Pelo segundo domingo consecutivo, o jornal
Folha de S.Paulo dedicou a capa de um de seus cadernos às histórias em quadrinhos.

Na
semana passada, foi a HQ de Fernando Gonsales baseada no livro
A Origem das Espécies, de Charles Darwin, no caderno
Mais!. Na edição de ontem, a
Ilustrada destaca o uso de páginas em quadrinhos no livro
Loucas de Amor - Mulheres que Amam Serial Killers e Criminosos Sexuais, do jornalista Gilmar Rodrigues.
Apesar das páginas em quadrinhos serem apenas uma espécie de adendo entre um capítulo e outro do livro, com narrativas paralelas ao relato documental, esse foi o aspecto que chamou a atenção da editoria da
Folha. Os desenhos, sobre roteiro do próprio autor do livro, são de Fido Nesti, ilustrador e colaborador da revita
New Yorker.
O jornal informa que a parceria deve se repetir para produzir uma versão do livro toda em quadrinhos, prevista para ser publicada em 2010 com apoio de um edital da
Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo.
O título da matéria no interior do caderno reproduz uma declaração de Rodrigues: "Quadrinhos permitem voos literários"
Em um texto de apoio, a reportagem da
Folha afirma: "Formato que no passado era associado à fantasia e aos super-heróis, só recentemente os quadrinhos têm sido utilizados no Brasil como recurso para contar histórias da vida real". Em seguida, aponta os nomes do norte-americano Art Spielgelman e do maltês Joe Sacco como "principais nomes do formato".

O aumento do interesse da
Folha e de outros veículos pelos quadrinhos se justifica pelo momento que o mercado brasileiro está atravessando. O crescimento das vendas em livrarias faz com que as editoras busquem dialogar com um público diferente do perfil habitual do leitor de HQs. A mídia, nesse caso, assume o papel de mediadora desse diálogo por meio de matérias como a da
Ilustrada.
É curioso observar a imagem que se faz dos quadrinhos nessas matérias, especialmente quando retomam a discussão do valor das HQs como arte e como literatura. Elas têm muito a dizer sobre o que se pensa sobre o passado dos quadrinhos e aquilo que se pretendo como um futuro para eles.