17 julho 2007

O que estamos lendo

Com a pauleira de trabalho, tenho feito mais posts a respeito de uma ou outra obra que tenho lido, mas hoje arrumei um tempinho pra comentar rapidamente alguns materiais.

Um dos melhores lançamentos do anoLiberty Meadows - Livro 1 - Éden: um dos melhores lançamentos do ano até agora. Frank Cho manda muito bem, com piadas divertidas e um desenho sensacional. A moçada da HQM está de parabéns. Ficam apenas duas ressalvas: 1) Como bem observou o Zé Oliboni em sua resenha no UHQ, o guia de referências, em alguns momentos, ficou repetitivo demais. 2) Vale ficar mais atentos à adaptação do texto, pois, numa tira de linguajar tão solto, fica estranho usar ênclises (pronomes oblíquos depois do verbo), como rolou em alguns quadrinhos.

Cedo para dizer algo significativo52 # 1: a série que conta o ano em que a Terra viveu sem o Superman, o Batman e a Mulher-Maravilha começa espalhando pistas por todos os lados, em histórias estreladas por personagens de segundo escalão, como Questão, Renee Montoya, Gladiador Dourado, Poderosa, Homem-Elástico e Adão Negro. As respostas virão ao longo das próximas 12 edições. Como a estratégia da DC de jogar seus títulos um ano para frente (o que está rolando nas revistas de linha, da Panini) foi bem legal, esse início deixa o leitor ansioso por descobrir o que vem por aí. Editorialmente, o problema é que há diversas citações a coisas que aconteceram em títulos mensais, sem qualquer nota. E vários leitores optam por comprar apenas minisséries e especiais. Fica o alerta.

Começou chutando a portaGuerra Civil # 1: diferentemente de 52, aqui a história apresenta suas cartas de cara. Depois de uma lambança dos Novos Guerreiros, que causa uma pancada de mortes, e de uma conseqüente reação popular e governamental (que se desenvolve num ritmo acelerado demais), ocorre um racha entre os super-heróis da Marvel em dois grupos, um encabeçado pelo Homem de Ferro, que defende o registro dos uniformizados; e outro pelo Capitão América, que prega a liberdade de ação, em nome do que eles fizeram em tantos anos. Apesar de o tema não ser novidade e de quase todo mundo já saber o desfecho trágico da série, pela internet e outros meios de comunicação, o começo chama a atenção. O lance das notas editoriais será vital, pois a mini Guerra Civil terá sete partes, mais quatro especiais e se desdobrará nas revistas de linha até fevereiro de 2008 – confira o cronograma de lançamentos. E, com certeza, não será todo leitor que terá paciência – e dinheiro – para acompanhar todos.

História bem contadaWhoa, Nellie!: nunca fui um entusiasta das obras dos irmãos Hernandez. Não acho Love & Rockets brilhante ou revolucionário, como outros colegas. Tampouco sou fã de seus desenhos. Mas eles sabem contar histórias de pessoas comuns, é inegável. É o que acontece neste álbum, baseado no universo da luta-livre, com foco nas personagens Xo e Gina, duas amigas de muito tempo. Não acho que seja uma obra-prima, como o Eduardo Nasi o classificou em sua resenha para o UHQ, mas é uma trama interessante, que reforça o valor da amizade num ambiente tão propício a falcatruas. Pra variar, a Zarabatana faz um trabalho gráfico e editorial impecável.

Uma biografia disfarçadaEpiléptico # 1: o Paulo Ramos foi preciso, no Blog dos Quadrinhos, em sua resenha desta obra. David B. faz uma autobiografia usando a história da doença de seu irmão mais velho como fio condutor. Isso não quer dizer que a história seja ruim. Pelo contrário. Na mesma linha de trabalhos como Persépolis, em que o leitor se enxerga no lugar do autor, traz uma trama muito interessante, que expõe um problema tão complicado quanto a epilepsia. É daquelas HQs em que não dá para esperar finais felizes. E nisso os desenhos quase caricatos de David B. fazem um contraponto bacana com a seriedade do tema. O francês peca apenas ao estender demais algumas explicações, fazendo a HQ perder ritmo em certas passagens. O trabalho da Conrad está ótimo, mas, de novo (já fez isso em outras publicações), a editora não coloca na última página qualquer menção ao fato de que ali termina só o primeiro tomo e que haverá outro. Ao menos desta vez colocou o número 1 na capa.

Este tem lugar em qualquer estanteAsterix e a Volta às Aulas: separe um lugar na estante para este álbum, o único dos irredutíveis gauleses que permanecia inédito no Brasil. Ele apresenta apenas histórias curtas, publicadas nas últimas quatro décadas em revistas como Elle, Pilote e National Geographic, uma inédita, do galo da aldeia, Cocoricóquix, e uma temática em que Asterix serviu de garoto-propaganda para que Paris fosse a sede dos Jogos Olímpicos de 1992 - não deu certo, pois a vencedora foi Barcelona, na Espanha. Algumas têm roteiros de René Goscinny, outras de Albert Uderzo, mas todas são divertidíssimas. Depois dos dois últimos álbuns tão fracos de Asterix, Obelix e sua turma, é sempre bom ver o quão magníficos são esses personagens quando bem escritos. O trabalho editorial da Record está irretocável.

8 comentários:

Guilherme Veneziani disse...

Sidney,
Uma pergunta: Li (não me lembro onde), que todas as edições de Asterix seriam relançadas com um tratamento melhorado. Isso já está acontecendo? Tem prazo para acontecer? Para ser sincero não vi nenhuma divulgação ampla a este respeito. Abraços

Sidney Gusman disse...

Guilherme, não tenho certeza, mas acho que a Record já lançou alguns álbuns "remasterizados". Vou verificar e te aviso.

Sidney Gusman disse...

Guilherme, cumprindo o que prometi: as 8 primeiras histórias estão sendo recoloridas, inclusive Gladiador, Cleopatra e Combate dos chefes já saíram. As outras cinco sairão aos poucos.

Abraço

Guilherme Kroll disse...

faltou mencionar q o preço do Epilético tá bem salgado, e q obra tinha sido publicada em volume único e aqui foi dividida em dois, sabe-se lá por quê.

Guilherme Veneziani disse...

Obrigado Sidney! Agora vou atrás destas obras! Abraços

Pedro disse...

Vamos lá:
Na França a série está sendo inteiramente relançada em uma nova edição, recolorida e restaurada. TODOS os volumes receberam novas cores, exceto o mais recente. Sim, até o penúltimo álbum (que saiu há menos de 5 anos e é o que está saindo agora no Brasil!) foi recolorizado. Os álbuns estão sendo publicados a um ritmo lento, em um formato muito maior que o normal e com algumas páginas de extras (nenhum indispensável), eu tenho alguns! Uderzo redesenhou as capas dos dois primeiros (O Gaulês e A Foice de Ouro).

Os oito primeiros álbuns já haviam sido recolorizados na Alemanha (segundo maior mercado de Asterix depois da França), mas os franceses acharam esse trabalho abaixo de seus rígidos padrões de exigência e decidiram refazer logo a série toda. Não sei se é essa edição alemã que a Record está usando.

Por fim, Epiléptico foi publicado em SEIS volumes na França! Só a edição americana contém a série em um único volume. O preço não é alto para esse tipo de material, cuja estimativa de vendas é bem baixa. Cada volume francês custa 12 euros, um preço caro até para os padrões de lá!

Hunter (Pedro Bouça)

Sidney Gusman disse...

Hunter, a recolorização é feita aqui, sob supervisão do Ota.

Pedro disse...

Feita no Brasil? Curioso, ainda mais que a Record só precisaria esperar uns tempos para usar a nova colorização francesa...

Hunter (Pedro Bouça)