22 novembro 2010

Como foi a Rio Comicon


Hoje entrou no ar, no Universo HQ, a matéria que o Delfin e eu fizemos sobre a Rio Comicon, que rolou de 9 a 14 de novembro, no Rio de Janeiro.

Listamos os acertos e erros do evento, mas queremos saber a sua opinião. Por isso, comente à vontade!

33 comentários:

Samanta Coan disse...

O que mais me incomodou foi o fato das editoras não aparecerem...
Eu achei que ia economizar na compra de alguns hqs para adquirir outras que não planejei em ter.
Comprar lá não valia a pena, só os independentes mesmo.
Gosto sempre de lembrar um evento que eu gosto - o Anime Friends. As possibilidades de completar coleções de mangás antigos, assim como adquirir novos é enorme. Os preços fazem valer a ida a SP para comprar, isso porque as editoras vão e não uma livraria.
Sabe, aqui em BH tem o anime festival e acontece a mesma coisa, as editoras não veem, mas porque há uma monopolização no evento. Não falo que isso aconteceu no Rio comicon, porque não sei, mas a livraria sabendo que era a única fonte de vendas poderia proporcionar descontos.
Quem perde são os leitores,os autores, as editoras, o evento (como vocês falaram).
Mas enfim, ótima matéria e que os próximos Rio Comincon façam valer, ainda mais, a ida para o Rio de Janeiro.

Marshall disse...

Antes de mais nada, parabenizo o Sidney e o Delfin pela matéria abrangente e isenta. Contrastando com outros veículos que se limitaram a jogar confete e tecer comentários deslumbrandos e infantis, o UHQ dá novamente provas de seriedade, competência e credibilidade.

Faço agora um apelo pela transparência e respeito com o público, posto que alguns pontos levantados na matéria merecem esclarecimentos.

1)"A organização do evento diz que as editoras não se interessam pelo evento; e alguns representantes das casas publicadoras do Brasil dizem que nem resposta obtiveram para os e-mails que enviaram tentando participar da Rio Comicon".

Este desencontro de informações é inadmissível! A organização do evento e os representantes das editoras deveriam vir a público e colocar a limpo esta questão.


2)"A ausência de Companhia das Letras, Devir e Conrad, bem como de editoras com um grande trabalho junto a públicos específicos, como Zarabatana e JBC, talvez tenha se devido à exclusividade (alguns diriam monopólio) de exposição e venda de títulos negociada com a Livraria da Travessa, que não promoveu nenhum desconto especial, nem mesmo em relação às editoras que fizeram parceria comercial com ela para a Comicon".


Monopólio de exposição e venda de títulos com total ausência de descontos. É este o modelo que queremos? É este o modelo que o público merece? Com a palavra a organização.


3)A matéria menciona que "...a Rio Comicon mostra capacidade para voltar ainda mais forte em 2011..", todavia, 2011 seria ano de FIQ BH.

Gostaria que a Casa 21 esclarecesse a programação para 2011. FIQ BH ou Rio Comic Con? Teremos os dois eventos?


Muito obrigado ao UHQ pelo espaço!

Vamos debater galera!

Igor Bone disse...

Hahahah, gostei do comentário sobre as pizzas...

Enfim, o forte da Comicon, pra mim, foram as pessoas que participaram, profissionais e fãs da área de quadrinhos.

Mas me surpreende a desorganização. A casa 21, que já organizou tantos FIQs, já deveria prever a lotação de sábado ou saber usar melhor o espaço. Espero que para eventos futuros isso sirva de alguma coisa.

Sidney Gusman disse...

Marshall, só mesmo a organização pode responder essas perguntas.

Valeu pelos elogios à matéria.

Anônimo disse...

Legal.
Espero que alguns equivocos que foram cometitos sejam corrigidos e fortaleça, mais e mais a RIOCOMICON e espero que perdure por muito, quiça, estendendo-se a mais alguma capital.

Humberto Levedo disse...

É realmente alvissareira uma convenção de quadrinhos do porte da Rio Comicon. Só espero que isso não comprometa o FIQ BH, que, apesar de algumas falhas, tem melhorado a cada biênio. Não seria melhor alternar, a cada ano, um evento no Rio e outro em BH? Juro que eu gostaria que ambos acontecessem anualmente, mas não sei se há espaço pra isso... Meu receio é apenas que, apostando todas as artilharias simultaneamente lá e cá, a Casa 21 acabe não dando conta, afinal, de nenhuma das duas convenções... Pessoal do UHQ: por favor, continuem divulgando com antecedência suficiente também os eventos de menor porte, para que os leitores distantes que se dispõem a participar (como eu, que sou da Bahia) possam se programar.

Leo Violador disse...

O apanhado feito pelo Sidney revela totalmente os prós e contras que aconteceram na Rio Comicon, mas eu ressalto mais um: o horário.

Eu, que moro aqui no Rio, sei dos perigos em sair da Leopoldina às 22:00 horas, que era normalmente o término das palestras. Eu, assim como vários, preferimos não nos arriscar em sair tarde do centro do Rio e ser assaltado no meio da rua, ainda mais com mochila cheia de compras. Portanto, espero que a Casa 21 possa também rever este ponto. Por que a Rio Comicon não pode começar de manhã (como acontece nas Bienais do Livro no Rio e em São Paulo) e terminar no início da tarde. Creio que assim todos podem perfeitamente partipar do início ao fim de todo o evento.

Outro ponto que realmente foi negativo foram os banheiros. Era impraticável utilizá-los sem ter uma sensação de náusea. Acho que os banheiros do bares próximos era mais limpos do que os que estavam lá.

Por último, realmente não houve uma promoção por parte da Livraria Travessa. Era mais barato comprar os produtos através da Internet (Liga HQ, Banca 2000) do que comprar qualquer coisa lá. Melhor mesmo foi comprar os independentes, com a possibilidade de vir autografado. Eu, por exemplo, comprei Taxi autografado por Gustavo Duarte.
No mais, desejo boa sorte às novas edições da Rio Comicon e tenho certeza que a tendência agora é só crescer mais ainda e o público continuar prestigiando.

Ricky Goodwin disse...

Sidney & Delfin:
muito legal a materia de voces;
só lamento que não tenham descoberto a Plataforma com as barracas dos sambistas.

Todas as barracas eram de famílias de veteranos sambistas e a renda arrecadada foi para uma associação que cuida de sambistas idosos.

Ali teriam degustado o que foi a maior sensação do Rio Comicon: jiló frito!

A barraca da Tia Romana tinha também pratos típicos saborosos.

Pois afinal, paulista sair de sampa pra vir comer pizza no Rio...

abraços,

Ricky Goodwin

Camile disse...

Muito bom! Obrigada por repassarem meus tweets sobre as oficinas do Rio Comicon. foi realmente maravilhoso. (@CamileMusica). Também estão de parabéns pela matéria. Vamos agora aguardar o próximo em 2011. Com certeza será cada vez melhor.

Roberto Ribeiro disse...

Sidney e Delfin:

A matéria de vocês sobre o Rio Comicon é importante, pois, consegue desenvolver uma crítica positiva destacando avanços e equívocos cometidos na organização do evento. Haveria muito a comentar sobre o processo de construção do Rio Comicon (seus acertos e erros) mas vou deter-me na questão fundamental da presença das editoras. Trabalhamos na organização de eventos internacionais de quadrinhos há pelo menos 20 anos. Nesse período sempre encontramos dificuldades em convencer as editoras a participar. Desta vez, não foi diferente. O mesmo problema aconteceu com a sexta edição do FIQ em outubro de 2009. Apenas a Cia. das Letras marcou presença, pois, haviam publicado, um pouco antes, a obra de Craig Thompson e as expectativas de venda eram reais. A presença de um grande livreiro no evento é resultado, sempre, da ausência das editoras. No FIQ, este problema foi suprido pela livraria Leitura. No Rio, pela livraria Travessa.

Há diversos obstáculos que dificultam a presença das editoras em eventos do gênero. O longo período de realização (seis dias é demasiado longo para uma editora de São Paulo, por exemplo, participar, pois, implica em altos custos), desconfiança no potencial comercial de eventos do gênero (a livraria Travessa também manifestou desconfiança por tratar-se de uma primeira edição, um desequilíbrio entre a área cultural e comercial com maior destaque, na mídia, para a área cultural com exposições, palestras, debates e oficinas. Em geral, cometemos erros na divulgação dos aspectos comerciais do evento.

Entretanto, a situação econômica atual no país aumentando o poder de consumo da população, o avanço do mercado de quadrinhos (a livraria Travessa vendeu 5.000 livros no evento), maior presença do gênero nas livrarias, o aumento das teses acadêmicas criando um mercado de críticos e uma reflexão sobre o gênero são sintomas que devem influenciar o comportamento das editoras no próximo período.

Aumentar sua presença nas próximas edições do Rio Comicon é nosso objetivo. Abrimos as portas da primeira edição do Rio Comicon mas, infelizmente, ainda não foi desta vez.

Nós tentaremos nos reunir com as editoras para discutir e refletir, conjuntamente, sobre esse problema. Escutaremos suas críticas e tentaremos reformular o projeto para acolher o maior número possível de editoras na segunda edição do evento. De nosso lado, nos comprometemos a fazer todos os esforços para que o público possa encontrar os seus autores diretamente no estande de suas editoras. Sabemos que o futuro do Rio Comicon dependerá muito da confiança das editoras no evento. Ninguém faz nada sózinho: promotores, editores, autores, críticos, imprensa e público devem interagir para o sucesso do mercado de quadrinhos no Brasil.

Roberto Ribeiro

Marshall disse...

Roberto,

Gostaria de agradecer pela sua serena manifestação, pois apesar de ser dirigida ao Sidney e ao Delfin, acredito que tenha respondido, ao menos em parte, dúvidas dos interessados em geral, inclusive as minhas. Agradeço pois, em meu próprio nome (ou pseudônimo, que seja).

Seria ótimo se as editoras viessem também apresentar suas razões.

No mais, gostaria que vc esclarecesse a questão da agente de 2011. Rio Comic Con, FIQ, os dois...o que podemos esperar?

Sidney Gusman disse...

Ricky, eu vi a barraca do jiló frito, mas, juro, não me atrevi! :-) E só comi pizza porque a fome era grande à beça!

Roberto, valeu pelos esclarecimentos. Eu, de verdade, acho que essa questão com as editoras merece um esforço ainda maior da parte de vocês.

Sei que eventos de quadrinhos no Brasil não costumam ser programados com antecedência, em virtude do patrocínio, mas creio que organizar e planificar melhor seria um caminho para atrair as editoras.

Tomo por base as Bienais do Livro. As editoras sabem, um ano antes, quanto custará um estande. E se planejam em cima disso.

Se me permitem, acho que vocês devem ser mais incisivos com as grandes editoras. E, ao mesmo tempo, devem dar mais atenção às pequenas - muitas queriam participar, mas dizem que não obtiveram resposta dos e-mails enviados.

Sobre a questão da livraria, a Comix, aqui de São Paulo, que é a maior gibiteria do Brasi, me disse que quis ir ao evento, mas não pôde em virtude dessa opção de exclusividade pela Travessa. Não seria o caso de ter mais de uma? A concorrência, certamente, beneficiaria o leitor.

Abraço

Marshall disse...

Em tempo, "a questão da agenda de 2011".

Delfin disse...

Roberto,

Acho importante demais você ter vindo aqui para mostrar o lado da Comicon nesta questão das editoras. Mas tenho que concordar com o Sidney: as editoras se planejam com um ano de antecedência em relação a feiras e bienais. E, no ano que vem, estou particularmente preocupado com o destino do FIQ, evento que é abraçado em níveis mais profundos em Minas do que a Comicon, por enquanto, é no Rio (em BH, há envolvimento com escolas e com a formação de leitores, o que garante a mobilização da cidade em torno do FIQ). A preocupação, no entanto, veio após uma entrevista do Ricky Goodwin ao Ednei Silvestre, em que ele parece sugerir que o FIQ, que um dia foi a Bienal Internacional de Quadrinhos, estaria voltando ao Rio, mas com outro nome — isto significaria o fim do FIQ, hoje o maior evento de quadrinhos fora do eixo RJ-SP, ou, sorte pior, um esvaziamento do evento mineiro por conta dos dois caírem na mesma época do ano?

De todo modo, essas questões (editoras, editoras pequenas, editoras independentes e a relação FIQ/Comicon) precisam ser pensadas de verdade desde já. Posso garantir que as editoras grandes já tem o seu planejamento 2011 definido na quase totalidade, e as pequenas e os independente se planejarão de acordo com os eventos.

Mas saiba que foi bom estar por lá e que desejo apenas o melhor, pois, mesmo com os problemas de primeira edição, curti muito.

Abraço!

Diana disse...

Olá, meu nome é Diana, eu cuido da parte de redes sociais da Companhia das Letras. Como avisaram lá no nosso twitter (@cialetras) sobre essa discussão, eu resolvi vir aqui contar o que a Diretora de Marketing me passou.

A Companhia das Letras entrou em contato com a Rio Comicon diversas vezes perguntando sobre quais eram as possibilidades para montarmos um estande próprio no evento. E diversas vezes a organização nos respondeu que ia nos passar essas informações - e nunca passou. A única vez que recebemos uma resposta mais definitiva sobre isso, foi para dizer que só as editoras independentes teriam estandes próprios.

No meio de toda essa indecisão, a Travessa entrou em contato conosco e nos ofereceu uma parceria para montarmos um espaço Quadrinhos na Cia. dentro do estande deles - e então essa foi a opção adotada pela editora.

Nós compreendemos a insatisfação dos fãs de quadrinhos, e entendemos a importância de participar com um estande próprio - tanto é que, como já foi dito, havia um estande da editora no FIQ.

Espero que em edições futuras esses desencontros possam ser resolvidos.

Marshall disse...

Delfin, embora eu não tenha me expressado tão bem quanto vc, saiba que como assíduo participante do FIQ BH, compartilho da sua preocupação com o futuro do evento.

Acredito que muitas outras pessoas devem estar também preocupadas.

Por isso insisto com vc Roberto:

Há motivos para nos preocuparmos com o futuro do FIQ BH?

A Diana fez uma afirmação séria aqui:

"A Companhia das Letras entrou em contato com a Rio Comicon diversas vezes perguntando sobre quais eram as possibilidades para montarmos um estande próprio no evento. E diversas vezes a organização nos respondeu que ia nos passar essas informações - e nunca passou."


Então, como ficamos?

Nilson Falcão disse...

Primeiramente, congratulo o Sidney e o Delfin pela excelente matéria que abrangeu diversos pontos dignos de discussão e reflexão para as próximas edições deste evento que, particularmente, eu espero que tenha vindo pra ficar.
Parabenizo-os também pela abertura deste espaço para que possamos comentar e opinar de forma sempre construtiva; ele é útil ainda para que fiquemos informados de situações de bastidores que até então desconhecíamos, como os contatos com as editoras, livrarias e gibiterias... Aliás, começo meus comentários por aí. Além de ser fã de quadrinhos desde que aquelas locomotivas da plataforma se moviam, também sou professor de desenho e freqüento eventos de anime/mangá com meus alunos aqui no Rio. No maior deles, o Anime Family, a gibiteria Comix monta uma verdadeira filial e vende com descontos consideráveis HQs e mangás das maiores editoras do país. Não dá pra entender, então, porque esta gibiteria ficou de fora entrando a Livraria Travessa (com todo respeito à livraria...). Fiquei também incrédulo quando fui até o estande da Panini (que não funcionou nos dois primeiros dias) e este era apenas para fazer assinaturas das revistas!... (Os caras não queriam ganhar dinheiro!...)
Ou seja, na minha opinião bastaria a presença da Comix para que reclamações sobre editoras não existissem (e os nossos bolsos agradeceriam!)

Deu pra ver também que o local NÃO COMPORTA mesmo o evento por todas as razões já citadas.

Outra foi a programação que a meu ver estava limitada. No sábado (lotado!) quem não conseguiu se inscrever para a palestra ou a oficina de desenho ficou meio sem opção... Acredito que faltou um palco (como nos eventos de anime/mangá) onde rolasse algo como um concurso de cosplay. Sabemos que nas grandes convenções de HQ americanas e européias eles fazem enorme sucesso, sem falar que ver “heróis” desfilando pelo evento cria um clima bem interessante (quem freqüenta eventos de mangá sabe do que estou falando).

Porém, apesar de todas os problemas temos que aplaudir o Roberto Ribeiro e a Casa 21 pela realização do evento que inclui o Rio novamente neste importante circuito, louvando também os aspectos que o tornaram inesquecível, como a palestra impagável do trio de cartunistas Laerte, Angeli e Otta; ver o Milo desenhando ao vivo nos autógrafos e a expo com seu originais; ver a força das independentes (parabéns especiais à Quarto Mundo!); as presenças sempre agradáveis (e necessárias) do Ziraldo e Maurício de Souza; e a simpatia e talento dos irmãos Fábio e Gabriel.

Roberto, estamos com você prontos pra outra!

Sidney, realmente a barraca do jiló não era pra qualquer um... acredito que ali só com estômago de adamantium...

Abraços a todos!

Luiz Sardinha disse...

Sidney e Delfin

Este artigo de vocês alcançou plenamente seus objetivos: descreveu de forma precisa o evento, suscitou a discussão e trouxe alguns dos principais envolvidos a debaterem. Parabéns.
Não fui à Comicon e não quero fazer o tipo "não fui e não gostei", mas acho que falta à esses eventos o apelo comercial de vender HQs com bons descontos, como leigo é difícil acreditar que não haja potencial comercial nesses eventos, quem vai à Festcomix e vê os clientes saindo carregados de HQs há de concordar comigo. Aliás nem na Festcomix que é organizada por uma loja de quadrinhos há exclusividade nas vendas.
Não vou ficar repetindo os pontos negativos tão bem descritos no artigo, gostaria de comentar apenas que é muito bom ver um dos organizadores vir a público discutir eventuais falhas na sua organização, torço para que isso seja uma mostra de disposição para a mudança de paradigma e para corrigir os erros cometidos. Quem organiza eventos há tanto tempo, como o Roberto cita, tem a tendência a repetir erros e aceitar críticas como o Roberto fez elegantemente neste blog não é coisa comum.
Parabéns também a todos que se manifestaram no blog, uma discussão civilizada como essa é difícil de encontrar na internet.

Ricky disse...

Esclarecendo a questão do FIQ, quanto ao que eu disse:
não foi exatamente que o FIQ volta ao Rio com outro nome. Mesmo porque não trabalhei no ultimos FIQs e não represento aquele evento. Não tenho portanto como determinar os destinos do FIQ de BH.

O FIQ não poderia voltar ao Rio porque nunca existiu no Rio de Janeiro. O que retorna ao Rio, de certa forma, com outro nome, é a Bienal de HQ, realizado aqui nos anos 90.

Mais: Bienal de HQ é um evento, FIQ é outro evento, e Rio Comicon é ainda outro evento. Realizados com equipes e propostas diferentes. O comum entre eles é serem grandes eventos de quadrinhos. E contarem todos com o promotor Roberto Ribeiro.

A pergunta do Edney era se o fato de terem existido antes esses mega-eventos de quadrinhos facilitaria a criação de um novo evento, no Rio de Janeiro.

E eu respondia que, paradoxalmente, não. Produzir o Rio Comicon foi como se estivessemos começando do zero.

Em termos de público, a pergunta do Edney procede. Havia uma mística em torno daquelas grandes Bienais e uma expectativa sebastianista em torno de um retorno eventual de um evento HQ tal qual aquele.
Havia uma carencia do público por mostras de quadrinhos, anseios por viver novamente grandes encontros quadrinhisticos.

Mas em termos práticos de produção - na hora do vamos ver - por parte de patrocinadores e de apoiadores houve uma incompreensão do que representa um evento de quadrinhos, do peso que hoje representa esse mercado e quanto à importancia do publico consumidor do genero.

Houve, também, para nossa tristeza, um preconceito e temores quanto ao fato do evento estar sendo realizado na Estação Leopoldina, fora do eixo Zona Sul, do Riocentro/Barra ou dos grandes museus.
Enquanto nós quisemos, propositadamente, buscar um local popular e que estivesse justamente numa intersecção entre as diversas áreas da cidade.

Neste sentido foi como se começassemos do zero; como se as experiencias do FIQ em BH e das Bienais no Rio não tivessem servido para demonstrar o potencial de grandes eventos de HQ.

(E nesta linha histórica gostaria de citar também os eventos promovidos no Rio pelo ComicMania.)

Este raciocínio, sobre o qual eu conversava com Edney, é no fundo um comentário sobre toda a produção cultural no Brasil.
Mesmo eventos consagradíssimos, como AnimaMundi, Festival de Cinema ou o finado Tim Festival, a cada ano, a cada edição, ainda lutam ou lutavam pela sua sobrevivencia.

O Salão Carioca de Humor, evento estabelecido e tradicional promovido há mais de duas décadas pela Sec de Cultura do Estado do Rio, não acontece há dois anos.

Ricky disse...

Quanto ao futuro do FIQ:
Roberto Ribeiro e os organizadores mineiros poderão escrever sobre isto de maneira mais precisa.

Minha opinião pessoal é que os dois eventos (o mineiro e o carioca) continuarão existindo.
E, melhor ainda, co-existindo, com um reforçando o outro, em parcerias.

O que deve acontecer é cada um caminhar para ter um perfil diferenciado do outro.

Nos EUA, por exemplo, ocorre o Comicon de San Diego e pouco tempo depois o Comicon de Nova Iorque. O de San Diego é voltado para a indústria do entretenimento e o de NY para discussões teoricas sobre HQ.

Numa área brasileira correlata, por mais de 30 anos conviveram no mesmo mes de agosto, anualmente, os Salões de Humor de Piracicaba e de Teresina, sendo os dois principais eventos da área.

Aqui no Rio, recentemente, alternavam-se na mesma cidade dois eventos semelhantes mas de perfis diferentes: o Salão de Humor Carioca e o Festival Internacional de Humor.

Eu acredito que no Brasil, com suas regiões distintas, com um mercado crescente de quadrinhos, com um público entusiasmado, há espaços para diversos mega-eventos de HQ.

Marshall disse...

Ricky,

A questão é que os dois eventos em tela tiveram perfis muito parecidos, principalmente no tocante do predomínio dos independentes.

Não me entenda mal, acho ótimo que os independentes usem e abusem do espaço de todo e qualquer evento.

Entretanto, não vejo motivo para não termos concomitantemente um maior aproveitamento comercial em eventos como o FIQ e a Rio Comic Con.

Por exemplo, a Panini anunciou X-Women do Manara...DEPOIS do Rio Comic Con!

Porque não programaram o lançamento para o evento?

É inconcebível a Panini montar apenas um estande de assinaturas no local. Diria mais, é vergonhoso.

Anderson Quespaner disse...

Ola Sidney e Delfin.
Eu postei uma materia sobre o evento no blog de minha amiga se puderem deem uma conferida.
http://chairim.wordpress.com/
Bem, eu não sou jornalista..mas, queria dar minhas impressoes sobre o evento..
Realmente,houve falta de grandes editoras no evento..O absurdo de ter um estande da Panini somente para fazer assinaturas..Ao Monopolio ( e foi mesmo) da Travessa, com preços absurdos.. Eu comprei os livros do Gabriel bá e do Fabio Moon no estande deles muito mais em conta que na livraria.
Gastei mais grana comprando com a galera dos quadrinhos independentes, do que na livraria..Ah, sim..Não me arrependo nem um pouco.Tinha otimos trabalhos ali.
A pouca divulgação na grande midia,que so veio nos dias finais do evento.
Bem,apesar destes problemas, eu gostei ( e muito )do evento..
os artistas que compareceram ( famosos ou iniciantes)A galera que ate não e fa de quadrinhos e curtiu o evento.
So espero que não levem quase vinte anos pra voltar com outro.
Um abraço.

Sidney Gusman disse...

Marshall e Anderson, o lance com a Panini, ao que parece, é que a editora não podia vender suas HQs no evento, em virtude da parceria da organização com a Travessa.

Abraço

Lucas Pimenta disse...

Peguei meu avião e fui diretamente da Bahia para o Rio, curtir o evento.

Foram seis dias muito bons...

Mas teve vários erros irritantes...


Como a hora em que me informaram que o Boucq estava na plataforma autografando e ele sequer foi ao evento....

Os demais, vocês apontaram muito bem...

Que venha o próximo... Estarei lá!

Nilson Falcão disse...

"o lance com a Panini, ao que parece, é que a editora não podia vender suas HQs no evento, em virtude da parceria da organização com a Travessa"

Não acredito que li isso...

Marshall disse...

"o lance com a Panini, ao que parece, é que a editora não podia vender suas HQs no evento, em virtude da parceria da organização com a Travessa"


Ai. Doeu ler isso.

Ao que parece então chegou ao fim o mistério da ausência das editoras no Rio Comic Con.


Ou será que Corand, Devir, Zarabatana etc. poderiam vender no evento?


"Trabalhamos na organização de eventos internacionais de quadrinhos há pelo menos 20 anos. Nesse período sempre encontramos dificuldades em convencer as editoras a participar"

Olha Roberto, desse jeito vai ser realmente muito difícil convencer as editoras.


E digo mais. Em todos os eventos de quadrinhos e livros que já fui nos quais a COMIX esteve presente, INCLUSIVE concorrendo com outras, como a LEITURA, sempre ofereceram bons descontos.

Monopólio e ausência de descontos. Eu simplesmente não consigo acreditar que inexista um modelo alternativo.

Tiago disse...

Cara, não consegui ir. Pena, mas espero que tenham outras e que o evento vá melhorando. Podiam fazer um em Porto Alegre, vou ver com uns conhecidos aqui se renderia. hehe IA ser legal. Bom, valeu.

Roberto Ribeiro disse...

Eu escrevi um longo post. Enviei-o e esperava encontrá-lo nos comentários. Não o encontrei e não sei o que aconteceu. Vou iniciar.

Eu gostaria de comentar sobre a participação das editoras. Desde a Bienal Internacional de Quadrinhos no início dos anos 90, passando por seis edições do FIQ e, agora, no Rio Comicon, nunca conseguimos estabelecer um real diálogo com as editoras. Elas nunca estiveram presente e não é completamente verdade que os eventos precisam preparar-se melhor, pois, as editoras organizam sua participação com uma antecedêndia de um ano. O FIQ, por exemplo, é um evento que acontece a cada dois anos. Todas as editoras sabem disso mas a cada edição encontramos as mesmas dificuldades em convencê-las a participar. Eu não estou afirmando que a culpa é das editoras. Há uma relação comercial que precisa ser trabalhada entre promotores e editoras.

No caso do Rio Comicon, tivemos, de fato, as dificuldades de uma primeira edição. O espaço da Leopoldina era restrito. Dispunhamos apenas de 12 estandes de 5 m2 em um total de 60 m2. Com uma área tão pequena seria difícil definir uma política comercial. Apesar dessa limitação, mantivemos contato com diversas editoras. Ao sentirmos novamente uma resistência em participar e visto o histórico dessa relação, decidimos conversar com a FNAC e a Travessa. A FNAC alegou não estar em condições de oferecer uma proposta para esta edição. Fechamos com a Travessa. Em 1991 e 1993, a Devir supriu essa lacuna montando uma enorme livraria na Bienal Internacional de Quadrinhos.

Uma vez fechado o acordo com a Travessa que garantia a presença de livros no evento, não podíamos, naturalmente, aceitar que editoras que não apostaram na primeira edição do evento, vendessem seus livros. Eles só poderiam participar a título institucional. Elas preferiram fechar um acordo com a Travessa para representá-las. O mesmo acontece no FIQ onde as editoras fecham um acordo com uma livraria local, no caso a livraria Leitura.

Com relação a Panini esse acordo não prevaleceu, pois, a Travessa foi consultada se eles poderiam vender revistas, pois, a livraria não venderia esses produtos em seu espaço. A Travessa aceitou e foi comunicado a Panini. A ausência da Panini no início do evento e as razões de não venderem suas revistas só eles podem responder.

Nós estamos dispostos a avançar nessa relação e procuraremos todas as editoras para debater sobre esses problemas.

Finalmente, com relação ao FIQ, iniciaremos discussões, nas próximas semanas, com a Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte para tentarmos chegar a um acordo que não prejudique os dois eventos.

Roberto Ribeiro disse...

Só lembrando que cometi uma injustiça com relação a Cia. das Letras que participou da última edição do FIQ e conversou conosco durante a preparação do Rio Comicon.

Delfin disse...

Roberto, eu posso estar interpretando algumas coisas de maneira estranha, mas, se entendi bem, após o acordo fechado com a Travessa, você não podiam, "naturalmente, aceitar que editoras que não apostaram na primeira edição do evento, vendessem seus livros" (palavras suas)?

Isso quer dizer que se elas decidissem ir, tipo semanas antes, estariam de mãos atadas, podendo participar apenas institucionalmente? Mas se apostassem antes no evento, poderiam concorrer com a Travessa normalmente? Ou a Travessa é que não venderia livros deles?

O que me preocupa, pessoalmente, é se houve, realmente, resposta às editoras que entraram em contato? Pode ser, e acredito nisso, que poucas se interessaram. Mas e elas, foram contatadas? Entenda, Roberto, que tudo isso é para a melhor compreensão de um cenário. Sei muito bem o quanto você, pessoalmente, apostou no sucesso da Rio Comicon e não o estou desmerecendo em nada.

Continuo defendendo o cronograma como arma da Comicon e aliado das editoras sérias para que estas participem de edições futuras dos eventos (Comicon e FIQ e outros que virão). Saber das datas antecipadamente é fundamental pra qualquer planejamento editorial. Que não seja anual, mas que se tenha meses (ao menos meio ano) pra se trabalhar decentemente.

Me desculpe, mas interpretei mal aquela colocação que destaquei acima e espero estar tendo uma compreensão errada do que você disse no comentário anterior.

Marshall disse...

Diante do último comentário do Roberto, proponho colocarmos a Panini na Berlinda.

Vou tentar novamente contato com a editora solicitando esclarecimentos quanto a não participação no Rio Comic Con.

Se mais pessos tentarem quem sabe não conseguimos?

Roberto Ribeiro disse...

Oi Delfin,

Eu, talvez, tenha me expressado errado. O que eu quis dizer é que houve um tempo curto para as negociações. O espaço para a área comercial, como eu já disse, era demasiado pequeno. Como já havia um histórico de não participação das editoras nos eventos anteriores como o FIQ e não havia mais tempo para negociar com um universo representativo de editoras (e, neste caso, a responsabilidade foi nossa, pois, assumimos realizar o evento apesar das dificuldades que envolvem a realização de uma primeira edição e, portanto, não é responsabilidade das editoras), decidimos fechar com uma livraria para garantir um espaço de venda de livros no evento.

Em uma Bienal de Livros, por exemplo, a presença de uma livraria só se justifica na venda de títulos importados. Nenhuma livraria arriscaria participar de um evento como o Rio Comicon se tivesse que disputar a venda com as próprias editoras.

Esta discussão é importante. O Rio Comicon, infelizmente, nesta primeira edição, não teve o tempo necessário para enfrentar adequadamente esse problema da participação das editoras.

A sétima edição do FIQ acontecerá em novembro de 2011 e as editoras estão convidadas a participar. Há tempo para programar-se. E o debate será mais produtivo.

Humberto Levedo disse...

Já que desta vez o FIQ vai ser em novembro, Roberto (e não em outubro, como da última vez), peço encarecidamente a você e a sua equipe que aproveitem a semana em que cai o feriado do dia 15, uma terça-feira, para facilitar a participação dos leitores de quadrinhos de outros estados. Seria também excelente se vocês pudessem manter o evento no Palácio das Artes e no Parque Municipal, espaços que, somados, são mais do que satisfatórios para uma convenção desse porte (ainda mais se considerarmos que não foram suficientemente explorados na última vez).