16 maio 2007

A arte na capa de um LP

Sou do tempo dos LPs, as chamadas "bolachas de vinil", que podem não ter (e realmente não tinham) toda a qualidade que um CD oferece, além de serem mais frágeis. Mas sinto falta deles, ainda tenho guardado todos os meus quase trezentos e faço uma limpeza periódica em cada um pra que durem pelo menos mais uns 150 anos.

Na transição pra o CD, muitas produções antigas ganharam um tratamento de primeira no som, mas as capas, que chamam a atenção nas prateleiras, perderam muito da magia. Pegue o álbum Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band (1967) dos Beatles e tente apreciar aquela imagem reproduzida no tamanhico de um compact disc. Dá pra ver bem algum detalhe da capa considerada uma das maravilhas da pop art?

Quem só começou a curtir o Iron Maiden na era do CD e comprou o magnífico Powerslave (1984), por exemplo, nem imagina onde esteja na ilustração o inconfundível símbolo da banda, presente em todas as capas, e que nessa e em outras foi reduzido pra o formato compact disc e ficou sumido.

Ainda em Powerslave, só quem tem o LP pode ver a inscrição “Indiana Jones was here” (“Indiana Jones esteve aqui”) e o desenho do Mickey Mouse talhados na entrada de uma das esfinges.

Pra mim, essa é a melhor capa dos discos do Iron Maiden, pela riqueza de detalhes e por causa do tema, o Egito antigo, que me fascina desde a infância. Mas há outras belas ilustrações, como as dos álbuns Seventh Son of a Seventh Son (1988) e Somewhere in Time (1986).

Esta última traz também um festival de citações, como o nome do escritor de ficção científica Isaac Asimov em um letreiro e, no alto de um edifício, a inconfundível imagem do Batman na penumbra. Isso tudo quase não dá pra perceber na versão da capa em CD.

Muitas outras bandas de heavy metal também se valem da arte pintada pra chamar a atenção na capa de seus discos. O Manowar é mestre nisso, e destaco aqui as belas ilustrações pra Hail to England (1984), que é de fazer babar qualquer fã do Conan, e Fighting the World (1987), que emula a capa de Destroyer (1976), do Kiss. Compare nas imagens postadas aqui.

Aliás, o Kiss tem outro álbum com uma capa espetacular, Love Gun (1977). A pintura realista é de encher os olhos.

E voltando ao bárbaro cimério, o ilustrador Ken Kelly, que já foi capista de A Espada Selvagem de Conan, é o responsável pelas ilustrações de um CD-tributo ao Kiss lançado em 2005 na Noruega. Também é dele a maioria das artes de capa do Manowar.

Mais bandas famosas entre os metaleiros (ou headbangers, como queiram) apresentaram em seus discos algumas capas sensacionais, como o Judas Priest em Painkiller (1990) - um clássico insuperável, daqueles cuja parede de guitarras faz estourar os tímpanos de qualquer desavisado.

Tem ainda o Iced Earth, que já usou uma capa e encarte com ilustrações do Spawn, a Cria do Inferno de Todd Mcfarlane, em The Dark Saga (1996).

Entretanto, por mais belas que sejam todas essas e muitas outras artes, elas perdem um pouco do impacto em um espaço tão pequeno como a capa de um CD. Já nos LPs, são verdadeiros painéis no tamanho perfeito até pra serem emoldurados.

Saudade...

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(Recebi e-mails de dois leitores que gostariam de rever alguns tópicos que foram postados no blog antes da liberação do campo de comentários. Esta foi uma das postagens sugeridas pra um "up").

5 comentários:

Amalio disse...

Ramone, temos um gosto musical muito parecido, só que tomamos decisões diferentes. Eu troquei a maioria dos meus LP's por CD's. Tenho a coleção completa do Pink Floyd em CD e algumas delas são da época em que foram remasterizadas e o tratamento das capas foi muito bem feito, melhor que os LP's, porém concordo com você quanto ao impacto das imagens, principalmente nos CD's do Iron, Powerslave e Somewhere in Time. se a gente ficar olhando acha até coisas novas que não tinha visto antes. Gosto de Manowar também, tenho o Hail to England e o Battle Hymns. Minhas outras prediletas são: Judas Priest, Metallica, Rush, Yngwie Malmsteen, Deep Purple, Rainbow, Whitesnake, Black Sabbath e Led Zeppelin.

Marcus Ramone disse...

Amalio, consegui em CD a imensa maioria do que tenho em LP, mas não me desfaço de nenhum dos meus vinis, he, he, he.
Pra você ter uma idéia, tenho toda a coleção do Kiss em LP e CD.
Sabe, meus LPs têm história, me fazem voltar ao passado quando ponho as mãos neles. Dá um nó na garganta só de pensar em perdê-los. :o)
Ah, e também curto todas as bandas que você citou, mas com mais ênfase em Rush, Led Zeppelin e Judas Priest.

Val disse...

eu tbm tenho meus vinis guradados, todos do maide, judas, e por ai vai, ja q assim como hqs, musicva gosto desde peqno...
agora so uma retifica meu caro Marcus.. o anjo caindo nao é citaçao ao led zeppelin e sim a musica flight of icarus, e ao single do memso nome, em q a memsa imagem doanjo caindo aparece com as asas em chams, e edde voando com um lança chamas...
e na boa, tirnado o chado de batata frita (eu ate q gosto) o som do vinil eh superiro ao do cd, em termos de sosnridade, graves e medios...

Marcus Ramone disse...

Você está certíssimo, Val! Fiz uma associação errada de idéias com o Led Zeppelin, não sei por quê. Mas já apaguei do texto.
Quanto à sonoridade do LP em comparação à do CD, eu realmente prefiro a deste último. Pelo menos pra ouvir heavy metal, gosto mais do punch que o CD proporciona, é por aí.
Minha relação com os LPs é muito mais de afeição do que por identificar neles alguma qualidade sonora. :o)

Val disse...

ah, sim, em termos d qualidade sonora, limpeza e careza de audio, o cd eh melhor, mas como tenho vinil desde muito novo, meu primeiro vinil de metl foi em 1984, eu ja comparei por exemplo o Powerslave nos dois formatos... e senti perda doas graves, isso tema ver com o fato de msuica ser analogico , ondas sonoras, e o cd eh informaçao covertida pra musica,, mas oq imprta eh q ambos sao inestimaveis...