08 julho 2010

Salve Júlia Kendall


Júlia Kendall sofre de uma doença terminal: baixas vendoses. O médico, Doutor Vendas da Mythos, deu apenas quatro meses de vida para a criminóloga.

Aqueles que acompanham de perto as aventuranças da graciosa doutora Kendall estão entristecidos. Alguns tentam se conformar; outros procuram se preparar para como poderão viver sem ela por perto; e outros ainda acreditam no milagre.

Caso o problema seja curado, o cancelamento da revista é que será sepultado. Mas como reverter esse quadro tão adverso?

De modo até bastante simples: fazendo que a revista J. Kendall - Aventuras de uma criminóloga venda mais e atinja uma marca comercial viável. O que é simples, não parece ser fácil.

Principalmente, porque esse não é o enredo de uma das edições escritas por Giancarlo Berardi, mas sim a verdade brasileira sobre a revista da Júlia (menos a parte da doença e coisa e tal).

Eu realmente fiquei abalado com a notícia. Resenho a revista desde o número 53 e, depois de passar o susto, fiquei matutando o que poderia ser feito. Me engajei numa campanha "compre uma J. Kendall e dê outra de presente". E não sou o único nessa.

Já que a Mythos pouco investiu na divulgação deste excelente título nesses anos todos, eis algumas ideias:

Se você lia o fumetto e parou, este é o momento em que deve voltar a ler e a comprar.

Se você empresta de um amigo, economize no lanche ou na cerveja e compre a sua edição.

Se você conhece alguém que leia outros títulos da Bonelli, dê uma Júlia de presente pra ele, que a alta qualidade da revista faz o trabalho sozinho.

Se você conhece alguém que gosta de histórias policiais e de investigação, convença-o a ler a criminóloga.

Se você conhece qualquer leitor potencial pra essa revista, mexa-se e tente convencer essa pessoa a comprar J. Kendall - Aventuras de uma criminóloga.

É óbvio que não dá pra culpar os leitores pelo cancelamento da revista. Mas parece haver uma esperança de salvar uma das melhores revistas do Brasil, que está na nossa mão.

Chega de reclamar que falta gibi bom na banca. Vamos nos mexer e salvar a Júlia!

28 comentários:

Lucas Ed. disse...

Ô Lielson, vai me desculpar, mas será que o salvamento da revista fica só na mão dos leitores? Você mesmo aponta que a Mythos peca na divulgação do material. Pra mim peca muito mais. Reproduzo aqui um comentário que fiz lá na comunidade da Mundo dos Super Heróis quando falaram do cancelamento de J. Kendall. Eu tinha acabado de ler meu primeiro volume da criminóloga, muito inspirado pela presença constante dela aqui nas listas de melhores do mês do UHQ:

"Na semana passada li meu primeiro volume de Julia Kendall, o nº63, que comprei num sebo.
E gostei, gostei bastante, mas... Tem seus problemas.
Primeiro, a edição é muito ruim. O material na segunda e terceira capas é mal diagramado e raso. Parece material de clubinho de fã. Depois, há erros de digitação, de português e, na página 79, o recordatório está repetido! Some a isso o que já se disse, o alto preço por um material ruim em termos de qualidade de matéria-prima (papelzinho jornal e preto e branco?).
Pra fechar, um material que, apesar de bom, dificilmente agradaria a grandes massas: é um material mais cerebral, a ação é pouca. Nada muito "massa, véio" pra atrair a garotada.

Enfim, essas coisas somadas levam à situação que aí está.
Se me permitem ser egoísta, só li o material porque comprei baratinho num sebo. Cancelado ou não, continuarei lendo do mesmo jeito..."


Por que, frente ao fantasma do cancelamento (e a perda de uma fonte de ganhos) a editora não se mexe? Por que não repensa suas estratégias, suas colocações no mercado? Por que é certo que eles digam apenas: "As pessoas precisam comprar mais, senão paramos". Não acho justo. Eles primeiro deveriam se perguntar o que fazer para vender mais. Numa metáfora tosca, posso dizer que um tempero ruim estraga até a carne mais tenra. A edição de J. Kendall que li foi isso: uma carne maravilhosa (o material original) muito mal preparada (a edição nacional). Deu no que deu: até perde-se um pouco da graça de comer...

Anônimo disse...

Eu, aqui no interior do RJ, nunca vi essa revista na banca... (se é que vende em banca, de repente).
Aliás, quadrinhos em banca aqui no interior é uma porcaria: tudo entulhado,amassado,empilhado sem noção, etc..

Frederico disse...

Eu tb comecei a comprar a pouco tempo. Gostei muito e pra falar a verdade a qualidade grafica nem me incomoda mas muitos leitores em potencial para o titulo reclamam exatamente disso e o preco. E alguns em lista de discussao por mail nem sabiam da existencia de Julia nas bancas. Olha, eu nao tenho muita esperanca nao. Eh uma pena mesmo. Um abraco;

Frederico Dutra Vieira

Eduardo roque disse...

Por q ninguém fez campanha parecida por "Superman & Batman"?

Rafael_Senra disse...

A revista da Julia era a unica publicação mensal que eu comprava periodicamente, depois que abandonei o universo de super-herois. Além de manter uma qualidade de desenhos regular, cada roteiro do Berardi era (é) uma obra-prima a parte. Não ligo, e nunca priorizei, a questão gráfica. Até acho o formatinho um tanto quanto simpático.

Mas parei de comprar por alguns motivos citados acima, e aos quais endosso. A distribuição irregular (as vezes chega, as vezes não, em algumas bancas não tem), e o preço salgado. (comparando com a Vertigo, por exemplo, que é colorida, grande, tem um numero de páginas aproximado da JK e preço parecido)

Endosso a campanha, vou divulgar e comprar os próximos números. Mas fica o recado dos leitores exigentes por mais qualidade por parte das editoras.

lene disse...

O leitor vai a uma banca e vê uma revistona enorme, capa em papel couche, toda colorida, com o homem aranha descendo o sarrafo no duende verde, em cenas cheias de efeitos de perspectiva e composição arrojada. Aí ele olha pro lado e ve uma revistinha quadradinha, preto e branco, em papel jornal, com muito texto e sem cenas de ação, com composição gráfica apenas convencional. As duas tem o mesmo preço. Qual das duas ele vai comprar? Acho que, respondendo a esta questão, a gente conclui por que é que J. Kendall foi cancelada. Mesmo que o conteúdo de J. Kendall seja mais bem elaborado que qualquer gibi de super heroi, o material que a mythos coloca nas bancas não nos convence a pagar o preço cobrado. E acho que esse é o problema. Eles vendem a cerca de sete reais algo pelo qual um leitor de bom senso pagaria, quando muito, quatro reais. Não sei o quanto a Mythos gasta ou lucra com suas revistas, mas não é só com o apoio dos fãs que se salvará a revista, também precisa que a editora invista em maior qualidade técnica na edição (ou reduza o preço do exemplar).

Lz disse...

Lucas Ed. eu não disse que é culpa do leitor. atente para a parte em que digo: "É óbvio que não dá pra culpar os leitores pelo cancelamento da revista. Mas parece haver uma esperança de salvar uma das melhores revistas do Brasil, que está na nossa mão."

a ideia é: os leitores podem tentar fazer algo, diferente do que rolou com a citada Superman & Batman, que foi simplesmente cancelada.

Se a empreitada dos leitores se revelar um tiro na água, certamente a culpa não é de quem compra a revista.

Lz disse...

Rafael Senra, concordo com você: considero Júlia o que há de melhor mensalmente nas bancas. Se você conseguir achar a revista na banca.

Pra tu ter uma ideia, aqui em Curitiba, até a Comic Shop da cidade tem dificuldade com a distribuição da Mythos.

Vai ser uma pena ficarmos sem as aulas de roteiro do maestro Baerardi...
:>(

Lz disse...

Iene, aí que tá: que é um papel mais barato, preto e branco, pequeno e caro, tudo isso é.

mas isso não inferioriza em nada a revista diante de qualquer papel couché com impressão multicolorida.

porque Júlia tem um diferencial animal: roteiro de primeira grandeza. mesmo.

Giancarlo Berardi é um dos maiores roteiristas do mercado.Sem falar nos desenhistas que entendem de anatomia, perspectiva, composição, expressão facial...

Júlia vai fazer falta nas leituras do mês.

Atos disse...

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Quadrinho

Brasileiro

Sérgio Coutinho disse...

Nunca vi a revista em destaque onde eu compro. Quem vende nem sabe me dizer quando chega novo número. Falta realmente a editora levar a sério Júlia. Talvez, se a editora em vez de cancelar passar adiante, permita a Júlia ter a dignidade que sempre mereceu.

Eduardo Roque disse...

Bueno, sendo assim vou fazer minha parte e dar 1 chance p/essa revista tão elogiada

Piroca de Fantasma é Geladinha disse...

Júlia é simplesmente a melhor revista em quadrinhos disponível nas bancas brasileiras! Vou passar a comprar 2 exemplares por mês (inclusive do que já está nas banca, é claro) para tentar ajudar a salva a revista.

Ilson Nogueira Jr. disse...

Estou na campanha para salvar Julia. Vou presentear alguns amigos com a revista.

Etevaldo Marciano disse...

É uma pena.

Mas por esse preço e pela falta de marketing, não vejo outra solução senão a descontinuação.

Anônimo disse...

Os próximos na lista serão Zagor e Mágico Vento. =/

Eduardo Roque disse...

Zagor até pode ser mas visto q Mágico vento c encerra daqui a pouco na Itália acho q a Mythos deve fazer 1 força p/ir até o fim ou adotar a "solução" d Conan e publicar o q faltar como encadernados

r. minghini disse...

Acho que as edições deveriam ter um tratamento gráfico melhor...

O conteúdo é sensacional, mas o papel jornal e o formato não ajudam nada!

Rogério de Souza disse...

Bem. Apoio a iniciativa, tanto que esta semana irei comprar um exemplar.
Olha, eu compro gibis de herois também, mas acho que devemos incentivar as boas histórias acima de tudo.
Fazendo isto, não estaremos salvando somente as histórias da criminóloga, estaremos salvando as boas histórias em geral, mostrando que exigimos qualidade.
Se não ha uma mobilização dai sim que nada mudará, nem preço e tão pouco papel de qualidade.

shermans disse...

o problema não está na revista, mas na péssima distribuição. Poucas são as bancas que encontro o material pra comprar. Aí fica difícil...

Helvio disse...

Eu faria uma campanha diferente:

Deixe a revista ser cancelada!

Não é que não goste da revista, muuito pelo contrário, é justamente por adorá-la que quero que vá para outra editora fazer um trabalho melhor em relação à qualidade e preço e sem chantagens. Vamos pensar a médio prazo...

obs: ótimo blog!

Jáder disse...

Eu francamente acho que Julia Kendall (além de outros títulos da Bonelli Comics) deveria ir para outra editora. Quantas vezes vimos a editora Mythos repetindo essa mesma ladainha?

Não importa o quão bom sejam os títulos que a Mythos publique. Desde épocas remotas a Mythos tem essa mania de, volta e meia, repetir esse "mimimi" de que as vendas estão baixas. Não importa se o título é bom. Ora, eles cancelaram até o Conan recentemente com a mesma desculpa!

Sonho com o dia em que verei Dylan Dog, Nathan Never e Julia Kendall e Nick Raider publicados novamente no Brasil.

Mas tem que ser por outra editora, não a chorona da Mythos.

Pedro Lenny disse...

Acho que a campanha está começando a surtir efeito. Fui no site da Mythos comprar a edição passada da Júlia (67) (https://www.mythoseditora.com.br/catalogo/default.asp?acao=LISTA_CATEGORIA&categ0=1684&categ1=1685&categ2=1688) e não a vi no estoque, já estando lá a edição desse mês (68)...

Comprei então edições antigas para apoiar a campanha (4 edições dão frete grátis).

Lucas Ed. disse...

Lielson,
desculpa, meu comentário deu a entender que eu me opunha ao seu posicionamento. Desculpa mesmo, não era a minha intenção. Acho que o seu posicionamento pessoal, e de todos os leitores e admiradores de Julia Kendall está mais do que correto: fazer o possível pra continuar tendo acesso ao material que gosta.
A minha crítica é ao posicionamento da Mythos, covarde e preguiçoso: eles lançam um material ruim (do ponto de vista do trabalho deles sobre o original italiano) que, justamente por incompetência deles (a editora) vende mal e o que dizem? A culpa é do leitor que não compra! Que preguiça, que Pilatos! Estão lavando as mãos sobre a própria responsabilidade. Inclusive, o posicionamento da maioria dos comentaristas aqui no post reforça o que eu digo - Julia sobrevive no mercado graças a corajosos (ou antenados no mercado de fumettis) que uma hora arriscaram um bom dinheiro naquele material visualmente pouco atraente que a Mythos chama de "edição nacional" e fazendo isso, se depararam com um título excelente. Tanto que a campanha versa nessa linha: "se você é fã de J.Kendall, compre um exemplar a mais e presenteie um amigo que não a conhece" ou seja, o que se infere é que esse amigo não compraria o material por si só porque... nas prateleiras, esse material não atrai! Estamos admitindo que J.Kendall, pela Mythos, é feio, mas é gostoso. E feio, quase ninguém arrisca. Pode ser que os fãs consigam salvar a revista por agora. Vai durar quanto tempo o salvamento se a editora não fizer nada?
Grande abraço!

Sérgio Tavares disse...

eu compro julia desde o primeiro número e também fiquei triste com a notícia... mas não é algo a se surpreender.

o trabalho da Mythos é fraco sim. me lembro de quando a edição 5 não chegou aqui em BH por alguma falha na distribuição. depois de alguns meses chegou em um pacote junto com outras edições que eu já havia comprado. eu enviei um email a mythos reclamando que a revista não chegou aqui e se não poderia comprar a edição avulsa e eles me responderam simplesmente que minha opção era comprar o pacote.

eu acabei comprando esta edição em sebos algum tempo depois... e não perdi nem uma edição de júlia desde então, mas quero mais é que a Mythos se foda.

Anônimo disse...

compro Julia direto do site da mythos a 2 meses... e fiquei muito triste com a notícia... vou fazer minha parte para que ela continue conosco.

ventriloco disse...

Algum fã fluente em italiano poderia tentar acionar a editora Bonelli(cujo os direitos de publicação são gerenciados, vejam só que "coincidência", por uma tal de panini comics) para denunciar a situação de suas revistas e tentar fazê-los rever seus contratos aqui no Brasil.

Bom, fica aqui a dica:

http://www-en.sergiobonellieditore.it/
arretrati@sergiobonelli.it

http://www-en.sergiobonellieditore.it/casa_editrice/licensing.html

¨

Anônimo disse...

AH...... FODA-SE O BRASIL!!!