13 maio 2007

Mais um "O que estamos lendo"

Semaninha complicada de trampo esta. Mesmo assim, agora que arrumei um tempinho, seguem mais rápidos comentários sobre HQs que li.

Ainda bem que é Infinita só no nome...Crise Infinita # 6: Ufa, está acabando! Realmente uma pena esta minissérie que foi tão alardeada ter se mostrado uma história tão fraca. Pior ainda: que tenha “manchado” uma das sagas de super-heróis mais bacanas dos últimos 20 anos, Crise nas Infinitas Terras. Pra piorar, como bem observou o Eduardo Nasi em sua resenha no UHQ, sem o apoio das revistas de linha, Geoff Johns teve que acelerar a narrativa, deixando-a mais capenga.

Vale esperar os próximos capítulosJustiça # 3: o ritmo dos acontecimentos nesta minissérie é lento, mas nada que desagrade. Pelo contrário, o roteiro de Jim Krueger está deixando o leitor ansioso pelo desfecho das várias subtramas que estão sendo espalhadas – especialmente a de Brainiac e Aquaman. Desse modo, cresce a expectativa pelo contragolpe dos super-heróis à investida de seus inimigos. O trabalho de Doug Braithwaite e Alex Ross na arte continua bacana.

Terror leve e bacanaCourtney Crumrin & as Criaturas da Noite: li este álbum da Devir sem grandes expectativas e ao chegar ao final estava bastante satisfeito. Uma história de terror leve e divertida. O roteiro de Ted Naifeh mostra o estereótipo da família norte-americana: pais em busca de glamour, que nem ligam pros filhos. E é aí que a relação da jovem Courtney e seu misterioso tio Aloysius ganha força. A arte também é bacana, com bons contrastes de luz e sombras e narrativa competente.

Bem legal a volta do coelho samuraiUsagi Yojimbo - Sombras da Morte: ponto pra Devir por promover este retorno ao mercado nacional. Usagi Yojimbo, que teve três álbuns pela Via Lettera, é uma série muito legal. Stan Sakai usa personagens antropomorfizados para narrar histórias de samurai mesclando ação, humor e ficção (neste volume as Tartarugas Ninja viajam no tempo para juntar-se ao protagonista – mas faltou uma notinha dizendo onde rolaram os outros encontros deles). Tudo com uma narrativa show de bola. E pensar que já li nerds dizerem que é uma babaquice um coelho samurai! Como se homens com cuecas sobre as calças e com capas existissem...

Fique atento aos detalhes da tramaCapote no Kansas: não li o livro A Sangue Frio, de Truman Capote, mas após terminar este álbum decidi que ainda o farei. Esta HQ romanceia o período que o escritor passou no interior dos Estados Unidos para produzir a obra referida. É uma leitura agradável, com desenhos (de Chris Samnee) bons e um roteiro enxuto. No entanto, em alguns pontos, o roteiro de Ande Parks fica confuso e é preciso o leitor ficar atento para saber se quem está conversando com Capote está vivo ou morto.

Terror angustiante nesta HQA Serpente Vermelha: o terror japonês nos quadrinhos segue uma linha diferente da adotada no mundo ocidental. Mas pode ser tão interessante quanto. Este álbum comprova isso. Hideshi Hino, que já havia tido Panorama do Inferno lançado pela Conrad, constrói uma trama que angustia o leitor. O garoto protagonista vive numa casa pra lá de estranha (que tem “lugares proibidos”), de onde não pode fugir (é cercada por uma floresta) e na qual vê sua esquisita família passar por transformações bizarras. Destaque para o belo trabalho da Zarabatana Books. É raro uma editora começar com tanta qualidade de texto e de impressão.

Não tem o que pensar: compre!Lobo Solitário # 28: Chegou ao fim a melhor revista seriada do mercado nacional em muito tempo. E não há muito que dizer, para não estragar a surpresa, apenas que vale demais a pena. E fica aqui registrado o agradecimento dos leitores de bom gosto à Panini. Afinal, finalmente, uma editora brasileira se dignou a publicar na íntegra este clássico dos quadrinhos mundiais, escrito por Kazuo Koike e desenhado por Goseki Kojima. Que a série seja republicada de tempos em tempos, pois mais gente merece conhecê-la.

História fracaA Última Batalha: Esta graphic novel é fraca (será por isso que a Panini nem a anunciou em seu site oficial?). Dividida em vários capítulos curtos, conta uma história batida, com uma reviravolta previsível no final. Em momento algum o texto do italiano Tito Faraci empolga. E os desenhos “duros” do norte-americano Daniel Brereton também não colaborar. Sua narrativa é truncada demais.

Que Morcego é esse?Grandes Astros - Batman & Robin # 4: se durante a leitura você conseguir assumir que o personagem principal não é o Batman do universo normal da DC (esse o propósito da série), esta edição é passável. Mas se não fizer isso, complica. O Morcego está mais paranóico do que nunca – Frank Miller parece ter pegado o jeito de ver a vida do Batman cinqüentão de O Cavaleiro das Trevas e colocado neste, ainda em início de carreira. Comer ratos? Essa foi dose pra cavalo! Na arte, a página sêxtupla é realmente bonita. Foi um recurso para mostrar o quanto o lugar impressiona Dick Grayson. E funciona.

7 comentários:

Dante disse...

Muito bom que voltou-se a atualizar o blog. Comer ratos! Caramba! Essa me deixou até com vontade de comprar essas grandes astros só pra ver a cena!

Sidney Gusman disse...

Valeu, Dante. Não atualizamos nesta semana porque a coisa foi brava para todos por aqui.

Além do UHQ em si, todos tivemos muitas coisas em seus respectivos trabalhos.

Eduardo Nasi disse...

E vai ler o A Sangue Frio já. Mas foi bom não ter lido ainda: confirmou minhas suspeitas de que, para quem não leu, tem horas em que a HQ fica confusa.

Guilherme disse...

Pois é Sidney, Crise Infinita está longe de ser boa... Uma pena. Justiça está legalzinha e gera realmente uma expectativa quando ao destino do Aquaman. Agora um detalhe que queria acrescentar ao que você falou sobre Grandes Astros - Batman & Robin # 4, é o ponto de vista do Batman (leia-se Frank Miller) sobre o Superman. Na minha opinião, talvez a melhor "piada" da série, que também está devendo. Abraços

tysiu disse...

Estou lendo "A sangue frio" e recomendo infinitas vezes. Uma dica: leia como se estivesse lendo um romance e não espere o imediatismo de um relato jornalístico. É um livro sobre o precesso de construção de uma reportagem muito particular e, desse ponto de vista, é único e incrível.
Pergunta. Por que a Panini resolveu publicar "Grandes Astros - Batman & Robin #4" se é sabido que a série sofre de atrasos constantes e tem hoje periodicidade, com sorte, semestral?
Quando a Panini assumiu o mercado de super-heróis, lembro de ler alguém falando que eles não são de economizar em lançamentos mesmo. A expressão usada para descrever a política da empresa foi "rapar o tacho". Triste ver que quem escreveu isso estava certo...
E, apesar de ter acertado algumas vezes (concordo plenamente com a republicação de material consegrado), publicar essa série do Batman é simplesmente de mal-gosto. Sou FÃ (assim, em caixa alta) do Miller. Mas em "Grandes Astros" ele está só ganhando seu dinheirinho, sem se esforçar o mínimo para contar uma história decente. A DC apostou em uma coisa que Warren Ellis disse há anos: "Quando Frank Miller faz um novo álbum de Sin City todo mundo aplaude educadamente. Mas é só ele mencionar 'Batman' e você verá a ejaculação de fanboys indo nas alturas."
Ah, e aproveitando que estou aqui: SUPER-HOMEM, definitivamente.

Abraços,
Leandro

Amalio disse...

Desculpem a intromissão, mas faltou uma HQ nesta última lista que pra mim foi a melhor do Mês: Lostinho - Perdidinhos nos quadrinhos. Quase morri de tanto rir. A molecadinha pode não entender as muitas referências ao seriado e outras que também aparecem, mas é diversão garantida. Tem os outros, a escotilha, os flashbacks, as personagens secundárias, o "Lostzilla" e até o Sr. Uílson. No final ainda rola uma homenagem ao Maurício de Souza, bem legal.

Sidney Gusman disse...

Amálio, acabei não postando por trabalhar com o Mauricio, mas tem razão: vale demais a pena! A história é muito bacana.