. Esse lixo todo nas bancas só faz os leitores desistirem dos quadrinhos.

Marcus Ramone disse...

Joel (tá usando o sobrenome do Markus e do Pablo, seu véi da peste?), torço pra retornar com tudo à Marvel e à DC (como eu disse, devo continuar ainda com o Batman).
Quando isso acontecer, será porque tudo de ruim que eu - e muitos outros leitores - comentei neste post não farão mais parte das histórias de super-heróis.
E eu informarei em primeira mão a você a ao resto da nossa galera da mesa-redonda. :-)