"Ou elas... ou eu!"Acho que minha mulher estava tramando alguma coisa contra as minhas HQs. A impressão que eu tinha era que, cada vez que olhava pra os meus gibis que invadiram vários compartimentos do apartamento, ela estava arquitetando as formas mais vis de se livrar da concorrência.
Fico imaginando que ela possuía uma criação secreta de traças, ou que desenvolveu em laboratório agentes bacterianos catalizadores de mofo, tudo pra destruir meus pobres gibis.
Tá certo que não tenho mais onde colocar a minha coleção... Já tomei metade do nosso guarda-roupa pra acondicionar uma parte dos meus gibis; algumas prateleiras do guarda-roupa da minha filha; quase todo o armário de sapatos; os dois criados-mudos; e mais alguns lugares inusitados. Essas besteirinhas de nada parecem irritar a patroa.
Na casa dos meus pais, por exemplo, tô proibido de entulhar mais coisas. Por isso, nem adianta migrar minhas preciosidades pra lá. Já tem um armário que vai do chão ao teto, só pra minha coleção; e mais boa parte da biblioteca do meu pai, que gentilmente cedeu o espaço dos livros dele, que acabaram encaixotados (o velho é demais, he, he, he).

Há poucos dias, minha mulher não se conteve e disse, em tom ameaçador: "Ou elas... ou eu!". Fiz a besteira de responder "Amor, me dá um tempo pra pensar!"
Aconteceu que ela afirmou que, a partir daquele momento, se eu quisesse "diversão", teria que "procurar aqueles 'gibizinhos' em que uma morena fica nua o tempo todo". Ela se referia à Druuna...
Bem, a saída que encontrei foi prometer a ela que, no próximo ano, transformarei o banheiro do quarto em uma gibiteca.
Vou gastar uma notinha que vai doer no bolso, mas, pelo menos, continuarei com a minha esposa e os quadrinhos. Ufa!