11 fevereiro 2011

Clube do Livro

Além de quadrinhos, gosto muito de ler livros (e ir ao teatro, cinema, ver séries... mas isso não vem ao caso). Um dia desses, estava conversando com o amigo Nobu Chinen e comentei sobre vários livros que estava lendo e fiquei de mandar um e-mail para ele com os títulos que tinha citado.

Como é uma relação interessante (pelo menos na minha opinião) e são livros que sempre recomendo às pessoas na expectativa de que cada vez mais gente descubra esses autores, resolvi aproveitar e resumir as indicações em um post.

Então, segue minha lista de livros!

Em caso de felicidade - David Foenkinos - Um dos melhores livros que li nos últimos tempos. Uma história composta por personagens pitorescos e com um texto muito bom. Normalmente, a gente se contenta com uma boa ideia, mas esse caso é um pacote completo: uma escrita refinada em que cada palavra é bem aproveitada e cada frase é marcante como uma citação.

O potencial erótico da minha mulher - David Foenkinos - Ótimo livro, com personagens incríveis, mas o texto ainda não tinha chegado na qualidade que o autor alcança no Em caso de Felicidade.

Talvez uma história de Amor - Martin Page – Na mesma linha do Foenkinos, esse escritor, também francês, parte de uma história aparentemente absurda para criar um personagem magnificamente alheio ao mundo e a si mesmo.

(Cabe um parênteses aqui. Passei a indicar esses dois autores a todos que reclamavam sobre o final de Cachalote. Veja bem, não existe um paralelo real e nem vale fazer qualquer comparação de qualidade, mas esses três livros mostram bem que os finais são supervalorizados. A estrutura “começo, meio e fim” é muito importante, mas nada impede que um recorte do meio de uma história seja muito bom. Às vezes, um escritor de muita qualidade, como Foenkinos e Page, consegue retratar tão bem um ponto de uma história que o “começo” e o “fim” dela se tornam desprezíveis. Tudo que importa está ali, naquele momento de história que o autor capturou.)

O Trompete - Jackie Kay – Este livro também parte de uma premissa bem peculiar. Um grande músico de jazz que após a morte tem seu grande segredo revelado: ele era uma mulher que sempre se vestiu e se apresentou como homem. Vale pelo estilo da escrita da autora. São múltiplas vozes observando o mesmo fato, e é bem interessante como o tom de tudo muda de cada ponto de vista.

(Para ser justo, descobri esses livros acima por indicação do Diego Figueira.)

Morte do Gourmet - Muriel Barbery - Nessa linha de múltiplas vozes observando um fato, eis outro ótimo livro. É o relato do fim da vida de um crítico gastronômico e intercala as memórias dele - na tentativa desesperada de redescobrir um sabor que se perdeu em sua mente - com as opiniões das pessoas sobre ele. É bem interessante a capacidade da autora de se moldar a cada pensamento.

A Arte de produzir efeito sem causa - Lourenço Mutarelli - Outra leitura que vale muito a pena são os livros do Mutarelli pela Cia. das Letras. Este, por exemplo, é brilhante, pra mim, o melhor do autor. É muito útil para entender como funciona uma cabeça complexa, de pensamento anárquico, como a dele. Além de ser um livro mais “redondo” que os outros.

Nada me faltaráLourenço Mutarelli - O livro mais recente dele também é interessante. Todo feito em diálogos, é extremamente opressivo. Você chega a ficar aliviado quando ele termina.

A Higiene do Assassino - Amèlie Nothomb – Nessa linha de opressão e construção em diálogos, há uma autora que sempre recomendo para as pessoas: Amèlie Nothomb. Ela é muito boa e bastante versátil. Um dos melhores livros dela, A higiene do assassino, é muito marcante. É uma daquelas leituras envolventes, com personagens cativantes, e, ao mesmo tempo, muito opressiva e sufocante.

Descobri essa autora há uns dez anos, por recomendação de um amigo. De lá para cá, tenho indicado e presenteado várias pessoas com livros dela - e todos viram grandes fãs.

Alta fidelidade – Nick Hornby – Esse é um dos meus autores preferidos. Recomendo todos os livros dele, inclusive Febre de bola, que é bom até para quem não é fã de futebol. Alta fidelidade, especificamente, foi o primeiro livro que eu li dele e gosto demais. Atualmente, estou na metade da leitura de Juliet, naked, o último romance que ele publicou.

E você? Quais livros você gosta? Comente aí.

6 comentários:

Marcus Ramone disse...

"O Potencial Erótico da Minha Mulher" é mesmo muito bacana. Também recomendo.

Zé Oliboni disse...

Ramone, se você gostou desse, tem que ler "Em Caso de felicidade", é melhor ainda.

Marcus Ramone disse...

Então acabou de entrar pra minha lista (raios, a pilha vai continuar aumentando!). :-)

LBCmachado disse...

Caraca, mijei de rir com "Nobu Chinen".

alexandre (ars351) disse...

camaradas, boa noite.
eu particularmente DETESTEI o "o potencial erótico...". martin paige, porém, é um francês fast food, que me agradou muito em "como me tornei estúpido", único livro dele que li.

nick hornby, além de "alta", eu sugeriria "um grande garoto". muito bom, apesar de a tradução ser sofrível.

sugeriria também um agualusa, autor angolano, em "o vendedor de passados".

eu tenho uma fila imensa de livros.
achei muito legal a sugestão do tópico, mesmo sabendo que vai gerar mais atrito do que consenso.

mas o mundo é belo porque é vário.

e eu sugiro o melhor livro que eu li em 2009: "o filho eterno", do cristóvão tezza.
ou "eu receberia as mais tristes notícias dos seus lindo lábios", do marçal aquino, o melhor livro que eu li em 2007 ou 2008.

é isso aí. eu falo e escrevo demais.

grande abraço.
stay cool.

Zé Oliboni disse...

Alexandre,

acho "O potencial erótico..." bem legal, mas como eu disse, prefiro Em caso de felicidade.

Do Martin Page eu não li nada além do "Talvez uma história de amor" que eu achei ótimo.

O grande garoto e todos os outros livros do Hornby (inclusive os de crônicas musicais) são bem legais. Não posso comentar a tradução porque sempre leio os livros dele em inglês (é mais barato =p)

Quanto ao Tezza você tem razão, esqueci de incluí-lo nessa lista. Gosto muito da forma como ele narra o Filho Eterno. Com aquele afastamento e pretensa neutraliade ao recontar tudo.