08 abril 2012

Mulheres em Quadrinhos

Por Paula Mastroberti

Afinal, quadrinhos é coisa de meninos? Mariamma Fonseca, Samanta Coan e Luciana Cafaggi, editoras do do Blog Lady's Comics, afirmam que não - "HQ não é só para o seu namorado", subscrevem.

Prestes a publicar minha primeira obra no gênero (Nota do
Universo HQ - Adormecida) depois de obter reconhecimento como escritora e ilustradora, deparei-me com uma sensação de isolamento: seríamos nós, mulheres quadrinistas, um arquipélago de pequenas e isoladas ilhas cercadas de machos por todos os lados?

Doutora em Letras, iniciei, por puro hábito acadêmico, uma pesquisa informal, mas que acabou ganhando um corpo que transcendeu a mera curiosidade, e acabou se transformando num verdadeiro movimento sociocultural. Isso graças à criação do Grupo Mulheres em Quadrinhos no Facebook, cujo objetivo é reunir e manter em contato pessoas de todos os sexos interessadas em discutir as questões que giram entre o universo feminino relacionado a linguagem dos quadrinhos.

Descobri que, se é difícil para qualquer um produzir e publicar HQs nesse país, a coisa se agrava no que toca à autoria feminina. E a culpa não é da falta de qualidade. Também não se trata exatamente de um apoio menor às publicações: editoras como Barba Negra, Estação Liberdade, Martins Fontes e Devir têm investido em jovens autoras como Cristina Judar ou Thaís dos Anjos. Porém, a situação aperta quando chegamos na etapa da divulgação e do espaço ocupado por essas moças nas prateleiras.
Qual seria, então, o motivo da aparente invisibilidade do sexo feminino na mídia e nas boas casas do ramo? Afinal, elas já são presença assídua em eventos como Comic-Con, participam de associações como a Grafar e ministram cursos em escolas como a Quanta. Algumas, como é o caso de Marcela Godoy, através de apoio cultural, editam a própria obra ou, tal como Cynthia Bonacossa, produzem revistas, recebendo colaborações de quadrinistas masculinos. Outras, como Ana Luiza Koehler, já publicaram no exterior. Mas parece que só quem está no meio ou é bem informado as conhece ou pelo menos ouviu falar delas.

Uma das causas de discriminação deve-se, possivelmente, à função de coloristas ou de arte-finalistas que muitas eventualmente exercem ou exerceram na grande indústria local ou estrangeira, nem sempre creditado, respeitado ou valorizado como autoria. Mesmo quando referenciadas na capa como responsáveis pela arte ou roteiro, essas profissionais acabam por submeter-se aos padrões formais instituídos por um sistema mercadológico que ainda prevê o público masculino como o maior consumidor. Ou seja, apesar da participação das mulheres nas áreas de criação, a linguagem prossegue se dirigindo ao sexo oposto, principalmente quando se tem em vista não o leitor de quadrinhos infantil, mas o adulto. O que nos leva à terceira questão: afinal, mulheres não lêem quadrinhos?

Uma entrevista ligeira feita por mim em duas livrarias de Porto Alegre (uma grande, de importância nacional e localizada em um shopping e outra menor, de rua, mas especializada), parece ir ao encontro do que o mercado editorial vislumbra como público consumidor: embora o número de jovens leitoras esteja aumentando (principalmente do gênero mangá, justamente porque ele inclui de modo especial o universo e o gosto feminino, assunto que por si renderia outro artigo), homens de todas as idades prosseguem sendo os apreciadores em maior número, dos humorísticos aos eróticos, dos super-heroicos às sofisticadas produções europeias. E, se perguntado ao vendedor sobre algum título de autoria feminina, é provável que ele o desconheça, mesmo que logo em seguida você descubra o álbum enfiado entre tantos outros dispostos na livraria - isso aconteceu comigo.

Esse comportamento de mercado deve gerar, sem dúvida, um círculo vicioso que interfere tanto nas categorias e estilos de produção quanto na seleção de novas HQs. Na produção, as configurações das heroínas femininas (por mais fortes e independentes que pareçam) devem satisfazer o leitor masculino, que enxerga o corpo da mulher como um objeto de exploração erótica. Assim, mesmo ilustradoras reconhecidas do gênero, como a italiana Giovanna Casotto, acabam produzindo segundo esse critério, para garantir um lugar no meio profissional.

No Brasil como no resto do mundo, a conversa prossegue no mesmo tom, de homem para homem, da programação dos eventos às abordagens da mídia. Contudo, mesas e debates ainda tímidos mostram que essa paisagem está se modificando. A aproximação cada vez maior com a cultura nipônica através dos mangás e animês e personagens bem sucedidas como Mônica e Mafalda contribuíram, sem dúvida, com toda uma geração de garotas educadas na leitura dos quadrinhos; e são estas que estão agora querendo ocupar um lugar ao lado dos rapazes: na realidade, longe de uma guerra de sexos, o que tem acontecido cada vez mais é uma relação de muito respeito e parceria.

Assim, entre super-mulheres infladas ou masculinizadas, entre torções corporais absurdas que visam destacar seios e nádegas e heroínas em trajes sumários e acessórios pouco confortáveis - configurações produzidas pela e para a preferência masculina, as quadrinistas brasileiras, tal como outras no mundo, estão aí para provar que, como autora ou como personagem, elas estão presentes em corpo e voz, seja qual for o gênero, mídia ou linguagem - e isso inclui o gênero dos quadrinhos.

*Paula Mastroberti é escritora, artista plástica e Doutora em Letras, autora de 9 livros e vencedora de alguns prêmios, como o Troféu Jabuti por Heroísmo de Quixote. Acaba de fazer sua estreia nos quadrinhos com Adormecida: 100 anos para sempre, pela Editora 8Inverso.

31 março 2012

Melhores e piores de março

Março foi um mês de bons lançamentos no mercado brasileiro. Por isso, é hora de conhecer os melhores e piores do mês, na opinião da equipe do Universo HQ. Apenas Ronaldo Barata ficou de fora.

O campeão de indicações do mês (com quatro indicações) foi Clássicos do Cinema Turma da Mônica # 30 - Peraltas do Caribe.

Vale lembrar: as opiniões são pessoais e não precisam ser sobre um lançamento do mês.

Não há limite para as indicações dos melhores, que não são listados necessariamente em ordem de preferência; e nem pros piores.

Sidney Gusman

Melhores: Recruta Zero # 1 (Pixel);
Lucky Luke – Fingers (Asa);
Jonah Hex – Volume 6 – As balas não mentem (Panini)
Y – O último homem – Volume 8 – Dragões de quimono (Panini);
Os Novos Vingadores - Motim (Panini);
Incal Integral (Devir;
Thor – Em nome do Pai (Panini)
100 Balas - Samurai (Panini);
One Piece # 2 (Panini).

Piores: DC + Aventura # 6 (Panini);
O dia mais claro – Especial – A busca pelo Monstro do Pântano (Panini).

Sérgio Codespoti

Melhores: Le Tueur - Volume 2 - L'Engrenage, de Jacamon e Matz (Casterman);
L'Immanquable # 12 (dBD.

Pior: nenhum.

Marcelo Naranjo

Melhores: Adormecida: cem anos para sempre (8Inverso);
Clássicos do Cinema # 30 - Turma da Mônica - Peraltas do Caribe (Panini);
Gibi Semanal # 30 (RGE)
One Piece # 2 (Panini);
O Eternauta (Martins Fontes)

Pior: nenhum.

Marcus Ramone

Melhores: Clássicos do Cinema # 30 - Turma da Mônica - Peraltas do Caribe (Panini);
Clube do Bolinha (Pixel);
Tio Patinhas # 560 (Abril).

Pior: Essencial Disney - Volume 3 (Abril).

Samir Naliato

Melhores: Vikings - A viúva do Inverno (Panini);
Turma da Mônica Jovem # 43 (Panini);
Clássicos do Cinema # 30 - Turma da Mônica - Peraltas do Caribe (Panini).

Pior: Corporação Batman # 1 (Panini).

Eduardo Nasi

Melhores: Mix Tape (independente);
Wilson (Quadrinhos na Cia.);
O gosto do cloro (Leya / Barba Negra);
Poema em quadrinhos (Cosac Naify).

Pior: nenhum.

Guilherme Kroll Domingues

Melhores: Castelo de areia (Tordesilhas);
Quando meu pai se encontrou com o ET fazia um dia quente (Quadrinhos na Cia.).

Pior: nenhum.

Ricardo Malta Barbeira

Melhores: Fables - Animal Farm (Vertigo);
Fables - Storybook Love (Vertigo);
Os Vingadores # 97 (Panini)

Pior: X-Men # 120 (Panini).

Delfin

Melhores: Madman - Heaven & Hell (Dark Horse);
Arzach (Nemo);
Comics Journal # 288 (Fantagraphics).

Pior: Countdown - Arena (Panini).

Lielson Zeni

Melhores: O gosto do cloro (LeYa/Barba Negra);
676 aparições de Killoffer (LeYa/Barba Negra);
O paraíso de Zahra (LeYa/Barba Negra);
O guia de ruas sem saída (Edith);
Castelo de areia (Tordesilhas).

Pior: nenhum.

André Sollitto

Melhor: Incal Integral (Devir).

Pior: nenhum.

Diego Figueira

Melhores: Sandman - Terra dos Sonhos (Conrad);
Os mortos-vivos – Volume 1 – Dias passados (HQM);
A chegada (SM);
Clássicos do Cinema # 30 - Turma da Mônica - Peraltas do Caribe (Panini).

Pior: nenhum.

Zé Oliboni

Melhores: Fierro Brasil – Volume 1 (Zarabatana);
A chegada (SM);
Mix tape (independente).

Pior: nenhum.

Liber Paz

Melhores: 100 Balas - Samurai (Panini);
Guia de ruas sem saída (Edith);
Vikings - A viúva do Inverno (Panini).

Pior: nenhum.

30 março 2012

Álbuns de figurinhas no Brasil: colecionando histórias

Hoje tem matéria especial no Universo HQ! Uma viagem através do tempo e da história dos álbuns de figurinhas no Brasil.

Clique aqui para reviver a divertida sensação de colecionar figurinhas e relembrar - ou conhecer agora - os álbuns que marcaram época.

Depois, volte aqui para o blog e comente o texto, compartilhando as lembranças das coleções que você tinha ou ainda tem guardadas.

Confira, também, a galeria com dezenas de capas, no final da matéria.

E por falar nisso, você ainda coleciona álbuns de figurinhas? Qual seu tema preferido?

28 março 2012

Universo HQ no Bleeding Cool

O site Bleeding Cool, mantido pelo "Nelson Rubens" dos gibis Rich Johnston e um dos mais acessados pelos fãs de quadrinhos em vários países, divulgou a notícia do Universo HQ sobre o sanduíche Vingador - e os atrativos brindes que vieram na esteira-, criado pelo Habib's do Brasil.

Johnston também postou o link para o texto original, escrito pelo Samir Naliato e publicado hoje no UHQ.

22 março 2012

Exposição Quadrinhos'51

Como o Universo HQ divulgou, teve início nesta quarta-feira, 21 de março, a exposição Quadrinhos'51, no Museu Belas Artes de São Paulo - MuBA.

Os visitantes da mostra conferem artes originais de criadores como Primaggio Mantovi, Rodolfo Zalla, Eugênio Colonnese, Julio Shimamoto e muitos outros.

A mostra celebra ainda os 61 anos da Exposição Internacional de Histórias em Quadrinhos, realizada em São Paulo, e conta também com artes originais que foram dedicadas ao professor Álvaro de Moya por autores como Will Eisner, Mort Walker e Jerry Robinson.

Outro destaque são numerosas revistas em quadrinhos clássicas e raras.

A exposição pode ser visitada até o dia 26 de maio de 2012. Confira a seguir um pouquinho do que está na mostra - clique para ampliar:


























Primaggio Mantovi Pai, Primaggio Filho, Rodolfo Zalla e Wagner Augusto (CLUQ)


Marcelo Naranjo (Universo HQ) e o professor Álvaro de Moya



19 março 2012

Bat-corrida: faça suas apostas!

Um dos aspectos mais icônicos na mitologia do Batman é, sem dúvida, o Batmóvel. De todas as versões do carro do Cavaleiro das Trevas que já foram criadas para o cinema e televisão, você já imaginou qual é o melhor e o mais rápido?

Bem, é isso o que o programa Super Power Beat Down, feito para a internet, resolveu colocar à prova. Eles juntaram os batmóveis do seriado televisivo de Adam West, criado 1966, e o do filme Batman, de 1989, e colocaram lado a lado para uma corrida!

Não sei, não, mas acho que a aposta que fizeram antes da corrida teve uma grande influência para o resultado final... Confira o vídeo abaixo!


16 março 2012

50 anos de Mafalda por Liniers

Ontem surgiu uma confusão sobre o possível aniversário de 50 anos da Mafalda - personagem criada pelo quadrinhista agerntino Quino (veja a nota explicando o assunto aqui) - e, até que o próprio autor desfizesse o mal-entendido, surgiram homenagens diversas como esta abaixo feita pelo também argentino Liniers na sua tira diária Macanudo.

(Tradução livre: Hoje Mafalda completa 50 anos// Como está bem conservada.)

Hoje, após esclarecido que o aniversário de 50 anos da personagem só será comemorado em 29/09/14, Liniers se retificou de maneira brilhante, como sempre:

(Tradução livre: Hey, este livro sobre a Mafalda diz que ela nasceu em 29 de setembro de 1964.//
Que a data de 15 de Março de 1962 foi um mal-entendido que se gerou por uma nota em uma revista.//
Ou seja, que completa 50 em 2014.//
Bem... as grandes estrelas omitem uns dois anos.)

Ambas as tiras foram tiradas do site http://macanudo.com.ar

12 março 2012

Crossover: Corto Maltese encontra Blueberry

O sábado desse final de semana começou com a triste notícia da morte do quadrinista francês Moebius.

Sérgio Codespoti, como de praxe, preparou uma longa e informativa matéria sobre isso no site do Universo HQ.

E eu me lembrei de um vídeo que mostra o encontro de Moebius com outro monstro sagrado dos quadrinhos: Hugo Pratt.

É encantador ver os dois mestres em ação e improvisando a partir de espaços e linhas deixadas pelo outro. Aproveite:

05 março 2012

A história das sagas da DC Comics

Nosso colaborador Marcus Vinicius de Medeiros fez uma baita matéria relembrando todas as grandes sagas da DC Comics desde a Crise nas Infinitas Terras, realizada há quase 30 anos.

Passando por mortes de super-heróis e as tantas Crises disso ou daquilo, ele construiu um verdadeiro guia de referência para leitores novatos ou vetaranos.

Para conferir a matéria, clique aqui. Depois, comente à vontade.