19 outubro 2007

Direto do 5º FIQ

Galera, juro que tentei preparar uma nota sobre o 5º Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte pra atualização de sexta, mas cheguei tarde do evento e ainda tive que encarar 30 páginas de word só de resenhas.

A partir da esquerda: Ed, Renato, Chris, a tradutora e RissoDe todo modo, consegui dar uma rápida passada pelas exposições - a maioria muito bacana -, conferi o bate-papo sobre mercado norte-americano, com o Eduardo Risso, o Renato Guedes, o Ed Benes e o Chris Bolson, conheci o Carlos Sampayo e o Mandrafina, encontrei vários leitores (e amigos) do Universo HQ e, no fim da noite, comandei uma entrevista com o Risso.

Casa cheia no debate sobre mercado norte-americanoSó pra resumir (afinal, depois contarei tudo na matéria sobre o evento), o cara é sensacional. Já tinha tido essa impressão, quando eu, o Codespoti e o Naranjo o entrevistamos em 2002; e agora só atestei isso.

Eu ouvindo atentamente as respostas do gente-boa Eduardo RissoAmanhã é dia de falar com Giancarlo Berardi, um dos maiores roteiristas de HQs de todos os tempos. E tentarei pegar outros depoimentos.

Enquanto isso, veja algumas fotos deste FIQ.

Vista
Outra vista
Entrada da exposição sobre a criminóloga Júlia, de Berardi
Arte do Gilmar na exposição O que é o Brasil

17 outubro 2007

Na falta do que fazer - Parte 6

Super-Herói também tem conta pra pagar no fim do mês!

Flash, o Flanelinha

16 outubro 2007

Na falta do que fazer - Parte 5

Lógico que teremos tirinhas boas, outras nem tanto. Mas a diversão aqui é criar e ver como fica!

Aprendendo com o Hulk!

15 outubro 2007

Festival de Andennes

Estive no Festival de Andennes, na Bélgica, neste final de semana e conheci o Stuart Immonen, atual desenhista de Ultimate Spider-Man (Homem-Aranha Millennium).

O sujeito é gente boa. Conversamos por algumas horas enquanto ele desenhava para os leitores, de graça (na Europa é comum a prática de sketches gratuitos, enquanto nos Estados Unidos, muitos artistas cobram uma boa grana pelos desenhos). Pude vê-lo fazer pelo menos uns quatro Super-Homens (um cara pediu para ele desenhar o personagem chorando!), alguns Batmen, três Homens-Aranha, um Thor e algumas dezenas de autógrafos, incluindo nas suas páginas de homenagem ao Asterix, lançadas num álbum que reúne arte de vários desenhistas.

O personagem no desenho acima é Dirk Anger, paródia de Nick Fury na série Next Wave (aliás, a minha cópia do encadernado francês, da Panini, veio premiadíssima, com a primeira história inteira impressa duas vezes) levou uns 10 minutos para ser feito, no lápis e na canetinha.

No evento estavam expostos originais de Jack Kirby. Páginas de suas histórias de faroeste, um cartaz do Dr. Destino, algumas páginas de 2001 - Uma Odisséia no Espaço, um original do Pantera Negra e algumas outras de obras menos conhecidas de Kirby.

Conversando com Immonen sobre estas artes, ele revelou que possui os originais de uma história inteira do Kirby, que nunca foi publicada (mas não me disse de qual personagem). Perguntei sobre a arte-final e ele riu: Vince Coletta.

O Coletta tem fama de fazer alguns trabalhos "nas coxas" para entregar tudo no prazo. No livro Tales to Astonish, que citei no post sobre biografias, o autor revela que Kirby teve alguns problemas com Coletta, pois o arte-finalista muitas vezes apagava cenários e detalhes do fundo, para poder terminar o trabalho mais depressa.

Também pude ver uma pasta de Immonen com páginas originais de Inferno (com arte-final de Wade Von Grawbadger), Superman - Identidade Secreta (arte-final de José Marzan), Moving Pictures (com arte-final do Immonen) e capas de Ultimate Spider-Man (no lápis).

Acabei comprando a página abaixo, da minissérie Inferno (Inferno #3, pagina 14, 1998), da DC. Estava num preço pra lá de camarada, e as outras estavam muito mais caras. Os originais de Moving Picture ele ainda não está vendendo, pois a história ainda está no início.

Aguardem para breve, no UHQ, mais novidades sobre Stuart Immonen.



Finalmente, a vez da DC

Segue a tirinha de número 4...

O Lanterna do Funk

14 outubro 2007

Na falta do que fazer - Parte 3

Obrigado aos leitores que curtiram as tirinhas!

Ainda falando da Marvel Comics...

Homem-Aranha, Homem-Aranha... Nunca bate, sempre apanha...

11 outubro 2007

Inpiração, homenagem ou plágio?

Sobre uma série desconecta de eventos e dois artigos interessantes.

Fato banal 1 - Em setembro deste ano, a Marvel lançou New X-Men # 42.

Fato banal 2 - Recentemente aconteceu um debate em Nova York, promovido pela revista The New Yorker, com Tim Kring (do seriado Heroes), Mike Mignola (pai do Hellboy), Grant Morrison (de Invisíveis e tantas outras coisas) e o escritor Jonathan Lethem.

Fato banal 3 - Escrevi um artigo sobre a volta de El Cazador, do Chuck Dixon.

E qual a relação destes três fatos com o tema do post? Primeiro vou explicar um pouco os fatos.

A capa de New X-Men # 42, de Skott Young, foi inspirada (ou é uma homenagem? Ou quem sabe plágio?) na pintura Shiner, do famoso ilustrador Norman Rockwell (literalmente um parênteses: Rockwell foi um dos maiores ilustradores do século 20 e ficou famoso com suas capas para o Saturday Evening Post).

Normalmente este tipo de coisa é relatado em inúmeros blogs, com pontos a favor ou contra. Confesso que sobre esta revista não vi menção recente.

Não conheço muita coisa do Jonathan Lethem, mas sei que ele escreveu um livro premiado, Fortress of Solitude, sobre a amizade entre uns garotos que se tornam super-heróis. Não é um livro sobre quadrinhos, é mais um relato sobre amizade, vivida num bairro de Nova York, mas existem algumas metáforas relativas aos quadrinhos.

Lethem também é o atual escritor de Omega The Unknown, outro título da Marvel, criado por Steve Gerber, aquele do Howard The Duck.

Gerber desceu a lenha no Lethem por estar assumindo o título (mais ou menos como o Frank Miller e o fato de outros artistas terem recriado a Elektra, mas esta é uma outra história). O assunto gerou uma pequena polêmica sobre direitos autorais, a atitude ética das editoras americanas e a postura dos autores (escritores e desenhistas) que trabalham com quadrinhos.

Quando escrevi o artigo sobre El Cazador, série que eu gostava bastante, revi as capas dos seis números publicados. Havia esquecido que a capa da quinta edição é uma homenagem (ou plágio... você captou a idéia) de The Bucaneer, pintura de Howard Pyle.

Pyle (1853-1911) é um ilustrador famoso, conhecido por suas pinturas sobre piratas e que abriu uma escola de arte (Brandywine) pela qual passaram nomes como Newell Convers Wyeth, Maxfield Parrish e Frank Schoonover.

Imagino que a maioria dos leitores não conheça estes nomes, mas na área da pintura e ilustração, é mais ou menos a mesma coisa que dizer (só para estabelecer a comparação) que Pelé montou uma escola de futebol pela qual passaram Zico, Ronaldo e Falcão. Quem estiver curioso que faça a busca de imagens no Google e se deslumbre com as pinturas (ou torça para que eu poste um artigo aqui).

Voltando ao assunto, The Bucanner, de Pyle, é relativamente famoso e já havia sido homenageado (insira aqui a palavra desejado) pelo Mignola (que estava no debate com o Lethem) na capa de Marvel Fanfare # 43, com Namor no papel do Bucaneiro.

O que liga os assuntos acima, foi que hoje, por coincidência, li um artigo do Eddie Campbell (de Do Inferno e The Fate of the Artist) sobre o plágio. O texto não é novo, foi escrito em fevereiro deste ano.

É muito interessante e bem escrito (e meio que centrado na posição do filósofo Collingwood), traz uma análise da obra de Roy Lichtenstein (aquele que pintava enormes telas com imagens dos quadrinhos), do movimento pop art, particularmente da pintura Whaam!.


A polêmica em relação ao trabalho de Lichtenstein é que ele copiou quadrinhos de outros artistas, particularmente Irv Novick em Johnny Cloud e Russ Heath.

Os comentários sobre o artigo de Campbell também são interessantes, com participação de Dave Gibbons (que menciona o fato das cópias de Lichtenstein serem tecnicamente muito inferiores aos originais de Novick e Heath); Neil Gaiman; John Coulthart e outros.

Coulthart é um artista britânico que trabalha com capas de CDs, DVDs e livros, e que tem um projeto de quadrinhos com o Alan Moore (The Soul). Ele menciona o trabalho do crítico de arte Robert Hughes sobre o "valor do novo", e algumas opiniões bem curiosas do produtor musical Brian Eno.

Em outro comentário é sugerida leitura do artigo The Ecstasy of Influence: A Plagiarism?, publicado na revista Harper's Magazine, em fevereiro de 2007, e escrito por Jonathan Lethem (escritor mencionado no fato banal 2).

Este é outro excelente artigo, focado no plágio na literatura, e igualmente relevante em termos do ponto de vista artístico, influências e da ética.

Infelizmente, para alguns leitores, os dois artigos que menciono aqui estão em inglês.

Existem centenas (ou até milhares) de capas como as que eu mostrei acima, indo das óbvias homenagens a Action Comics # 1 (surge o Superman) e Amazing Fantasy # 15 (primeira aparição do Homem-Aranha) às incontáveis referências a pinturas famosas (só a American Gothic deve ter uma dúzia), capas de discos, cartazes de filme (Apocalypse Now), etc.

Algumas encaro como homenagem; outras, como inspiração. E você? Comentários?
Na falta do que fazer - Parte 2...

Prelúdio para Civil War !

Guerra Civil

10 outubro 2007

O que estamos lendo... na Europa (7)

Comecei a série Mékong (da Dargaud), de Bartoll e Coyère, comprando o segundo número, lançado este ano, atraído pela capa e pela idéia de uma aventura francesa na Indochina, na Conchinchina (nome francês para a região do delta do rio Mekong, no sul do Vietnã, e incluindo parte reino do Camboja), para ser mais preciso. A trama se passa no final do século 19.

A história tem ingredientes como minas de prata, rubis, piratas e muita ação. Alan Thomas é um oficial da marinha mercante que acaba envolvido numa aventura para encontrar a mítica cidade perdida de Luang Jaya. Seu principal adversário é Duranton, uma espécie de eminência parda regional, conectado a Phan Tanh San, regente do Império de Anam, e grande opositor dos franceses. Duranton é um banqueiro em busca de seu filho, desaparecido em Luang Jaya.

Os desenhos são competentes, a diagramação tradicional e a narrativa eficiente. Não é, digamos, uma série de primeiríssima categoria, mas é divertida. O exotismo das locações e do regionalismo compensa alguns dos clichês do roteiro. Em certas partes a história me remeteu ao filme Lord Jim, de 1965, uma aventura no Mar da China, com James Mason e Peter O'Toole.

Jean-Claude Bartoll foi jornalista de agências como Sygma e Gamma, e cobriu assuntos como tráfico de escravos na república dominicana, o povo dos barcos em Hong Kong e mercenários europeus na África, antes de se voltar para o cinema, a animação e, mais tarde, os quadrinhos. Bartoll é o roteirista de Insiders, um thriller geopolítico.

Xavier Coyère começou a carreira nos quadrinhos em 1993, quando ficou em terceiro lugar num concurso de HQs da FNAC francesa e trabalhou com animação, por um período de 12 anos, antes de voltar a desenhar quadrinhos com Mékong.

O primeiro volume é Mékong - Or Rouge (o Ouro Rubro do título é uma alusão aos rubis) e o segundo é Mékong - Piège en Forêt Moï. Este volume termina num momento climático e agora preciso esperar o lançamento de Mékong - La Cité Interdite.
Na falta do que fazer...

Clique na imagem, por sua conta e risco!


Super-heróis Marvel

09 outubro 2007

Logotipos dos X-Men

Um assunto pouco abordado, e fundamental para os quadrinhos, são as letras. O letreiramento não está limitado só aos balões e recordatórios, mas também onamotopéias e até logotipos. Alguns artistas integram as onomatopéias em sua arte (Howard Chaykin, Walt Simonson, Sergio Toppi), outros transformam sua "caligrafia" em fontes para o computador, facilitando o trabalho sem perder o visual de "feito à mão".

De cabeça, só me recordo recentemente de dois livros sobre o assunto, diretamente relacionado com quadrinhos, um de Richard Starkings, da Comicraft (Comic Book Lettering: The Comicraft Way) e outro da DC, DC Comics Guide to Coloring and Lettering Comics (uma metade sobre letreiramento e a outra sobre colorização), de Mark Chiarello e Todd Klein.

Todd Klein, letrista norte-americano renomado, trabalhou em revistas como Sandman e X-Men, e ganhou 12 prêmios Eisner de melhor letrista por seu trabalho, desde 1993. Um fato no mínimo impressionante.

Em seu blog (em inglês), Klein está explicando a história dos logotipos das revitas mutantes da Marvel: X-Men, X-Factor, New Mutants, X-Force etc. Falando não só de seu trabalho mas também de outros como Sal Brodsky, Art Simek, Tom Orzechowski, Ira Schnapp, Gaspar Saladino, Alex Jay, Alan Davis, Ken Lopez e Jim Steranko (que criou a versão mais conhecida do logotipo dos X-Men).

Ele sugere que um logo para quadrinhos deveria ter entre três e oito letras, para ser ideal em termos de design, e muitas outras curiosidades. Em algumas partes, o texto é menos histórico e mais técnico (falando de proporções e perspectiva com três pontos de fuga) na análise dos logotipos. Esses artigos são permeados por citações de entrevistas com outros artistas e letristas.

O texto pode ser lido em diversas partes (parte 1, parte 2, parte 3, parte 4, parte 5 e parte 6).

Bastante interessante paa quem curte letras, design e a história da Marvel e dos X-Men.

08 outubro 2007

Tintim e Hergé sob a lupa dos estudiosos

Pode parecer difícil de acreditar, mas é provável que Hergé e Tintim possuam mais livros teóricos do que qualquer outro desenhista ou personagem.

São dezenas, ou até centenas, de obras incluindo biografias (Hergé - Lignes de Vie e Hergé: Fils de Tintin); entrevistas (Tintin et moi : Entretiens avec Hergé); análises genéricas de Tintim, como Tintin and the World of Hergé; estudos detalhados de obras específicas como Les dossiers de Tintin, sobre as três versões de A Ilha Negra, ou Les mystères du Lotus Bleu; suplementos de jornais e revistas, como Tintin - Reporter du Siècle, publicado pelo Le Figaro; cronologia da obra em cinco volumes (Hergé: Chronologie d'une Oeuvre); restrospectiva do Jornal de Tintim (publicada na comemoração dos 60 anos da editora Lombard); catálogos comemorativos de exposições; análises de personagens como Bianca Castafiore; e especiais sobre filatelia (Le Timbre Voyage Avec... Tintin), cidades (Tintin et la Ville), automóveis (Tintin et les Autos); e até um dicionário de nomes (Dictionnaire des noms propres : Tintin de Abdallah à Zorrino).

Desta série de cidades e carros, também existe um volume sobre Tintim e os barcos (Tintin, Haddock et les bateaux).

Isso sem falar nas edições fac-símile, que reproduzem os álbuns originais em preto-e-branco, ou as primeiras edições coloridas, antes das modificações dos álbuns mais recentes, e os Archives Hergé, que são grandes volumes reunindo a obra de Hergé em preto-e-branco.

Além desses livros, os interessados em Tintim e Hergé, como eu, ainda podem encontrar as obras abaixo.


La Petite Bibliothèque du Tintinologue, da Champs/Flammarion, é um estojo que reúne três obras teóricas: Hergé Fils de Tintin (outra versão do livro de Bonoît Peeters), Hergé Écrivain (de Jan Baetens) e Les Métamorphoses de Tintin (de Jean-Marie Apostolidès).

Les Métamorphoses de Tintin, escrito em 1984, tem 444 páginas e foi um dos primeiros livros a fazer uma análise séria dos 22 volumes de Tintim, indo da análise semântica e psicológica à crítica literária, e mostra as transformações pelas quais passaram os álbuns e a arte de Hergé.


Hergé Écrivain tem 224 páginas e é uma análise literária de Tintim, como foco nos textos, personagens e as histórias de Hergé. E é menos centrado na arte.

Hergé Fils de Tintin é uma das biografias mais conhecidas de Hergé, com 648 páginas. Esta versão foi revisada e atualizada, e mostra a vida de Hergé, de 1907 a 1983. No final, inclui uma analise do legado do artista.

Estes livros, no formato pocket book, praticamente não são ilustrados (à exceção de um caderno de oito páginas de fotografias em preto-e-branco em Hergé Fils de Tintin, e uma meia dúzia de imagens em Hergé Écrivain).

Hergé - Tintin le Terrible ou L'Alphabet des Richesses, de Alain Bonfand e Jean-Luc Marion, da Hachette Littératures, tem 144 páginas e faz uma análise do fascínio que Tintim exerce sobre seus leitores, falando de fidelidade e traição, ética e imoralidades, amizades e inimizades, e do bem e do mal.

Outro volume interessante é Tintim Noir Sur Blanc - L'Aventures des Aventures 1930-1942, da Casterman. Bem ilustrado e destinado a colecionadores sérios, analisa todas as edições de Tintim em preto-e-branco, com minúcias de cada uma das impressões destes álbuns.

Só como exemplo, o livro tem tabelas com as diferenças de cinco edições (todas em preto-e-branco) do Cetro de Otokar, publicadas nos anos de 1939, 1941 e 1942, e incluindo uma classificação de até 5 estrelas para mostrar a raridade de cada um destes volumes (que por vezes são vendidos por preços altíssimos, como no caso de Vôo 714 para Sidney e Tintim no País dos Soviéticos).

No epílogo uma tabela mostra as diversas versões e as tiragens conhecidas destes exemplares.

Para finalizar, um dicionário de xingamentos do Capitão Haddock (Le Haddock illustré : L'intégrale des jurons du capitaine Haddock), de Albert Algoud. Este é um livro divertido, num formato horizontal que os franceses chamam de "italiano", em forma de dicionário, explicando as origens históricas e culturais dos diversos impropérios que o marinheiro Haddock utiliza nos álbuns de Tintim.

Também foram lançados outros volumes (que eu não tenho) desta série, com o professor Girassol (Le Tournesol illustré) e um livro sobre os segredos do Licorne (Les vrais secrets de la Licorne).

06 outubro 2007

Superproteção de tela

No ano passado, divulguei no UHQ que o site Useless Creation estava disponibilizando uma proteção de tela pra computador com uma animação 3D do Super-Homem, contendo imagens do filme Superman - O Retorno.

Como ela ainda está disponível e é muito bacana - a música de fundo é nada mais, nada menos que o tema clássico do Homem de Aço -, resolvi lembrar novamente aos leitores (pode ser que alguém tenha passado batido, na época).

É só clicar aqui pra fazer o download.

Marvel em fotonovela

Em abril de 1984, a "Casa das idéias" lançou uma inusitada HQ especial de humor que deixou os leitores positivamente surpresos: The Marvel Fumetti Book, na verdade uma revista com 18 fotonovelas estreladas pelos editores e quadrinhistas da editora.

Ah, claro, tem a participação de alguns personagens dos gibis. Hulk e Homem-Aranha são alguns deles, mais uma figura cartunesca que não conheço.

Consegui um exemplar dessa revista num site de leilão. Li de uma vez só. As histórias curtas - algumas de apenas uma página - são legais, umas bastante engraçadas, outras tantas medianas, mas, no geral, dá pra rir numa boa. A coisa é bem tosca, tem umas "montagens" que divertem por si só.

Mas o melhor, mesmo, é ver reunida uma porção de pesos-pesados dos quadrinhos da Marvel , muitos deles bem jovens e outros - como Dave Cockrum - que já não estão mais entre nós.

Algumas dessas feras são: Stan Lee (é claro!), Bill Mantlo, Terry Austin, Bret Blevins, John Byrne, Mike Carlin, Chris Claremont, Al Milgrom, Tom DeFalco, Archie Goodwin, Mark Gruenwald, Larry Hama, Walter Simonson, Denny O'Neil, Joe Rubinstein, Jim Shooter e muito mais.

E só pra explicar: lá nos Estados Unidos, as fotonovelas são chamadas de fumetti, diferente de outros países que utilizam o termo para se referir às histórias em quadrinhos (desenhadas) italianas.

Para se ter uma idéia, na página em inglês da Wikipedia os fumetti são descritos como "um gênero americano de quadrinhos ilustrados com fotografias".

05 outubro 2007

Mais um gênio que se vai...

Nos últimos dias, o Sérgio trouxe a este blog algumas alegres (e invejáveis) notícias do mercado europeu de quadrinhos.

Hoje, entretanto, vou divulgar uma nota triste sobre um grande nome da história dos quadrinhos do Velho Continente : há poucos dias, faleceu o espanhol Manfred Sommer, criador de personagens como Frank Cappa e autor de diversas obras cuja qualidade não me deixa esquecer por que razão eu amo tanto as histórias em quadrinhos.

Como fã de Tex, também não posso deixar de citar a participação de Sommer nas HQs do ranger. Os belos desenhos de Tex Gigante # 12 - Mercadores de Escravos (Mythos Editora, 2003) dispensam comentários.

Manfred Sommer estava desenhando outra aventura de Tex. Infelizmente, a obra ficará incompleta.

Vou escrever uma nota mais completa pra ser publicada no UHQ na próxima segunda-feira.
Reviews só na segunda

Aviso aos nossos leitores: como ontem a pauleira de trabalho foi além do esperado, não consegui terminar de editar os textos dos reviews desta semana. Por isso, as resenhas estarão online no Universo HQ na segunda-feira.

04 outubro 2007

O que estamos lendo... na Europa (6)

Cinco biografias importantes: Renné Goscinny, Albert Uderzo, Hugo Pratt, Milton Caniff, Jack Kirby.

René Goscinny, de Caroline Guillot e Olivier Andrieu é um volumão de 244 páginas, capa dura, no formato 24 x 35 cm, publicado pela Éditions du Chêne (da Hachette Livre). Como comprei numa feira de quadrinhos o livro veio sem a sobrecapa, mas paguei apenas € 10,00 (R$ 25,80), aproximadamente 20% do preço das livrarias.

O livro conta a história da vida de Goscinny, um parisiense nascido em 1926, mostrando seus principais trabalhos (Le Petit Nicolas, Lucky Luke, Iznogoud e Asterix), sua parceria com Uderzo, até sua morte, em 1977, e o impacto na França, com as manchetes dos principais jornais.

Caricaturas, detalhes de quadrinhos e fotografias, muitas vezes de página inteira, ilustram o volume.


Uma curiosidade são as fotos de algumas páginas de roteiros datilografados de Goscinny (como, por exemplo, o primeiro encontro de Lucky Luke com os irmãos Dalton). Ele dividia a folha em duas colunas, colocando as descrições dos quadros à esquerda e os textos e diálogos à direita.

No mesmo formato da biografia de Goscinny, Albert Uderzo, de Alain Duchêne, só difere do anterior na qualidade do papel, um couché mais refinado.

O livro traça a história de um sujeito que queria fazer graça desde a infância. Alguns dos momentos importantes em sua carreira estão lá: além do encontro com Goscinny, o período que passou na Bretanha, durante a Segunda Guerra Mundial e a criação da revista Pilote, na qual surgiu Asterix.


A Bretanha é uma região no noroeste da França, que corresponde à Armórica, na antiga Gália dos romanos, ou seja, é a terra de Asterix.

Quando Goscinny criou o personagem, disse a Uderzo que poderia escolher qualquer lugar da França para situar a aldeia dos personagens, desde que fosse uma região costeira. E foi assim que o desenhista optou pela região onde passou alguns anos discretos, longe da Paris ocupada pelos nazistas.


Fotos raras, esboços e páginas de quadrinhos ilustram o livro, que tem 244 páginas. Paguei o mesmo valor por esta biografia, que também veio sem a sobrecapa.

De l'Autre Côte de Corto - Hugo Pratt - Entretiens avec Dominique Petitfaux é um livro da Casterman, uma biografia no formato de entrevista, publicada originalmente em 1996.

São 230 páginas em couché brilhante e capa dura, que mostram toda a carreira de Pratt, da sua infância em Veneza, passando pela juventude na Etiópia, os anos de viagem, na Argentina e Brasil, até o retorno à Itália.

Além de esboços e aquarelas de Pratt, algumas das imagens mais bacanas do livro são as capas coloridas de Sgt. Kirk, uma raridade para a maioria dos leitores.

O volume termina com um capítulo de bibliografia bastante extenso, citando não apenas os trabalhos de Pratt, mas também livros e artigos de jornais dedicados a ele ou aos seus personagens.

Este aqui já me custou mais caro, € 21,00 (R$ 54,20) e, mesmo assim, saiu mais barato do que se tivesse comprado numa livraria.

A biografia de Milton Caniff é uma verdadeira lista telefônica, com 954 páginas.

Meanwhile... a biography of Milton Caniff foi escrito por Robert C. Harvey e publicado em junho deste ano pela Fantagraphics.

Aqui está um livro absolutamente essencial para quem curte a história dos quadrinhos. Caniff, junto com Jack Kirby e Will Eisner, é um dos autores norte-americanos mais influentes e importantes da nona arte.

Caniff é o criador de Terry e os Piratas, Steve Canyon e Male Call.

Para se ter uma idéia, ele influenciou artistas como Hugo Pratt, por exemplo. John Romita revelou certa vez, numa entrevista, que a idéia de matar Gwen Stacy foi surrupiada de Caniff, que "matou" uma ou duas das namoradas de Pat Ryan, o companheiro de Terry, na tira Terry e os Piratas.


Sobre imagem que mostra o livro aberto, as duas tiras na página da direita, publicadas em 1941, são especiais e mostram a morte de Raven (antecipando uma tendência futura nos quadrinhos dos Estados Unidos, a de matar personagens, mas sem a eficácia da narrativa de Caniff). Esta foi a primeira vez que um artista de quadrinhos publicou uma tira diária de apenas um quadro. Por isso, esta é uma das cenas mais mencionadas nos livros teóricos de quadrinhos.

Milton Caniff inovou e criou inúmeras técnicas da narrativa de quadrinhos usadas até hoje.

O livro é ilustrado com fotos e centenas de tiras, tudo em preto-e-branco. Está disponível na Amazon e, provavelmente, pode ser comprado no Brasil pela livraria Cultura, Devir ou outra que ofereça o mesmo tipo de serviço.

Como você viu, o tamanho deste "tijolo", nem preciso dizer que ainda não terminei de ler. Aliás, este aqui estou saboreando vagarosamente.

Para finalizar, Tales to Astonish, de Ronin Ro, conta a história da carreira de Jack Kirby e, por extensão, de suas parcerias com Joe Simon e Stan Lee.

Publicado pela Bloomsbury, em 2004, é um volume relativamente caro (perto de 25 dólares), levando-se em conta que é um livro no formato tradicional, sem ilustrações. Mas vale a leitura.

É de particular interesse para quem curte a história da Marvel e da DC Comics.

Outra curiosidade no terço final do livro é a presença constante de Mark Evanier (de Groo), amigo de Kirby, que revela muitos detalhes desta fase da vida do desenhista. Evanier lançará em fevereiro de 2008 (originalmente estava previsto para sair no dia 1º de outubro deste ano), a biografia definitiva de Kirby. Este será um livro imperdível.