Mais um "O que estamos lendo"Semaninha complicada de trampo esta. Mesmo assim, agora que arrumei um tempinho, seguem mais rápidos comentários sobre HQs que li.
Crise Infinita # 6: Ufa, está acabando! Realmente uma pena esta minissérie que foi tão alardeada ter se mostrado uma história tão fraca. Pior ainda: que tenha “manchado” uma das sagas de super-heróis mais bacanas dos últimos 20 anos,
Crise nas Infinitas Terras. Pra piorar, como bem observou o Eduardo Nasi em sua resenha no
UHQ, sem o apoio das revistas de linha, Geoff Johns teve que acelerar a narrativa, deixando-a mais capenga.
Justiça # 3: o ritmo dos acontecimentos nesta minissérie é lento, mas nada que desagrade. Pelo contrário, o roteiro de Jim Krueger está deixando o leitor ansioso pelo desfecho das várias subtramas que estão sendo espalhadas – especialmente a de Brainiac e Aquaman. Desse modo, cresce a expectativa pelo contragolpe dos super-heróis à investida de seus inimigos. O trabalho de Doug Braithwaite e Alex Ross na arte continua bacana.
Courtney Crumrin & as Criaturas da Noite: li este álbum da
Devir sem grandes expectativas e ao chegar ao final estava bastante satisfeito. Uma história de terror leve e divertida. O roteiro de Ted Naifeh mostra o estereótipo da família norte-americana: pais em busca de glamour, que nem ligam pros filhos. E é aí que a relação da jovem Courtney e seu misterioso tio Aloysius ganha força. A arte também é bacana, com bons contrastes de luz e sombras e narrativa competente.
Usagi Yojimbo - Sombras da Morte: ponto pra
Devir por promover este retorno ao mercado nacional.
Usagi Yojimbo, que teve três álbuns pela
Via Lettera, é uma série muito legal. Stan Sakai usa personagens antropomorfizados para narrar histórias de samurai mesclando ação, humor e ficção (neste volume as Tartarugas Ninja viajam no tempo para juntar-se ao protagonista – mas faltou uma notinha dizendo onde rolaram os outros encontros deles). Tudo com uma narrativa show de bola. E pensar que já li
nerds dizerem que é uma babaquice um coelho samurai! Como se homens com cuecas sobre as calças e com capas existissem...
Capote no Kansas: não li o livro
A Sangue Frio, de Truman Capote, mas após terminar este álbum decidi que ainda o farei. Esta HQ romanceia o período que o escritor passou no interior dos Estados Unidos para produzir a obra referida. É uma leitura agradável, com desenhos (de Chris Samnee) bons e um roteiro enxuto. No entanto, em alguns pontos, o roteiro de Ande Parks fica confuso e é preciso o leitor ficar atento para saber se quem está conversando com Capote está vivo ou morto.
A Serpente Vermelha: o terror japonês nos quadrinhos segue uma linha diferente da adotada no mundo ocidental. Mas pode ser tão interessante quanto. Este álbum comprova isso. Hideshi Hino, que já havia tido
Panorama do Inferno lançado pela
Conrad, constrói uma trama que angustia o leitor. O garoto protagonista vive numa casa pra lá de estranha (que tem “lugares proibidos”), de onde não pode fugir (é cercada por uma floresta) e na qual vê sua esquisita família passar por transformações bizarras. Destaque para o belo trabalho da
Zarabatana Books. É raro uma editora começar com tanta qualidade de texto e de impressão.
Lobo Solitário # 28: Chegou ao fim a melhor revista seriada do mercado nacional em muito tempo. E não há muito que dizer, para não estragar a surpresa, apenas que vale demais a pena. E fica aqui registrado o agradecimento dos leitores de bom gosto à
Panini. Afinal, finalmente, uma editora brasileira se dignou a publicar na íntegra este clássico dos quadrinhos mundiais, escrito por Kazuo Koike e desenhado por Goseki Kojima. Que a série seja republicada de tempos em tempos, pois mais gente merece conhecê-la.
A Última Batalha: Esta
graphic novel é fraca (será por isso que a
Panini nem a anunciou em seu site oficial?). Dividida em vários capítulos curtos, conta uma história batida, com uma reviravolta previsível no final. Em momento algum o texto do italiano Tito Faraci empolga. E os desenhos “duros” do norte-americano Daniel Brereton também não colaborar. Sua narrativa é truncada demais.
Grandes Astros - Batman & Robin # 4: se durante a leitura você conseguir assumir que o personagem principal não é o Batman do universo normal da
DC (esse o propósito da série), esta edição é passável. Mas se não fizer isso, complica. O Morcego está mais paranóico do que nunca – Frank Miller parece ter pegado o jeito de ver a vida do Batman cinqüentão de
O Cavaleiro das Trevas e colocado neste, ainda em início de carreira. Comer ratos? Essa foi dose pra cavalo! Na arte, a página sêxtupla é realmente bonita. Foi um recurso para mostrar o quanto o lugar impressiona Dick Grayson. E funciona.