24 julho 2008

Zarabataneando

Respeito é pra quem merece. E ontem, na 20ª edição do HQ Mix, o editor Claudio Martini, da Zarabatana, mostrou que, em pouco mais de um ano e meio no mercado, sua casa editorial já possui um respeito maiúsculo por parte do meio especializado.

A grande prova disso: Claudio distribuiu pouquíssimas cópias de um tubo de papel, singelamente embalado e com um carimbo simples, escrito apenas "confidencial". E a recomendação de que só deveria ser aberto fora do Sesc Pompéia, após o evento.

E, com tantos jornalistas ávidos por um furo, ele foi plenamente respeitado.

Quando abri o meu, estava lá a bela notícia de que a editora publicará seu primeiro título de um autor nacional: Dr. Bubbles & Tilt, de Tulio Caetano. O que estava "entubado" era a capa aberta do livro, com uma arte belíssima, ainda limpa e sem textos, originando um exclusivo pôster, que será colocado oportunamente por aqui.

Com essa atitude, a Zarabatana novamente dá um banho em determinadas gigantes do mercado, que têm arrepios na coluna ao se pronunciar as palavras "quadrinho nacional", como se fosse um palavrão maldito.

De minha parte, só me resta dar os parabéns.

9 comentários:

Guilherme Neto disse...

Quadrinho nacional com um título em inglês, que poderia muito bem ser de um quadrinho americano?
Começou mal...

Conrad disse...

Quadrinho nacional querendo atingir mercado internacional, à lá Moom e Bá... não é de todo ruim, é um começo... mas, pra ser sincero, ainda acho altamente tímidas as tentativas nesse setor, parece realmente "nacionalização" é um palavrão (espero sinceramente que isso mude).

Abraço,
Conrad

Marcelo Fontana disse...

Sinceramente não acho que isso seja importante. Um bom conteúdo pode suprir isso com folga.

E aí, Delfin? Escaneie logo seu poster e coloque aí pra gente ver.

Delfin disse...

É maior que o meu scanner, Marcelo. Mas estou providenciando.

E, Guilherme, eu acredito que dar um título que não seja em nossa língua é perfeitamente compreensível e aceitável. Quadrinho nacional é, para mim, quadrinho feito por brasileiros. Vai dizer, por exemplo, que o Rafael Grampá e seu Mesmo Delivery não são uma mostra cabal disso?

Acho que há sempre um radicalismo em quem insiste na tupinização do quadrinho nacional. Para a sorte de todos, isso está diminuindo e começando a tender ao zero. Os quadrinistas nacionais podem contar qualquer história sobre qualquer tema passada em qualquer lugar com quaisquer personagens -- e devem! Só assim a gente vai ter um mercado forte no futuro.

Ou você pode, sei lá, comprar os quadrinhos que você comprava há 30 anos. Mas, perceba, mesmo o Laerte, o Angeli e o Gonsalez evoluíram sobremaneira. São baluartes de uma época diferente, de um país migrando de um regime de exceção para uma nação querendo firmar uma democracia. Bem diferente do Brasil de hoje, invadindo o mundo, se misturando a ele sem perder sua identidade, se firmando, enfim, como a nação emergente que deveria ter sido desde os anos 1960.

E aí respondo ao Conrad: não tem mal algum querer atingir o mercado internacional. Ainda mais quando as editoras aqui, em sua maioria, pagam muito pouco pelo material nacional de HQs. Mas, com a entradas das editoras de livros na história, mesmo esses profissionais estão voltando. Mesmo Moon e Bá, mas também Spacca, Rodrigo Rosa, Allan Alex e outros velhos conhecidos começaram de vez a ganhar dinheiro por aqui.

Não é sensacional? Eu acho. E isso só reforça meus parabéns à Zarabatana, que viu algo que Desiderata, Conrad e Pixel já tinham percebido e decidiu, ao seu modo peculiar, ingressar neste time de qualidade seleta de publicadores.

Mas quando os três principais jogadores vão entrar nisso? E, insisto, não me venham com Mauricio de Sousa para exemplificar algo. De tão exemplo, Mauricio virou exceção faz tempo. E até o Mauricio já percebeu que o público infantil está crescendo e está focando num público de mais idade.

Afinal, quadrinho nacional nunca foi apenas quadrinho infantil.

Enfim, falei demais. Concluam aí.

Milena GHQ disse...

Falou muito e bonito, Delfin. O Cláudio já havia cantado a bola que investiria no quadrinho nacional. E tenho certeza de que ele começou com o pé direito. A Zarabatan prima pela qualidade e pelo bom gosto, antes de tudo. Estou louca pra ver esse poster. Não vejo nada demais um título "americanizado". O importante é que a história (e os desenhos) sejam bons.

Guilherme Neto disse...

Não sou radical quanto a termos estrangeiros. Sei aceitar, mas só quando isso tem sentido na história, como acontece com Combo Rangers.
Só lendo a HQ para saber se o título combina mas, em uma primeira impressão, me parece forçado. Preferiria em português.
Até mesmo por questões de Marketing. Eu acho mais fácil alguém se interessar por um quadrinho chamado Dr. Bolha do que Dr. Bubbles.

Maninho disse...

Estou pouco me lixando se o título é em inglês e os personagens sejam estrangeiros, ou a história se passe n Conchinchina ou nas bregas da Inglaterra. Se for boa, aplaudirei. Se for uma merda, vai ser espinafrada com toda vontade.

Pacha Urbano disse...

Também estranhei inicialmente um título em inglês, mas depois fiquei mais animado em saber que o próximo lançamento da Zarabatana (da qual sou cliente assíduo desde o primeiro volume lançado)ia ser um produto nacional.

Entretanto, realmente não fica bem um título em inglês, mas isso é gosto pessoal. Isso não me impediria de comprar a Mesmo Delivery. Mas no fundo vejo como bandas brasileiras que cantam em inglês. Se é que me entendem.

Só não acho que isso seja um problema para os quadrinhos nacionais.

Concordo com o Delfin quando diz que quadrinho nacional é quadrinho feito no Brasil.

Delfin disse...

O ponto das bandas é exatamente o ponto, Pacha. Vide o CSS, o mais famoso dos exemplos.

E outra: o Tulio é radicado na França. Imagine os franceses putos por ele ter escolhido um título justamente na língua que eles menos gostam. Agora imagine que isso não tem relevância nenhuma quando comparado com o trabalho dele.

É isso.