25 março 2009

"Jingle bell, acabou o papel..."


Quem disse que quadrinhos têm que ser publicados em papel? Se são uma linguagem, as HQs podem ser produzidas em qualquer plataforma que as aceite. O verdadeiro limite é o limite dos criadores.

Na coluna Celulose vicia, publicada hoje no nosso site, arrisco dar uns passos nesse debate - que ainda tem chão pela frente. E haja chão.

Como é costume, o espaço para debates é a área de comentários deste post. E está, desde já, à disposição.

Até daqui a pouco.

27 comentários:

Diêgo Silveira disse...

O apego de alguns observadores ao suporte impresso se deve sim à dependência do mesmo. Dependência essa só contornada há poucos anos, ainda que parcialmente.
Com isso a praticidade do papel tem sido cada vez mais questionada. Afinal os meios digitais ampliam consideravelmente as possibilidades estéticas das HQs. Quanto a isso, eu concordo com o articulista.
Só gostaria de observar que os efeitos de luz refletida (reação ao suporte impresso) e luz emitida (pela tela de um monitor) interferem sensivelmente no modo como reagimos à imagem. Modifica tanto imagens mono como poli-cromáticas. Isso tem importância para a maioria dos leitores? Não creio. Mas para observadores que vêm quadrinhos como quadros e outras obras de artesanato, tanto suporte impresso como digital merecem ser creditados pelo modo como interferem nas características físicas, enfim, na beleza das imagens.
Para mim, pelo menos, que desenho e pinto minhas HQs tanto em papel como, vez por outra, no photoshop... luz e suporte são importantes.
Então, viva à multiplicidade de opções.
E parabéns pelo artigo, Nasi.

Guilherme Kroll disse...

No começo do texto, eu tinha uma expectativa de que seria uma coisa, mas a abordagem do Nasi foi totalmente diferente. E, a despeito do anticlimax inicial, achei um texto interessante.

Toni Rodrigues disse...

Nasi, a minha grande dúvida com relação ao formato eletrônico é porque não fazer logo uma animação?
Já que os recursos exitem e estão cada vez mais acessíveis, porque fazer um desenho parado com um texto para ser lido (ao fim e ao cabo é isso)? Veja só o Mundo Canibal, que tem um site danado de bacana e tenta fazer um gibi em papel, não te parece um contra-senso? Veja, não tenho certeza de nada, só dúvidas. Todo mundo sempre falou que os quadrinhos são o cinema em papel, pois agora eles podem ser o cinema no duro, não seria melhor?

Eduardo Nasi disse...

Toni,

Na forma como vejo a coisa, não dá pra virar animação por uma série de motivos.

O primeiro é justamente que as linguagens são diferentes. Dizer que animação é uma "evolução" dos quadrinhos é como dizer que negar a fotografia como arte independente do cinema. Outra questão correlata é a do audiolivro e a dos livros propriamente ditos. Em tese, o conteúdo é igual, mas a percepção não é a mesma.

Além disso, há questões econômicas e de produção: o processo de fazer uma boa animação é imensamente mais caro, complexo e demorado. Exige uma equipe monstruosamente maior.

Se animações substituem quadrinhos tão facilmente, creio que os leitores já teriam substituído os seus gibis por fitas VHS nos anos de 1980.

Tentativas recentes (mas também as antigas) de simplesmente animar quadrinhos mostram que ainda há um longo caminho a ser percorrido.

Israel Junior disse...

Olá eduardo.
Bom eu achei a matéria fantastica!
Quando vc falou sobre os suportes urbanos me identifiquei na hora, pois ano passado a minha proposta para trabalho final do Curso de Artes Visuais era " Narrativas Urbanas" que consistia em eu passar para muros da cidade pequenas história em quadrinhos, aproveitando as divisões dos muros como requadro. Se vc quiser dar uma olhada http://tintanaveia.deviantart.com/art/Graffiti-dreams-inteiro-90297194

Ainda estou com está proposta de pé, pretendo compilar as fotos.

Eduardo Nasi disse...

Ótima iniciativa, Israel! Boa sorte e não esqueça de avisar quando o projeto rolar.

Leandro disse...

Concordo, mas tb nao necessita-se decretar a morte da hq em papel, ou em seus quadros de forma convencional. Mas ampliar as linguagens so trará beneficios.
abç

Guilherme Kroll disse...

Acrescento mais uma coisa, Toni. Pequenas animações podem aumentar os recursos narrativos de uma HQ mas não as desvirtuam como linguagem. Agora transformar as HQs apenas em só animações matará os quadrinhos como forma de arte.

Fabio Ciccone disse...

Celulose tem um grande apelo: poder ler no banheiro.

Falando sério, a portabilidade da revista é algo que nenhuma tela nunca vai substituir, nem pra HQ, nem pra livros. Não são todos (eu inclusive) que conseguem fazer leituras DENSAS na tela sem se cansarem. A revista você leva pro quarto, leva pro ônibus, leva pra qualquer lugar.

Eu mesmo sou autor de quadrinhos na internet e ainda assim gostaria de vê-los publicados. Além de tudo, os quadrinhos impressos têm um potencial muito maior para atingirem mais público.

Eduardo Nasi disse...

Fabio, você já ouviu falar do Kindle? A tela não emite luz e cansa tanto quanto papel. De qualquer maneira, vou ser direto: você é um viciado em papel. Procure ajuda.

Frederico disse...

Se a energia cair vc fica sem ler quadrinho e livros. :) E vamos ter que nos preocupar ate com virus nas historias que lemos. Se seu ebook cair vc pode perder todos seus quadrinhos se ele quebrar. E duvido, Nasi, que mande sua colecao pra fogueira. :)
Um abraco.

Eduardo Nasi disse...

Frederico: se sua coleção pegar fogo ou sua revista cair na privada você também terá problemas. O senhor é mais um viciado. Procure tratamento.

Eduardo Nasi disse...

PS: eu tenho uma bateria de energia solar para eletrônicos e bastante espaço para back-ups. Ou seja: só uma hecatombe nuclear ou a queda de um meteoro me impediria de ter acesso à minha coleção.

DS disse...

Poisé... eu faço meu quadrinhos prá papel - apesar de ter muito mais alcance em suas versões digitais, na web. Mais cedo ou mais tarde vou acabar abandonando esse vício, com certeza. Como todo vício, dá trabalho se livrar dele.

Anônimo disse...

Podem me chamar de viciado, junkie, o que for, mas prefiro meus Hellblazer em TP´s.

Sou um conservador...

Rafael H. Olivato disse...

Sou um viciado em papel. Não entendi absolutamente nada sobre a coluna.

Bem, deixando de lado a brincadeira, concordo que a expansão dos meios de publicação de HQs é benéfica para todos os lados.
Entretanto, por mais que digam que existe uma tela X que cansa tanto quanto papel, ou uma tela Y que cansa menos, não reflete, se adapta à visão do leitor e blablablá, ainda não testei nenhuma delas e sou levado a acreditar (por 'n' motivos e experiências com telas) que não superarão o confortável e o agradável de ler uma HQ no papel.

De qualquer forma, que venham os novos formatos!

Frederico disse...

Acho que livros e quadrinhos sempre terao um publico para versao em papel impressa. Nem que seja somente com tiragens menores e edicoes de luxo para colecionador. Nesse ultimo fim de semana reprisou o programa Umas Palavras do canal Futura com o Mauricio de Souza e entre outras coisas ele falou de um projeto de alfabetizacao na China usando os quadrinhos da Monica. So que seriam 180 milhoes de exemplares para cada revista ai ia embora uma floresta inteira, dizia ele, e por isso esse projeto seria pela web. Tem esse problema tb mas ainda acho que nem que seja usando papel reciclado ou o reflorestamento ainda publicariam quadrinhos no papel. :)
E concordo com o Rafael H., eh muito mais gostoso ler a versao impressa. Pode ser que tenham telas que nao cansam a vista mas eu, particulamente, odeio ler no monitor textos grandes. Talvez no futuro distante eu mude de opiniao. :)

Um abraco

Eduardo Nasi disse...

Olha, eu não duvido de nada. Conheço um cara que usa máquina de escrever até hoje. Mas fica o aviso: vocês são todos uns viciados em papel. Procurem tratamento!

Alessandro Abrahão disse...

Na minha opinião, as duas formas acabarão coexistindo. A maioria dos leitores de quadrinho vai querer ter um visualizador colorido desses no dia que tiver um preço acessível. Será muito mais cômodo levá-lo pra qualquer lugar para ler.

No entanto, todo mundo vai querer guardar as melhores histórias em papel.

A tendência é que fique como os mangás semanais que saem no Japão. O visualizador será como um preview, uma espécie de avaliador onde um monte de HQ´s aparecerão. Mas só as melhores ganharão sua versão encadernada.

O papel é um charme, Eduardo, coisa de colecionador mesmo. Olhe para sua coleção "The Complete Calvin and Hobbes" e você entederá o que estou dizendo.

Agora me responda: haveria alguma necessidade de se guardar em papel algo do tipo "Prelúdio para a crise final"? Bastaria a versão eletrônica...

Daniel disse...

Eduardo, concordo com vc. Acho que é importante buscar formas alternativas e explorar as diversas possibilidades. A única coisa que ainda me deixa confuso (ja que não usei nenhum desses novos aparelhos digitais) é se vai ficar boa a experiência de ler algo, que foi planejado para se ler no papel, em uma tela digital. Acho que sou viciado em virar páginas e ficar comparando uma página com a outra.
Ah, outra coisa, nao queime sua coleção, ou dê para alguém ou recicle. Queimar só iria aumentar o efeito estufa! :p
É isso, valew!

Sidney Gusman disse...

Eu sou um viciado confesso em papel. Só que este é um "vício" que não causa mal.

Mas é verdade: em papel eu prefiro guardar os materiais bons.

Guilherme Kroll disse...

Eu sou totalmente a favor da versão digital dos quadrinhos. Discordo do Fábio quanto ao alcance, na web o alcance é muito maior, pois o acesso é muito mais fácil e o investimento em uma HQ desconhecida muito menor. Entretanto acho que o papel tem uma vantagem grande e interminável em relação ao material eletrônico: é mais fácil o resgate. Não é preciso de softwares ou hardwares para ler algo em papel, apenas olhos.

Jason disse...

Meu nome é Jason Braun, e eu sou um viciado em papel. Mas não quero tratamento, não quero abandonar esse vício, não quero virar a página. Não vou julgar um livro pelo jpeg, nem folhear pixels atrás de uma história. Deixo os novidadeiros com suas geringonças, e me deixem com minhas resmas de sonhos feitos de celulose, tinta e talento.

Eduardo Nasi disse...

Olha, uma fábrica de gráficas está mal das pernas! -> http://www.thelocal.de/money/20090326-18265.html

Olha, a Samsung também está lançando um leitor de livro eletrônico: http://blog.wired.com/gadgets/2009/03/samsungs-new-e.html

Embora, claro, o maior sinal de que essa questão é pertinente é o fato de que, embora a coluna trate de uma porrada de coisas, todo mundo aqui, viciados ou não, só fala disso!

Olendino disse...

Já dizia Sérgio Augusto que gibi bom primeiro a gente cheira, e depois lê. Eu concordo. Logo, sou um viciado irrecuperável. Quando essas geringonças digitais puderem simular aquele cheirinho das revistas antigas da Ebal e da O Cruzeiro (as mais aromáticas de todas), me avisem. Por enquanto, me deixem aqui nesse beco escuro, lendo sob um velho poster (de papel) do mestre Magritte. Logiciel? Ceci n'est pas une bande-dessinée!

rafael disse...

Que a celulose aprisione os quadrinhos em um determinado formato é uma coisa. Que essa libertação signifique a extinção (ou a redução a um patarmar insignificante, em volume de produção) dos quadrinhos em papel é outra- e parece ser a torcida do autor.

Desde já, estou do lado contrário. Liberdade de formato sim, mas o papel é muito melhor.

Anônimo disse...

O cerne da questão é o surgimento de e-readers com tela colorida. Só isso. O resto da discussão é pura firula cosmética e tentativa de ser engraçadinho.
Quando tivermos e-readers coloridos sem emissão de luz como o kindle, que não cansam a vista, com preços acessíveis, sujeitos à massificação, aí acabou o papel. E também nisso, as HQs seguirão na esteira de livros, revistas e jornais.