18 fevereiro 2008

A corajosa declaração da Pixel

Os quadrinhos brasileiros acordaram com uma declaração corajosa de uma editora de quadrinhos acerca de seus cada vez mais constantes erros de português. Foi a Pixel Media, por meio de seu editor-chefe, Cassius Medauar, no blog da editora.

Trata-se de uma declaração que alia percepção, humildade e profissionalismo em um mercado que, cada vez mais, parece acordar para o fato de que foi-se o tempo em que se podia empurrar qualquer coisa para o leitor. Desde que o mercado se elitizou, no final dos anos 90, o consumidor nacional de quadrinhos está cada vez mais exigente e não quer ver nem vírgulas fora do lugar.

E ele tem razão: está pagando por um produto e quer que este seja impecável. No comércio, se o produto não estiver 100%, é código do consumidor em cima – e, hoje, as lojas trocam prontamente a mercadoria por uma em perfeito estado.

E no caso dos quadrinhos? Como trocar uma edição em que toda a tiragem possui problemas? Os casos são raríssimos, como o recente (e atrasado) recall das edições iniciais de Trigun pela Panini. Ainda que o motivo não fossem erros de vernáculo e, sim, questões comerciais e contratuais (as únicas que parecem afetar a sensibilidade de algumas editoras do mercado nacional), foi uma atitude respeitável. E inevitável.

A própria Panini, no entanto, tem nos proporcionado um triste espetáculo de falhas gramaticais, ortográficas e, às vezes, de pura revisão eletrônica automática.

A multinacional italiana, líder do mercado brasileiro de quadrinhos, ainda não se declarou oficialmente a respeito do problema. Outras editoras padecem, em maior ou menor grau, do mesmo mal. Como é o caso de Pixel. E a atitude de falar oficialmente ao seu leitor, pelo canal direto de contato que possui com o seu público, é mais uma mostra das mudanças que estão ocorrendo no mercado.

Editoras pequenas vêm dando o exemplo. As edições da Zarabatana, no quesito da norma lingüística, são certamente um dos melhores exemplos de cuidado e capricho. Resultado de um projeto consciente do editor Claudio Martini, um apaixonado pela nona arte que decidiu investir numa linha de quadrinhos interessante (e que agora começa a ser descoberta, pouco mais de um ano após a fundação da editora) que é justamente voltada ao novo leitor nacional, que exige a mesma qualidade – tanto técnica como narrativa – encontrada num livro.

Imagine se livros de determinada editora, aliás, saíssem com errinhos de português, aqui e ali, a cada edição. Pense: essa editora fictícia perduraria? A resposta é não. Se perdurasse, seria a duras penas e não teria um bom conceito no mercado, junto ao público e/ou a crítica.

Imagine os errinhos irem pipocando na sua cópia de O Alquimista, O Código Da Vinci, algum livro da série Harry Potter, O caçador de pipas ou qualquer outro campeão de vendas. É até pra se pensar: um bom livro, com uma edição descuidada, seria campeão de vendas?

Atitudes corretas como as colocadas anteriormente merecem ser seguidas. Outras editoras nacionais poderiam tomar posturas similares às de Pixel e Zarabatana, pois, cada uma a seu modo, estão contribuindo de forma definitiva para o processo de extinção de um modelo tacanho que, infelizmente, ainda persiste. Mas que, em algum momento, está naturalmente fadado a terminar.

28 comentários:

Conrad disse...

Salve, Delfin!

Achei teu e-mail bem legal, mas esqueceu de um detalhe (se me permite a ousadia), os atuais editores de quadrinhos, principalmente aqueles que trabalham com material mensal, não conseguem dar conta de revisar os textos, pois eles já tem que organizar o material, tratar com o tradutor, discutir estratégias com o pessoal de marketing... vou além, acho que nem é essa a profissão deles! Me perdoem os amigos editores profissionais, ou aqueles que migraram das áreas de jornalismo e comunicação, revisão é uma das muitas áreas ligadas diretamente aos estudantes de Letras, aqueles que tem como única função vasculhar cada centímetro de uma página para achar a falta de um acento grave, uma troca de Ç por SS, e assim por diante...
Acho que você sabe muito melhor que eu, as grandes empresas do ramo editorial tem uma equipe de revisores ou pagam freelas para atuar na área. Sendo assim, posso estar enganado mas na Mythos, Panini e outras do nosso mercado não tem um revisor profissional, e por outro lado tem um sem-número de editores fatigados e realizando uma função que não é a deles...

Abraços,
Conrad
P.S.: fiz Letras, sou professor de literatura, e nem por isso me sinto apto para atuar como revisor...
P.S.2: não quero criar polêmica, apenas estou dando uma opnião profissional...
P.S.3:... claro que se alguém fizer uma proposta de trabalho, estou à disposição :D

Anônimo disse...

cara,pra não ser acusado de nada,digo q não tenho certeza,mas vi num blog q a Panini publicou o Naruto censurado sem dizer isso pros leitores e gostaria de se puder vcs checassem essa informação ,vlw.
gosto mto de vcs,abraços.

Anônimo disse...

Revisão não é só olhar e dizer "tá bom". Revisão tem que ter capricho e saber o que está fazendo. Mas isso é reflexo dos nossos tempos, se temos na ABL um escritor que escreve "houveram trinta carneiros"... que podemos esperar de editoras onde tudo é feito quase no improviso, no "limite extremo"? O computador é o revisor hoje em dia, e quem revisa o computador?

Sidney Gusman disse...

Conrad, desculpe discordar, mas jornalista tem que ter, no mínimo, bom português.

Não precisa ser revisor, mas a função do editor é entregar pra este profissional com o menor número de erros possível.

E quando há ferramentas eletrônicas que o ajudam nessa missão, a incompreensão é maior ainda.

Delfin disse...

Mas, Conrad, concordo com você quanto aos editores semi-fatigados e tal. O problema passa por eles (e, com a fadiga, passa mesmo), mas não é prioritariamente deles. Há um problema estrutural. Imagine uma editora séria de livros fazendo vistas grossas à revisão. Uma Cia. das Letras ou uma Rocco, pra ficar em duas editoras de livros que ingressaram recentemente no mercado de quadrinhos (e são mais um reflexo da mudança editorial que um dia vai pontuar finalmente os erros desta já velha escola editorial de quadrinhos): imagine elas tratando as HQs como subproduto, como fast-food. Não dá. Não rola. Mas pense: e pra aceitar essas críticas? Tem que ter muita cabeça. E, novamente, falo muito menos de editores e mais dos comandantes das empresas, que ainda acham que revisar é um custo a mais – quando, na verdade, as conseqüências é que são cmulativamente custosas. Ainda mais num país em que grupos de pessoas também tacanhas ainda propaga a idéia de que o quadrinho deseduca. Para mim, o quadrinho mal-editado realmente só dá argumentos aos propagadores de inverdades sobre a nona arte.

É um assunto bem vasto e no qual aos poucos tem se podido colocar dedos nesta que é uma ferida editorial do mercado brasileiro.

Conrad disse...

Concordo plenamente com vocês dois; Sidney, acho que "bom português" todo mundo tem que ter, do advogado ao gari... outro dia um médico me receitou "duas culer de xarope" (pelo menos "xarope", ele escreveu certo), mas o trabalho fica mais "sério" quando sua profissão trata de textos! Acho queos quadrinhos não devem que ser limados pelo editor, apenas, mas também revisado por uma pessoa que só faça aquele serviço, claro, isso não vai excluir quem possa fazer bem as duas funções.
Delfin, acho que seu argumento ficou mais claro para mim, agora, entendi que você falava da visão editorial dos quadrinhos como "subproduto" ou "material da moda", nesse caso "qualquer coisa está valendo"... concordo com você, os consumidores estão mais atentos e as editoras "especialistas" em HQ tem que se especializar também na sua produção e cuidados editoriais.
Engraçado, você citou a Cia. das Letras, eu comprei, outro dia, uma edição do "Um Copo de Cólera" do Haduam Nassar, que tinha quatro páginas de "errata" coladas no frontispício, achei aquilo, no mínimo, desrespeitoso... ainda mais que eles cobram muito caro pelos livros... enfim, a Livraria Cultura trocou o dito por outro exemplar, mais antigo, sem os erros.

Vou aproveitar para dizer que estou gostando muito do blog, principalmente dessas análises editoriais. Parabéns.

Abraços,
Conrad

Guilherme Kroll disse...

Conrad, me desculpe, cara, mas os formados em Letras normalmente dão piores revisores que os formados em comunicação. Falo isso pelo mercado. Faço faculdade de Editoração (uma habilitação da comunicação) e, no mercado de trabalho, a maiora das editoras preferem jornalistas e editorandos que estão familiarizados não só com o protuguês como também com o formato das publicações, sua dinâmica, prazos e viabilidade. Não que os estudantes de letras não possam se tornar aptos, mas eles precisam passar por um treinamento maior antes.

Pedro disse...

Eu queria ver toda essa preocupação com os OUTROS defeitos das edições brasileiras. Reprodução/impressão de má qualidade, periodicidade aleatória, tradução de má qualidade, publicação de material censurado...

Vocês são obsessivos com o português, mas perdoam todos os outros defeitos!

Hunter (Pedro Bouça)

Delfin disse...

Hunter, espero que você tenha compreendido que o mote deste tópico foi a declaração da Pixel, que envolve justamente os erros de português. Eu apenas pincelei os outros problemas. Você, um de nossos leitores mais críticos, pode reparar que temos batido muito na questão do vernáculo porque os problemas estão alarmantes. Creio que você, como poucos, compreende que o bom escrever de nossa língua é necessário para qualquer obra editorial em português. Os outros fatores que vocês cita já foram, em outros momentos, tão enfatizados quanto a língua. Um exemplo é a reprodução/impreção de má qualidade, que foi uma tônica durante fases inteiras da TEQ/Metal Pesado, Devir e Pandora, pra citar algumas. E isso foi cobrado. Tanto que isso melhorou bastante, se você reparar (há quadrinhos, e não são poucos, com qualidade gráfica superior à original). Agora: publicação de material censurado? Dependendo do que for (se for uma censura injusta), eu até concordo. Se tem uma coisa que eu sou contra é a censura e, se ela existe no país de origem, mas pode não existir no Brasil, então não vejo motivo para que a edição nacional não seja a mais fiel possível às intenções do autor (espero, por exemplo, que Liberty Meadows seja publicada na íntegra por aqui).

Dito isso, de minha parte é sempre bom ouvir suas considerações. É assim que se constrói um bom debate.

Zé Oliboni disse...

É difícil um defeito que a gente deixe passar em branco. Sempre falamos nas resenhas das falhas na periodicidade, de problemas de impressão e até mesmo encadernações que soltam folhas.

Pode acompanhar a área de resenhas que você vai ver que tudo é lembrado quando necessário.

Agora, os erros de português viraram quase uma campanha do UHQ porque a situação se agravou muito no último ano.

Sidney Gusman disse...

Hunter, sempre querendo "causar". "Perdoamos"? Tenha a paciência! Há várias resenhas com críticas à impressão (algo que diminuiu consideravelmente nos últimos tempos).

Quando o resenhista pega mancadas de tradução, elas também estão lá - mas isso não acontece sempre, o que é compreensível, pelo fato de a pessoa, na maioria das vezes, não ter lido o original. E até problemas de periodicidade são mencionados, sim. Material censurado? Naruto 1 tem até a imagem cortada.

Hunter, acho que você precisa ler as resenhas com mais atenção, antes de sair disparando a esmo.

E, Delfin, não perderei esta chance de te zoar nem a pau: num post sobre erros de português, você escreve "impreção" no seu comentário? Ah, se viesse numa resenha... >:-)

Delfin disse...

Bah, eu fiz isso? Desculpe. Foi no calor do assunto.

Sidão, larga o Blackberry! :{)

Cláudia Dans disse...

Adorei o texto do Delfin, pois tocou num assunto tão importante quanto a qualidade da história ou do material usado na impressão: a Língua Portuguesa!

Acompanho a luta do UHQ a respeito dos graves problemas de português que os quadrinhos apresentam! Já li muita resenha do Sidney comentando os erros de português. E a meu ver, isso é grave!

Como leitora e como profissinal da Língua (sou professora de português), quero ler uma obra bem cuidada! não só na forma, mas também na mensagem! Além disso, não dá para ler uma HQ com erros de concordância, de conjugaçao, entre outros. Isso atrapalha profundamente a leitura. Você precisa reler inúmeras vezes para entender!

Acredito que está na hora da Panini observar essa questão, porque uma boa HQ não se faz apenas com belas imagens!

Ricardo Malta disse...

Hunter,

Esse negócio de perdoar defeitos não é com o UHQ não. Acho que você está confundindo o site com algum outro.

Agora vou dar uma dica: acessa esse link http://www.universohq.com/quadrinhos/reviews_indice.cfm e dá uma conferida nos reviews.

Quando você acabar de ler as quase 4 mil resenhas, vai perceber que juntando todas, tem muito menos besteira do que num comentário seu.

Abraço,

Guilherme Kroll disse...

Hunter, cita alguma HQ que tem problema de edição e que não criticamos.

Sempre nos preocupamos com todos os erros da edição. Na resenha do Naruto 1, que eu fiz, fiz questão de ressaltar a censura do material.

Desculpe, mas você está completamente enganado nesse seu comentário.

Conrad disse...

Hunter, Hunter... heheheh...

Guilherme, eu devo concordar quanto às especificações editoriais, que qualquer estudante ou mesmo profissional formado em Letras deveria se adaptar... mas, esotu falando daquele profissional que pegaria o material apenas para conferir especificamente a ortografia e gramática, esse sujeito não precisa de grandes conhecimentos na área de editoração... bom, para ser mais claro, acho que as editoras tem que gastar mais grana e colcoar alguém para verificar o produto final, antes que este produto ganhe as ruas, assim se poupariam de críticas e dos desafetos.

Cláudia Dans, que bom ver uma companheira de luta, por aqui, também sou professor (mas, de literatura)!

Abraços,
Conrad

Pedro disse...

De novo acreditam piamente que eu falo sem provas, né?

Alguns exemplos de resenhas de vocês que relevam problemas maiores:

- Na resenha de Antes do Incal não há uma única menção ao fato dessa série ter sido PESADAMENTE censurada, mas no número 2 há a tradicional chiadeira com o português.

- No Supremo da Brainstore, nenhuma menção à má qualidade de reprodução (cores lavadas, etc.). Também não há críticas ao português, para ser justo.

- Do Inferno 1, problema de escaneamento de que o próprio autor reclamou. Também sem críticas ao português, embora eu me recorde de um punhado de traduções incorretas na edição (eu avisei ao Jotapê depois de ter lido).

- Zenith - fase três, da Pandora, era uma edição PIRATA! E isso já tinha sido divulgado no próprio UHQ! Na resenha só se reclama do português...

Só para citar casos em que os problemas específicos eram tão sérios que foram criticados nas (re)publicações estrangeiras originais (Incal e Supremo) ou provocaram repercussão no exterior (Do Inferno e Zenith). No UHQ? Nem uma linha!

Mas o português...

Hunter (Pedro Bouça)

Delfin disse...

Zenith não era uma edição pirata, Hunter, desculpe discordar. Trabalhei no início da Pandora e sei do contrato que foi assinado para publicação do material inglês da Egmont. Quando outra editora inglesa assumiu o pacote, quiseram invalidar o contrato, mas este ainda era válido. A Pandora teve, sim, muitas falhas e problemas. Mas o material da 2000 AD, especificamente, tinha respaldo jurídico (o contrato tinha uma validade bacana). Eu sempre falo nisso quando me falam do material inglês. Porque generalizar, meu caro, é um perigo. Mesmo porque a Pandora fez coisas boas. No início e não foram poucas (alguém se lembra quem publicou a Liga Extraordinária como uma mini em 3 edições, com filmes digitais?).

E também porque, Hunter, eu acho que tem que bater onde se merece. Se você falasse da Wizard, aí eu concordaria 100% contigo. O Zenith, em qualquer fase, nunca.

Eduardo Nasi disse...

Hunter, amigo, faça-me o favor! Seus exemplos são pífios. Garanto que fiz erros muitos mais emblemáticos que esses nas minhas quase 500 resenhas.

Outro dia mesmo, num lapso imperdoável, escrevi que Superman tinha surgido em Superman 1, não em Action Comics.

Com sorte (sua), ainda deve estar no ar o comentário em que falo que o Shenzhen é sucessor de Pyongyang -- o sempre gentil Claudio Martini avisou que, ao contrário do que prega a crítica de língua inglesa, provavelmente por causa ordem de lançamento da Drawn and Quaterly, a ordem de criação é inversa.

No próprio Antes do Incal faltou dizer uma coisa: apesar da reclamação dos fanboys europeus, o Jodô curtiu o resultado. O que você chama de censura é, pra ele, uma requintada restauração visual -- ou algo assim, você pode confirmar com o pessoal que estava na palestra no CCBB em dezembro.

Agora, acho estranho alguém reclamar que os erros de português existem e abundam. Tudo bem, é um direito seu achar que não se deve apontar esses deslizes da língua (se não me engano, não é nem a primeira vez que você comenta que vê algo de exagerado nesses apontamentos).

Mas saiba que as queixas das resenhas não aumentaram por acaso. Elas acompanharam um triste movimento do mercado, reconhecido publicamente não só pela Pixel, mas por boa parte das outras editoras também. As editoras, não só a Pixel, vêm tomando atitudes para melhorar.

Do jeito que você fala, parece que é pura implicância, quando na verdade é um triste reflexo do mercado. Infelizmente. Afinal de contas, ninguém aqui lê HQ pra catar erros.

Pedro disse...

Nazi, não falei de erros (eu tinha visto o do Shenzhen, mas não venho aqui para catar piolho dos outros), falei de omissões. E falei de omissões em casos suficientemente polêmicos para serem conhecidos fora do Brasil, não em problemas menores na 45335646ª edição do Homem-Aranha ou algo assim.

As censuras em Antes do Incal foram muito debatidas na França (e uma simples menção ao assunto na resenha não mataria ninguém), a falta de qualidade da reprodução do Supremo (causada pela perda dos filmes - e arte - originais) foi muito debatida nos EUA. Eddie Campbell reclamou da reprodução do primeiro Do Inferno, Grant Morrison da publicação de Zenith, que não poderia ser republicado porque os direitos estão em disputa entre Morrison e a 2000AD (tanto que eles não são republicados na Inglaterra há 20 anos!), não importa qual contrato a Pandora tivesse. A Panini pode ter um contrato para publicar todo o material da Marvel, por exemplo, mas se decidisse publicar o material do Mestre do Kung-Fu com o Fu Manchu, por exemplo, estaria cometendo uma ilegalidade! Não com a Marvel, mas com os donos dos direitos do Fu Manchu.

São todos casos sérios. E não citei um ou dois, citei QUATRO! Em nenhum deles há uma linha falando disso, mas especificamente Zenith tem uma lista de erros de português digna de um revisor profissional. O que isso interessa? É só dizer "há muitos erros de português" ou mesmo "há praticamente um erro de português por página" ou coisa assim. Fazer essa lista obsessiva de erros é perda de tempo para vocês e os leitores, ainda mais quando as revistas têm problemas muito mais sérios.

Agora, se vocês se recusam a ver a realidade ou se, como o Ricardo Malta, pensam que eu só escrevo besteiras (hm, então os convites que me foram feitos no passado para escrever no UHQ foram uma tentativa consciente de baixar a qualidade do site? Bem, isto explicaria a presença do próprio Malta...), então não vale a pena eu permanecer neste debate.

Mas se vocês não são capazes de reconhecer suas próprias deficiências, nunca conseguirão melhorar.

Hunter (Pedro Bouça)

Delfin disse...

Bom, Hunter, tenho certeza que a Pandora não agiu de má-fé quanto ao material da 2000 AD (pelo que você diz, a Pandora sequer poderia ter publicado a Fase 1 do Zenith, quadrinho de estréia da editora, em 2000 -- e não esse o problema judicial que chegou à falida editora, mas, sim, o repasse de direitos da Egmont para outra licenciadora, nunca sequer tendo sido citada por lá qualquer encrenca com o Morrison). E, sim, a Fase 3 é um festival de erros tão vergonhoso que mal dá vontade de ler a edição nacional.

Quanto às suas considerações ao UHQ, ainda que você esteja 100% correto nas assertivas, 4 problemas em 4000 resenhas pode até não ser aceitável, mas é uma bela média.

Eduardo Nasi disse...

Bouças (eu ia trocar umas letras do seu nome e mudar o sentido dele, como você fez com o meu, mas aí seria só implicância),

Você continua insistindo em público que apontar erros de português é ruim, mesmo que isso tenha ajudado as editoras a se mexerem para mudar. Tudo bem, é um direito seu.

Mas eu concordo com você que é chato. Que, pro texto fluir, é bem melhor dizer "tem um monte de erros" do que listá-los, um a um, ainda mais quando são vários.

O problema é que isso nem sempre resolve. Se, quando uma edição tem quatro ou cinco erros gritantes, tem gente de editora que diz que em público que é exagero e tenta varrer o problema pra baixo do tapete com um deixa-disso, imagina se não houvesse a indicação. Aposto que tem gente que ia dizer que é delírio da gente!

E olha que isso acontece comigo, e eu costumo ignorar erros pequenos e até esquecer de falar de uns grandes.

Claro, como eu disse, você pode continuar falando por aí que é ruim apontar os erros. Pode até querer propagar a idéia de que há outros tipos de erros que não são apontados. Mas ainda aconselho a não fazer grande caso disso por aí, pode parecer que você também quer acobertar coisas.

Ah, e mais uma coisa: tenho certeza que quem convidou você para se juntar ao site queria que você viesse e achava que seria legal, coisa com a qual eu concordo. Mas, cá entre nós, não fique pensando que isso é grande coisa. Vamos ser francos: até eu escrevo no Universo HQ. ;)

Sidney Gusman disse...

Hunter, te convidei para escrever (se não houvesse problemas para você com o Omelete, é bom ressaltar, coisa que você NÃO FEZ), pois achei que tinha algo a acrescentar. fazer o quê? Eu também erro! Mas aprendo com meus erros.

Aliás, espero que tenha sido uma infeliz coincidência de mau gosto de sua parte escrever "Nazi" e não Nasi!

O que você classifica como AUSÊNCIA é pífio, dentro de quase 4 mil resenhas - como se TODAS falassem de erros de português. Dá um tempo! É uma minoria.

Há coisas que, como o Nasi mesmo levantou em Antes do Incal, são irrelevantes. Sobre Zenith, você tem PROVAS disso? Pois aqui elas não surgiram. Só os boatos, sem comprovação. E leviandade não combina com nosso jeito de trabalhar.

Também não é difícil entender que muitos dos resenhistas passaram a ser mais criteriosos com o correr das colaborações. No começo, muitos não pegavam alguns erros (por desconhecimento do original ou simplesmente por não terem se sentido incomodados com isso). Com o passar do tempo - e por insistência MINHA - começaram a atentar para essas coisas. E vão continuar atentando, você goste ou não.

O lance do português quem começou fui EU - com muito orgulho, diga-se de passagem. E peço que todos façam o mesmo. Quadrinho tem que ser bem escrito, sim! E tem publicação editada POR MIM que tem resenha no UHQ apontando erro de português.

Tem gente em outros sites que dá nota máxima porque "a história é legal", sem ler a versão brasileira, cheia de erros absurdos de português, de adaptação e outros. O UHQ, não.

Você enumerou resenhas antigas, de colaboradores diversos. Meu caro, aqui não escrevemos todos da mesma forma. Não há "receita" pra fazer resenhas no UHQ. Cada um tem seu estlo. E só incluo, no momento da edição, erros que eu achei, se forem gritantes. E, é bom lembrar, tem vezes que edito a resenho antes de ler a obra. Aí, só com bola de cristal.

Por fim, acho que aí em Portugal devem estar te cobrando muito caro pra ler o Universo HQ. Pede um descontinho. Ou, vale lembrar, você tem sempre o direito sagrado de não nos ler.

Amalio disse...

Acredito que é importante sim, apontar a utilização incorreta da Língua Portuguesa, principalmente no Brasil, o país da língua presa (se é que vocês me entendem). Acho que a figura do revisor, importantíssima. Não sei se é o caso de falta de mão-de-obra especializada, se for isso, as editoras deveriam fazer como a indústria que está contratando profissionais aposentados para voltar ao trabalho, por falta de profissionais gabaritados na ativa.

Rodrigo disse...

Colegas,
um comentário jurídico. Não conheço a situação, tá...mas se a 2000AD negociou direitos que depois (ou antes) foram judicialmente contestados pelo Grant Morrison, a Pandora não fez absolutamente nada ilegal. Ela detinha um direito autoral, negociou sua reprodução com outros, só que os direitos eram contestados judicialmente (contestados, não definitivamente anulados). Para facilitar o exemplo, se o Palmeiras vende um jogador para o Real Madrid e, depois disso, o Juventus alega judicialmente que o jogador era dele, o Real Madrid tem culpa zero no cartório. Pelo contrário, se o Juventus ganhar a ação, o Real Madrid tem direito de processar o Palmeiras por perdas e danos (assim como a Pandora teria de processar a 2000AD).
Alegar o contrário seria admitir que,se a herdeira do Jerry Seigel ganhar os direitos do Superman um dia, poderíamos considerar todas as editoras brasileiras que o publicaram como piratas: Ebal, Abril, Panini...não dá.
Abração para vocês.

Sérgio Codespoti disse...

Acho que é uma questão de conhecer o material original, o que não ocorre com todos os colaboradores. Muita gente lê apenas a versão nacional.

Mas só pra citar um exemplo pessoal, fiz um review de Hellboy, no qual aponto inúmeros problemas gráficos da edição da Mythos, e também falo da trajetória da revista americana. Tudo ilustrado com exemplos. O link está abaixo.

Só pude fazer isso porque conhecia muito bem o material e tinha tanto as edições em preto-e-branco como o encadernado. Um preciosismo da minha parte.

Outro exemplo importante é o caso de Terra X, também da Mythos, que na época ganhou not zero do Sidney (http://www.universohq.com/quadrinhos/review_terrax_01.cfm). O problema era tão grave que valeu fazer uma nota sobre o assunto antes mesmo do review (http://www.universohq.com/quadrinhos/n21082001_05.cfm).

Sempre que temos provas deste tipo de problema falamos sobre o assunto, não só nas edições nacionais, mas também na americana, como foi o caso da censura da Marvel no encadernado do Drácula (http://www.universohq.com/quadrinhos/2006/n25092006_06.cfm).

Também fazemos matérias mostrando problemas de corte e de censura, independente dos reviews (http://www.universohq.com/quadrinhos/quadrinhos_adultos.cfm e http://www.universohq.com/quadrinhos/monstro_pantano.cfm).

Ricardo Malta disse...

Hunter,

Quanto às resenhas do Supremo, não vi problema nenhum na questão das cores, já que as edições foram escaneadas das versões gringas. Após a publicação das resenhas, o próprio Sidney me perguntou se queria acrescentar algo a respeito, mas preferi não mexer. Talvez, se fizesse a resenha hoje, até mencionasse isso.

Imitando o seu jeito tosco de ser, seguem alguns exemplos pertinentes:

Authority - Sob Nova Direção: repare nos comentários sobre a edição da Devir;

Kill Your Boyfriend: atente para a menção à versão brasileira da Tudo em Quadrinhos;

O Mundo é Mágico - As Aventuras de Calvin & Haroldo: tradução;

O Tico-Tico - Cem Anos de Revista: basta ler;

Krazy Kat: questões gráficas;

Terra X: o clássico dos clássicos.

Percebeu como a coisa funciona? Cada um tem seu jeito de escrever e obviamente as análises refletem seus pontos fortes. Confesso que não tenho lá muitos em comparação aos demais, mas tenho muito mais estilo do que você jamais terá na vida. Isso é fato.

É só ler seus comentários. Se você acha que algo de relevante poderia ser acrescentado a uma resenha, basta mandar um e-mail a quem a escreveu. Mas não, você prefere causar e dar uma de doido neste blog, como se fosse o palco perfeito para as estripulias do Paladino Português da Banda Desenhada.

Mas somos nós que não reconhecemos erros, certo?

[]'s,

Guilherme Kroll disse...

Hunter, sempre que um leitor avisa de um erro, buscamos corrigi-lo e/ou acrescentá-lo na resenha. O Sidão insiste para que não deixemos passar nada. Reconhecemos sim nossos erros e os corrigimos.

Vc tá polemizando por polemizar. Afirmar que ignoramos os erros de impressão e censura por 4 exemplos em 4 mil resenhas é um exagero. Podemos ter ignorado nesses casos, o que já foi debatido, mas não "ignoramos os outros erros", como o Malta e o Codespoti exemplificaram acima. Agora quem não quer ver é você.