03 maio 2008

Coisas que eu acho 3

Tinha uma coisa me incomodando a respeito de Homem de Ferro. Não me dei conta até a tarde de hoje, quando lembrei de uma cena em que o "herói" faz uma descabida apologia ao linchamento. Ele entrega um bandido à população afegã e diz "Agora é com vocês".

Essa idéia de que a justiça pode ser feita a partir do ódio é, no mínimo, um retorno à barbárie.

Por mais que o filme seja bacana em vários aspectos, como eu disse antes, esse tipo de bizarrice não pode passar batido. Linchamento não é fichinha. E não é algo que se possa apoiar de forma alguma. O que o Homem de Ferro faz é um ato vil, covarde, baixo e inconseqüente.

Se alguém duvida, recomendo a leitura da entrevista que a Flávia Tavares, do Estadão, fez com o sociólogo José de Souza Martins há alguns domingos.

23 comentários:

quartier disse...

ta concordo q foi meio pesado essa frase "agora eh com vcs"... mas naquela cena do filme... o homen de ferro chega e "mata" td mundo pega o ultimo... e o larga lah... tipo... ele mato os outros... ele podia ter matado aquele tbm... mas ele deixo o cara lah... e disse aquela frase... q para mim foi um "tchau pessoal!" eh aquela historia do livre árbitro... Jesus deixa as pessoas sofrerem... e puni as pessoas ruims... ja o homen de ferro.. fez as pessoas nao sofrerem! e puniu os ruins.. "e deixo o resto com eles" [Livre árbitro] ta na biblia! [acho]
Desculpe se ofendi alguem... ou se estou falando merda... mas nao vi nada demais nesta cena pois nem mostraram o lichamento... acho q oq os caras estavao fazendo com as pessoas daquela vila... eh bem pior do q uma insinuação de lichamento... oq eu acho eh q devia colocar uma censura de 16 ou 18 anos... e mandar bala!! com cenas mais fortes etc... [ sei q nao podem fazer isso pela perda de lucro.. ]

ah essa eh minha opnião... nao achei nada demais!

acho pior o cara ser dono de uma empresa de armas... e ser querido por todos... claro q ele percebeu depois q aquilo tudo nao estava legal...

[EMERSON ABREU] disse...

Ainda não assisti o filme, mas não vejo problema nenhum no Homem-de-Ferro fazer apologia ao linchamento... Tony Stark nunca foi um exemplo a ser seguido, e não é porque agora está no cinema que ele vai virar santo e começar a dar bons exemplos :P

Abraaaaaaaaaço!!!

PS: sou a favor do linchamento em praça pública do Josef Fritzl... isso faz de mim uma má pessoa?

Sérgio Codespoti disse...

Ótimo link, Edu. Entrevista sensacional.

Cas disse...

Nasi, na boa, discordo totamente de vc.
Se formos começar a nos policiar em coisas de ficção, nada mais será permitido.
Vc cairá naquela coisa de que games violentos incitam a violencia, quem leu Guerra Civil achará certo uma lei de controle a pessoas diferentes e por aí vai.

Sem dúvida que o linchamento é uma coisa odiosa, assim como assassinato, corrupção, estupro e tudo mais, mas nem por isso deixa de haver filmes, livros e outras coisas a respeito do tema.

O que o HF fazia antes era pior ainda, vender armas, alimentar guerra e matar milhões de pessoas, e não te vi comentando isso aqui.

No dia que as pessoas não souberem mais separar a realidade da ficção, ai sim o mundo estará perdido.

abraço.
Cassius Medauar

Victor disse...

Nasa, parabéns. Concordo com você. Eu pensei a mesma coisa quando vi a cena e não acho que uma crítica à ela seja "policiamento" em uma ficção: ora, o filme não ficaria mais chato se aquela cena não existisse e o fato de Stark não ser um "bom garoto" não significa que ele tenha que ele tenha que ser estúpido - ao contrário, o que caracteriza o personagem é uma ironia e sarcasmo regados pela sua extrema inteligência e sofisticação - não é um Justiceiro da vida. As pessoas que vivem nas grandes cidades, e são da classe média para cima, desconhecem o fato de que, no Brasil, e em muitos países de terceiro mundo (na China, no Irã...), o linchamento é um problema sério. Aqui no interior do meu Estado, ocorreu há dois anos atrás o linchamento de dois sujeitos que, passando por uma rua, foram confundidos com ladrões conhecidos: foram mortos por uma multidão enfurecida, para depois descobrir-se que foi um engano, que não eram criminosos, mas transeuntes inocentes. Parabéns pelo seu comentário, pois ele é um alento: às vezes me incomoda o fato de grande parte dos 'fanboys' ser tão pouco politizados. Por exemplo, foram poucos os comentários que eu li na web analisando a as obras de Millar (principalmente Supremos e Guerra Civil) e sua NÍTIDA correlação com os atuais rumos da política americana. Esse assunto passa batido para os 'fanboys', e nossa contínua tentativa de evadir-nos de qualquer análise crítica do que lemos, e dissociarmos o mundo da "ficção" de qualquer semelhança com que ocorre no mundo que nos cerca só reforça a visão preconceituosa daqueles que enxergam o leitor de quadrinhos como nerds alienados e infantis. De novo, reitero meus cumprimentos.

gustavo disse...

apologia ao linchamento?

tudo bem que nem era necessário haver essa cena, maaas, não acho que o público do cinema sairá linchando bandidos pela rua porque assistiram homem de ferro, e o ferroso concorda com esse tipo de coisa!

que viagem nasi. tem outras característas em outros filmes que são muito piores. pulp fiction faz apologia a um tanto de atos criminosos então?

Eduardo Nasi disse...

Cassius, eu não acho um problema em si o Homem de Ferro promover o linchamento. Até aí, tudo bem. O problema é isso não ser discutido. A cena passa batida. Você edita Authority e sabe que todos os excessos são debatidos no subtexto da obra.

Gustavo, Pulp Fiction é fichinha perto de outros filmes, como Old Boy ou mesmo Kill Bill. Mas essas obras são arenas em que a violência está em debate. Já Homem de Ferro discute várias questões, como a corrida armamentista, a invasão ao Afeganistão e os lucros da guerra, mas nem tangencia a discussão sobre linchamento. O tema fica em aberto e soa tão normal quanto Stark passar uma cantada na assistente.

Eduardo Nasi disse...

Enfim, galera: acho que o importante é que a cena seja discutida. Há muita coisa envolvida e não há uma solução. Mas ainda acho que é surreal que o filme não abra uma discussão no seu próprio subtexto.

Pacha Urbano disse...

É indiscutível que o linchamento é um ato bestial. Passemos para a página dois: nesta cena fica em aberto o que a população fará e seria ingenuidade nossa achar que o terrorista seria levado a julgamento. De qualquer forma, é muito mais preocupante imaginar que toda aquela tecnologia estava sendo usada para fabricar armas, dar continuidade à guerras.

Quem curte super-heróis não necessariamente é violento. Leio desde criança histórias sobre homens e mulheres lutando ferozmente, assassinando, roubando, traindo, mentindo, escondendo, torturando e agindo covardemente uns contra os outros em todos os cantos já narrados do Universo, e nem por isso agredi alguém fisicamente (verbalmente já, heheehe) na minha vida. O pior é que estes mesmos homens e mulheres fazem isso e deixam um rastro de destruição por onde passam e foram poucas as vezes em que exploraram isso nos quadrinhos. O Authority, por exemplo, destrói um país quase a cada edição, milhares de pessoas são massacradas. O Hulk deixa toda cidade por que passa em migalhas. A Liga da Justiça, a cada missão, deixa escombros. E aí? E toda esta destruição, não importa? Um linchamento incomoda mais do que toda esta propaganda violenta?

Pacha Urbano disse...

Outro dia eu acordei mais crítico e assisti a um episódio da Liga da Justiça Sem Limites e fiquei chocado. Mulher Gavião, Lanterna, Mulher Maravilha e Superman tentavam deter o Solomon Grundy e eles destruíam tudo pelo caminho. Fiquei pensando nos donos daqueles carros jogados como bolas de neve entre os heróis e o vilão. E também em todos aqueles prédios e calçadas arrebentados. E eles tacando escombros uns nos outros.

Este desenho é pra criança, assim como o Pernalonga e o Pica-Pau, dois dos piores sujeitos da história da humanidade.

Concordo com um colega de comentário aí de cima que disse que devemos separar ficção da realidade. Uma coisa é o Homem de Ferro no cinema deixar um terrorista estereotipado pra uma população sofrida linchar. Outra é ver o nosso presidente dizer em rede nacional que vai levar o terror até onde nasce o terrorismo, como fez Bush, arrasando o Afeganistão e o Iraque. Ou então uma criança ouvir os pais dizerem que os pais da menina jogada da janela deveriam ser espancados até à morte.

Eduardo Nasi disse...

Pacha Urbano tem um ponto importante: os heróis já fazem isso. Mas geralmente assumem a tarefa de lidar com os criminosos, bem como a responsabilidade por seus atos. São, grosso modo, policiais não-autorizados, mas igualmente uniformizados e militarizados.

A cena em questão mostra o Homem de Ferro concedendo a outros o direito de fazer justiça.

Guilherme Neto disse...

O Cassius Medauar já disse tudo: censura não.
Afinal, o bom é mostrar e ver se as pessoas discutem. Mas...
Porque tudo precisa ser discutido? Cada detalhe do filme PRECISA entrar em discussão por quê?? Não pode escapar nada?
Será que é preciso discutir a forma irresponsável com que Tony Stark lida com as coisas no filme, principalmente em relação a amizades e o tratamento às mulheres???
Ou mesmo a sua luxuria?
E as outras coisas às quais precisamos nos preocupar ou com as quais queremos nos divertir, inclusive com o próprio filme?

Não precisa fazer tempestade em copo d´água, dar dimensão a coisas irreais.

[EMERSON ABREU] disse...

Vamos exemplificar assim, quando o Garfield ataca o Odie, o Calvin joga balões d'água na Susie e o Cebolinha implica com a Mônica sem razão nenhuma a história vai ter que obrigatoriamente ficar analisando sobre aquele ato de violência gratuita e como ele afeta a sociedade num contexto mais secular de certo e errado?
Não! Porque eles não estão ali para dar bons exemplos. Assim como eles, o Homem de Ferro tem que agir de acordo com a sua natureza e ponto final.
Os filmes e quadrinhos não têm que ser manuais de moral e bons costumes... só têm que contar boas histórias.
O que vc está querendo fazer aqui é transformar o filme de Ironman numa segunda Bíblia, mostrando que cada ação tem sua reação e que se vc for mau o papai do céu vai te castigar...
Não estou dizendo que os filmes não podem discutir assuntos sérios e polêmicos, o que eu estou dizendo é que eles não têm nenhuma obrigação de fazer isso ;)

Eduardo Nasi disse...

Guilherme N., o Cassius não falou nada de censura. E, se você ler bem, vai notar que só você falou no assunto. Ninguém quer censurar. O que eu questiono é que um tema como linchamento passe batido, sem ser debatido nem no próprio filme nem pela crítica.

Não acho que cada detalhe tenha que ser discutido. Mas os detalhes importantes merecem discussão, sim. Se o Tony Stark fosse loiro ou cervejeiro, todo fanboy ia cair de pau matando em cima. Mas, quando o tema é tratar linchamento como sinônimo de justiça, ver isso como detalhe me soa como uma deturpação.

Liber disse...

Acho que essa cena levanta a questão do linchamento e a transforma em uma espécie de provocação. Se o Homem de Ferro tivesse matado o terrorista teria sido uma atitude mais correta do que entregá-lo para as pessoas da vila? Ou ele deveria ter aprisionado todos e os levado a uma corte internacional?
Afinal, assumir o cargo de xerife do mundo não é algo questionável? E que tal se omitir diante das barbaridades e injustiças?
O que eu acho bacana no Homem de Ferro é que ele é completamente ambíguo e moralmente questionável em todos os aspectos. O filme é leve e divertido e ainda assim permite levantar discussões como essa.
Acho que o filme acertou em cheio e é com debates como esse que nós podemos elaborar alguma reflexão mais profunda.
Abaixo o linchamento, mas viva a discussão. Acabou-se o tempo das visões simplistas do certo e errado. Viva o debate.
Abs!

Conrad disse...

Nasi, a discussão está sim no subtexto... quando Pepper diz em tom de pergunta: "Achei que você tinha parado de produzir armas" e Tony responde "Isso é diferente", está aí a explicação: se você ler os comentários, acima, a maioria deles diz "se ele tivesse matado, tudo bem". Deus! Tanto fora quando dentro do contexto do filme essa frase é horrível! Mas, assim como Tony, as pessoas acham que "isso é diferente". Pra mim, morte é morte, mais, assassinato é assassinato, já que os dois inimigos não tinham as mesmas condições, e sem isso não há “luta justa”. Mas, a coisa ganha mais densidade, quando pensamos que Homem de Ferro se insere naquele ambiente para equilibrar forças, ele tenta acabar com as armas que criou e que sustentava a violência da milícia dos Dez Anéis, que em si abusava daquela população de forma torturante (e não estou usando em vão a palavra).
Resumindo, Homem de Ferro tenta equilibrar as forças dos milicianos com o povo do vilarejo, deixando a luta para eles... No mais, o linchamento, em si, não foi mostrado, o suposto vilão pode ter sido morto com um simples tiro, levado à uma base dos EUA para ser julgado (à lá Abu Ghraib), ou mesmo apedrejado como manda a tradição do Corão. De toda forma Tony foi o promotor de toda a barbárie, direta ou indiretamente, dentro e fora da armadura, não é para menos que ele ganha uma bela neurose e começa a tomar uns goros a mais.
“Isso é diferente” de incitar o linchamento... mesmo que a frase soe no fundo como “isso é indiferente”. Para um sujeito que vive para as “finalidades”, os meios não são problemas.
A propósito, ele é viciado em álcool, é doente, e não está fazendo apologia ao consumo de bebidas.

Bela discussão, UHQ é antropologia!!!

gustavo disse...

tá certo que oldboy é bem mais violento, não acho que tem como comparar com o kill bill nasi, o último é ficção demais pra fazer apologia a alguma coisa. já oldboy eu concordo...mas, isso é outra história.

bom, continuo achando que é tempestade em copo d´água, a cena foi feita pra ficar até mesmo engraçada. não acho que devemos ficar com isso na cabeça, aliás, você ficar com isso na cabeça...

e se formos discutir sobre a questão do linchamento, o ato de homem de ferro de conceder aos outros o direito de fazer justiça, que tal discutirmos também o homem de ferro aniquilando soldados sem nenhum julgamento, já que o ferroso não é nenhum soldado autorizado pelo governo.

Sérgio Coutinho disse...

Vejo um problema maior do que o linchamento. O ocidental, civilizado, educado, rico Tony Stark não se considera preparado para a selvageria. Isso fica por conta dos bárbaros do Oriente Médio. É uma visão extremamente preconceituosa dos povos árabes, tendenciosa como têm sido todos os estúdios americanos nesses tempos pós 11/09. Todos os inimigos dos americanos são árabes e todos os árabes são beduínos selvagens que nunca saem do deserto e matam qualquer um.
Não dá para comparar essa gritante mensagem política com Harold, Pernalonga, Pica-Pau etc.. É uma questão ideológica bem evidente, mais uma manifestação do etnocentrismo dos estúdios norte-americanos, que sempre estiveram aliados à lógica de quem exerce a dominação e mostram isso sob um (cada vez menos sutil) disfarce de entretenimento.

Pedro disse...

Na verdade essa afirmação diz mais sobre você do que sobre o filme.

Em NENHUM momento foi implicado o que os aldeões (aí presumivelmente incluindo as autoridades civis do local, que deveriam estar no meio dessa gente) fariam com os terroristas capturados, não apenas esse mas aqueles que o HF nocauteou no combate. Se os enfiaram na cadeia, julgaram em tribunal popular, mandaram embora cobertos de piche e de penas ou os assaram e comeram devido à falta de alimentos na região, isso não é explicitado em momento algum do filme.

No entanto, a primeira coisa em que VOCÊ pensa é que eles foram linchados. Reflita sobre isso.

E o mais curioso é que não falou nem uma linha sobre os caras que o HF torrou vivos no tanque. É mais aceitável o vigilante que faz justiça com as próprias mãos do que uma decisão coletiva?

Ou deveriam ter incluído uma cena do HF entregando os ditos terroristas aos soldados americanos no Afeganistão, para provar que a América é afinal a polícia do mundo e somente ela tem a competência para julgar esses criminosos, ao contrário dos outros povos inferiores?

Sinceramente, qualquer alternativa poderia ser vista em uma luz negativa.

O próprio conceito de super-herói parte do princípio que há um pequeno grupo de indivíduos "escolhidos" superiores aos míseros mortais e que, por conta desta superioriedade, têm o direito de quebrar as regras estabelecidas pela coletividade a seu bel prazer. Afinal, a coletividade não tem capacidade de se proteger e precisa ficar sobre os cuidados da elite superior.

Aliás, pode-se dizer que ao entregar o terrorista à população, o Homem de Ferro quebra um dos dogmas super-heroísticos ao RESTITUIR à população o direito de decidir o destino de seus algozes...

Portanto, não vale a pena tentar ficar procurando mensagens subliminares nesse tipo de obra. O Homem de Ferro não promove o linchamento, porque não houve linchamento no filme. E isso é o que realmente importa.

Hunter (Pedro Bouça)

Eduardo Nasi disse...

O que eu acho mais legal desta discussão é o rumo que ela tomou. De certa forma, todos estão certos.

Desde o Hunter, que surpreendentemente abre mão do seu afamado papel de comentarista cultural ao defender que "não vale a pena tentar ficar procurando mensagens subliminares nesse tipo de obra" até o Sergio Coutinho, que enxerga um subtexto ideológico bastante claro.

Admito que, desde o começo, não quis que o post levasse a lugar nenhum a não ser a discussão. Até mesmo forcei a barra aqui e acolá para ver os rumos que esse papo tomaria.

Até agora, agradeço a todos. E que venha mais um round.

OMEGA disse...

Lincha mesmo :) Sem ser politicamente correto... hehe.

Codinome V disse...

Ele apenas fala ''He is all yours''. Ele não incentiva linchmanento, ele apenas permite que o povo tenha a justiça que mereçe.

Lynch Man disse...

O link da entrevista é muito bom, e me abriu os olhos quanto ao lichamento e seu histórico social. Alguns momentos excelentes: "O linchamento é um crime altruísta, ou seja, um crime social com intenções sociais. O linchador age em nome da sociedade. É um homem de bem que sabe que está cometendo um delito e não quer visibilidade." "As sociedades lincham quando a estrutura do Estado é débil." "É uma forma de punição coletiva contra alguém que desenvolveu uma forma de comportamento anti-social. O anti-social varia de momento para momento e de grupo para grupo".

Todo apoio ao linchamento!!!